domingo, 20 de agosto de 2017

Cultura do Maxixe


Cucumis anguria
O maxixe é uma trepadeira cujos ramos podem crescer até 3 metros. Planta de origem provavelmente africana, pode ser encontrada crescendo naturalmente em muitas regiões tropicais da América e da Austrália.

Clima

O maxixeiro é uma planta de clima quente, crescendo bem em temperaturas entre 20°C e 27°C.

Luminosidade

Esta planta cresce melhor em condições de alta luminosidade, com luz solar direta pelo menos algumas horas por dia.

Solo

Plante em solo leve, rico em matéria orgânica, fértil e bem drenado. O ideal é que o pH do solo esteja entre 5 e 6,5.

Irrigação

Irrigue com a frequência necessária para que o solo seja mantido úmido, porém sem que permaneça encharcado.
Maxixeiro crescendo rasteiro 

Plantio

A semeadura é feita normalmente no local definitivo, fazendo covas de 30 cm de profundidade e 30 cm de diâmetro. A terra retirada de cada cova deve ser adubada com esterco bem curtido, húmus de minhoca, composto orgânico ou adubo químico. Após fechar a cova com a terra já adubada, irrigue e coloque 2 ou 3 sementes a cerca de 2 cm de profundidade. Quando as plantas tiverem 10 cm de altura, deixe apenas uma ou duas plantas por cova. Alternativamente, as sementes podem ser plantadas em pequenos vasos, sacos para mudas, copos feitos de papel jornal ou outros recipientes. As mudas são então transplantadas quando têm de 4 a 5 folhas. O espaçamento pode ser de 2 a 3 metros entre as linhas de plantio e 1 metro entre as plantas.

Tratos culturais

O maxixe é normalmente cultivado como uma planta rasteira, mas pode ser tutorado, crescendo então em cercas ou treliças.
Cada planta tem flores masculinas e flores femininas separadas e necessita da presença de abelhas para que a polinização ocorra. Se não houver abelhas, a polinização pode ser realizada manualmente com a ajuda de um pincel de cerdas macias.
Amostra de várias cultivares de maxixe 

Colheita

Geralmente a colheita inicia-se em 50 a 80 dias depois do plantio, dependendo da cultivar e das condições de cultivo. A colheita dos frutos para serem consumidos crus deve ser feita antes do desenvolvimento das sementes, quando são bem novos. Para outras formas de consumo, podem ser colhidos já bem desenvolvidos. O tamanho adequado dos frutos para a colheita varia entre 3 cm e 7 cm de comprimento.






quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Cultivo da Bucha (Luffa aegyptiaca)



Luffa aegyptiaca ou Luffa cylindrica
A bucha, também conhecida como esponja-vegetal, bucha-dos-paulistas e lufa, é uma vigorosa trepadeira herbácea nativa do sul e sudeste da Ásia. Seus frutos maduros, quando completamente secos, são muito utilizados como esponja. Os frutos imaturos podem ser consumidos de diversas formas, podendo ser preparados das mesmas maneiras que as abobrinhas, ou até mesmo consumido cru em saladas quando bem jovens. Folhas e pontas de ramos também podem ser consumidas cozidas ou refogadas. As flores podem ser preparadas e consumidas como as flores das abóboras. As sementes podem ser consumidas torradas e salgadas.
Há variedades cultivadas de bucha com frutos cilíndricos que variam de cerca de 30 cm de comprimento a mais de 1,5 m (as buchas-de-metro). As variedades cultivadas com frutos menores são geralmente as mais apreciadas como alimento. Algumas cultivares podem ser muito amargas, sendo estas inadequadas para o consumo, mas as cultivares mais comuns normalmente têm frutos comestíveis quanto imaturos. Os frutos maduros são fibrosos e impalatáveis. Os frutos e outras partes da planta também são usados para fins medicinais.
Em hidroponia, a esponja obtida do fruto da bucha pode ser utilizada como matriz de suporte para as plantas que serão cultivadas.
Há outras espécies no gênero Luffa que fornecem esponjas vegetais, mas a espécie Luffa aegyptiaca é a que apresenta variedades cultivadas que produzem esponjas de melhor qualidade e é a espécie mais cultivada no mundo para este fim.
Plantação de bucha ou esponja vegetal

Clima

A bucha ou esponja-vegetal pode ser cultivada em regiões tropicais ou subtropicais. O ideal é um clima quente e úmido, mas pode ser cultivada em temperaturas acima de 16°C. Cultivares precoces podem ser cultivadas em regiões que têm um inverno frio, nos meses mais quentes do ano (são necessários pelo menos 5 meses de clima quente para ser possível colher alguns frutos). Em regiões de clima quente e úmido, pode ser cultivada o ano todo.

Luminosidade

Esta planta necessita de alta luminosidade, com luz solar direta pelo menos algumas horas por dia.
Muda de bucha ou esponja vegetal 

Solo

A bucha cresce bem em solo fértil, bem drenado, rico em matéria orgânica e com pH entre 6,0 e 7,5.

Irrigação

Irrigue de forma a manter o solo sempre úmido, mas sem que permaneça encharcado.
Muda de bucha ou esponja vegetal, com folhas cotiledonares e uma folha verdadeira

Plantio

A bucha ou esponja-vegetal é propagada através de sementes. Semeie no local definitivo ou em pequenos vasos, copos feitos de papel jornal, em saquinhos apropriados para mudas ou outros recipientes, e transplante as mudas de bucha quando estas têm de 3 a 6 folhas verdadeiras.
No local definitivo são abertas covas que podem variam de 25 a 50 cm de diâmetro, adubando o solo retirado conforme a necessidade e voltando a adicioná-lo a cova. Duas a cinco sementes são semeadas por cova, a 2 ou 3 cm de profundidade, retirando-se as mudas mais fracas quando estas estão com cerca de 10 cm de altura, de forma que restem apenas uma ou duas plantas por cova.
O espaçamento varia com a variedade cultivada e as condições de cultivo, normalmente variando de 2 x 2 m a 5 x 5 m.
Racemo com flores masculinas da bucha

Tratos culturais

A bucha precisa de suportes onde possa se agarrar e crescer. Estes suportes podem ser caramanchões, espaldeiras, cercas, ou ainda muros e paredes, desde que estes tenham algo onde as gavinhas possam se prender. Os suportes precisam ser robustos para aguentar o peso das ramas e dos frutos.
Retire as plantas invasoras que estejam concorrendo por nutrientes e recursos, especialmente nos primeiros dois meses, quando a bucha cresce de forma relativamente lenta.
A presença de insetos polinizadores, principalmente abelhas, é necessária para a polinização das flores e a formação dos frutos. A planta normalmente apresenta flores masculinas em racemos e flores femininas solitárias, que apresentam um ovário inferior (uma "buchinha") que se desenvolverá no fruto se a flor for polinizada. Se não houver insetos polinizadores na área, a polinização manual pode ser feita com a ajuda de um pequeno pincel de cerdas macias. Alternativamente, pode-se colher e usar as próprias flores masculinas para polinizar as flores femininas.
Fruto no início do crescimento

Colheita

A colheita geralmente começa a partir de quatro meses após o plantio, podendo levar mais de seis meses para começar, dependendo se os frutos serão colhidos para o consumo ou para uso como esponja vegetal, as condições de cultivo e a variedade cultivada.
Para o seu consumo como alimento, os frutos devem ser colhidos imaturos, ainda jovens, antes que os feixes vasculares do fruto comecem a ficar mais rígidos. Frutos quase maduros são muito fibrosos.
Bucha: Fruto maduro 


À primeira vista, a bucha vegetal mais parece um chuchu superdesenvolvido. A confusão é justa porque as duas plantas pertencem à mesma família e são mesmo muito semelhantes. Mas 120 produtores rurais do município de Bonfim, cidade a 80 quilômetros de Belo Horizonte, sabem distinguir direitinho uma espécie da outra. A cidade, que carrega o título de capital brasileira da bucha vegetal, tem o hábito de cultivar a planta desde a década de 1950. Mas essa fama, porém, quase foi para o ralo. Também, mal-e-mal se ganhava dinheiro com a cultura por causa de atravessadores. Além disso, a falta de organização atrapalhava e o desestímulo era geral.

Para colocar ordem no setor, o Sebrae fez um diagnóstico da produção e iniciou, em 2003, um projeto em parceria com a prefeitura local para recuperar o cultivo da bucha. O resultado já está indo parar no bolso do produtor. Antes, a dúzia era vendida a 14 reais para atravessadores, que a revendiam a 25 reais no mercado. Hoje, com o fortalecimento da Associação Mineira dos Produtores de Bucha Vegetal, os 25 reais que os intermediários recebiam passaram direto para as mãos do agricultor. Com isso, a produção cresceu na "capital". Dados da Emater-MG mostram que são aproximadamente 80 hectares plantados e 100 mil dúzias de bucha produzidas por ano.

Obstáculos
Bucha vegetal, assim como o chuchu, é uma trepadeira que pode ser plantada em caramanchões
O produtor Ivair Pereira do Carmo contribui para estes números. Por causa das chuvas, teve uma safra ruim neste ano. Colheu dez mil dúzias de bucha dos seis mil pés que cultiva. "Há três anos, consegui 15 mil dúzias", compara. A vontade de expandir a produção é grande, mas Ivair esbarra em um problema muito comum nesta cultura: a falta de mão-de-obra. Como a colheita precisa ser manual, ele nem sempre tem gente disponível. Segundo Márcia Machado, técnica do Sebrae-MG, existe uma demanda da indústria automobilística em substituir a espuma dos bancos de carro por bucha, mas os produtores não têm como atender aos pedidos justamente por causa da falta de empregados. Outra dificuldade é ter acesso a crédito. Há cinco anos, quando começou a plantar bucha, Ivair teve que se desfazer de alguns bens. Mas não se arrepende. "É uma planta excelente". A produção de seus 12 hectares vai toda para Belo Horizonte, onde é beneficiada por familiares e vendida para a Ceasa e supermercados.

Cultivo
Depois de colhidos, os frutos são descascados, lavados e batidos para retirar a mucilagem. Em seguida, são colocados em varais para secar
Utilizada na fabricação de esponjas para banhos, filtros e até utensílios de cozinha, a bucha é uma planta tropical que exige condições especiais de cultivo. Não tolera geada e requer bastante luz. O solo deve ser bem drenado, de preferência areno-argiloso, com pH em torno de 6,0. A melhor época de plantio é no começo da estação chuvosa.

A bucha-de-metro é colhida aos seis meses de vida. A colheita pode durar aproximadamente quatro meses. O rendimento médio de uma plantação é de oito a 12 buchas por cova ou cerca de oito mil unidades por hectare, com espaçamento de 3 x 3 metros.

Características
Frutos podem chegar a 1,6 metro de comprimento

Nome científico: Luffa cylindrica
Nomes populares: É mais conhecida por bucha-de-metro, pois seus frutos podem chegar a 1,6 metro de comprimento. Além dessa espécie, outras duas são bastante encontradas no Brasil. A bucha-chuchu ou bucha-fedorenta (Luffa acutangula) é usada pelo setor automotivo na confecção de estofamentos nos carros. Já o suco da polpa da buchinha ou abobrinha-do-norte (Luffa operculata) pode ser usado como vermífugo.

Classificação: A bucha pertence ao gênero Luffa, que é formado por sete espécies. Todas elas fazem parte da família das Cucurbitáceas, a mesma da abóbora, melancia, melão, pepino e chuchu.

Distribuição: Originária da Ásia, a bucha foi trazida para cá pelas mãos dos portugueses durante a colonização. Hoje, o cultivo no Brasil atinge desde as regiões Norte e Nordeste e também São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso. Embora não haja dados oficiais sobre plantações comerciais no país, a cidade de Bonfim, MG, é considerada a capital da bucha natural, com produção anual de 100 mil dúzias.

Descrição: Planta herbácea e trepadeira, apresenta frutos esponjosos, fibrosos e alongados, cujo tamanho varia entre 40 centímetros a 1,6 metro de comprimento. O florescimento é muito parecido com o do chuchu. A mesma planta possui flores masculinas e femininas. A diferença, porém, está na cor. Enquanto as flores do chuchu apresentam um tom verde-claro, as da bucha têm um amarelo intenso. As folhas são grandes e as sementes negras e lisas.


quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Cultura da Berinjela (resumo)



Apreciada em receitas de diferentes culturas, a berinjela é o principal ingrediente de comidas típicas da cozinha mediterrânea, indiana, francesa e de países do Oriente Médio. Finas fatias sobrepostas de berinjela e de batata recheadas com carne moída dão forma ao moussaka, tradicional prato da culinária grega parecido com lasanha, mas sem o uso de massa de farinha de trigo.

É possível que o sabor multicultural do legume tenha surgido com a proliferação do seu plantio pelo mundo, a partir da sua origem nas zonas tropicais da China e da Índia.

Até o continente europeu, a trajetória da berinjela foi conduzida pelos árabes. Em terras brasileiras, chegou no século 16, trazida pelos colonizadores portugueses. O seu cultivo predomina no Sul e Sudeste do Brasil.

A berinjela se desenvolve bem em regiões de clima tropical e subtropical, mas sem excesso de chuva. Em épocas de floração, ela não suporta frio intenso e geadas. Para o cultivo, prefere as temperaturas entre 18 e 25 graus, principalmente nas estações da primavera, do verão e do outono.

O legume, pertencente à família das solanáceas, nasce de plantas arbustivas, com caule semilenhoso e folhas grandes. Chega a atingir mais de um metro de altura, com flores roxas. Os frutos, ovais, alongados e de toque macio - 50% do volume da berinjela é ar -, possuem proteína, cálcio, ferro e fósforo, além de serem boa fonte de sais minerais e vitaminas, com valor nutricional comparado ao do tomate.

Dicas
• Cuidado ao manipular os frutos durante a colheita. Eles são bastante sensíveis ao amassamento e às avarias de ferramentas e outros materiais. Use uma tesoura de poda ou uma faca com corte afiado para retirar as berijelas das plantações, pois o pedúnculo é lenhoso e resistente.
• Devido às propriedades da berinjela, o suco do legume ajuda a reduzir o colesterol ruim. Um quarto de uma berinjela média batida com três laranjas, açúcar ou adoçante, serve para uma pessoa.

Dados Gerais

Espécie: a berinjela (Solanum melogena), como o pimentão, o jiló, o tomate e a batata, pertence à família das solanáceas.

Plantio: nos meses da prima vera, verão e outono, mas pode ser plantada no entanto o ano todo em locais de clima quente.

Solo: revolvido e destorroado, com a aplicação de adubo orgânico e a adição de fertilizante químico.

Clima: tropical e subtropical.

Uso culinário: assada, ensopada, recheada e cozida, frita à milanesa, grelhada, como antepasto, em conserva e suco

Uso medicinal: ajuda no emagrecimento, é diurética e reduz gordura no fígado; o suco combate o colesterol e a hipertensão; as folhas ajudam a aliviar a dor de queimaduras.

Colheita: dependendo da variedade, dura três meses ou mais a partir dos 90 a 110 dias de semeadura.

Área mínima: a semeadura pode ser feita em copinhos plásticos de 200 a 300 mililitros; de 150 a 200 sementes podem ser plantadas em um hectare.

Variedades
• As variedades de berinjela mais comercializadas apresentam formato alongado, de 13 a 17 centímetros de comprimento, e cor roxo-escura, quase preta. Mas há também frutos com características diversas, como os finos e alongados de cultivares do tipo japonês plantadas em São Paulo. São encontrados nas cores roxa e verde. As arredondadas do tipo italiano têm casca de púrpura ou rosa rajada, polpa adocicada e poucas sementes.
Investimentos
• O cultivo de berinjela pode ser realizado em uma pequena área de terra, de acordo com a disponibilidade de espaço do produtor. O importante é que as sementes ou mudas utilizadas no plantio sejam de boa qualidade e a cultivar escolhida de acordo com as condições climáticas do local. Em plantios acima de um hectare, os itens que mais oneram a produção são embalagens, transporte e energia.

Mãos à obra
• Certifique-se na hora da compra a capacidade de germinação da semente.
• A produção de mudas pode ser iniciada em sementeira ou em recipientes, como copos de papel ou bandejas de isopor.
• Em sementeiras, o local não pode ser de fácil encharcamento. Com o solo bem revolvido e destorroado, prepare a área de plantio com aplicação de adubo orgânico, como esterco de gado, composto ou húmus. Use de oito a dez litros por metro quadrado. Adicione de 200 a 250 gramas de adubo químico por metro quadrado.
• Enquanto as mudas estiverem no canteiro, controle a presença de ervas-daninhas e insetos e regue sempre. As sementes levam de 20 a 30 dias para germinarem.
• Após apresentarem em torno de seis a sete folhas definitivas, estarão prontas para serem levadas ao campo.
• O transplantio deve ser feito com muito cuidado, para evitar danos nas raízes e prejudicar o posterior desenvolvimento das berinjelas. Faça-o antes que as raízes se enrolem, para também não afetar a produtividade dos legumes. Para fazer a remoção, escolha as horas mais frescas do dia, de preferência à tarde e com o solo umedecido, ou em dias nublados.
• Para cultivares de plantas pequenas, faça espaçamento de 1,2 x 0,8 metro. Se forem mais vigorosas, deve ser de 1,5 x 1 metro. Enterre a muda na mesma profundidade que se encontrava antes.
• Irrigue as mudas.
• Após 90 dias inicia-se a colheita: são 15 frutos por planta. Comece pela manhã ou no final da tarde. Pode ser manual, com tesoura de poda ou faca bem afiada.
Mais informações: Para mais orientações sobre cultivo de berinjela, entre em contato com a Emater - Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do seu estado

Para ler em tela cheia é só clicar nas duas setinhas invertidas embaixo e à direita do Slide.






sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Propriedades nutracêuticas da Berinjela



Os alimentos funcionais situam-se no limite dos alimentos comuns e dos fármacos tradicionais, sendo definidos como alimentos que promovem algum efeito benéfico no organismo, retardando ou impedindo o aparecimento de doenças crônicas e, principalmente o envelhecimento. Termos como nutracêuticos, alimentos funcionais para a saúde, fitoquímicos, agentes chimopreventivos e antioxidantes são definidos por médicos, cientistas, industriais e entidades profissionais.
Por conter em sua composição substâncias terapêuticas, a berinjela tem sido citada por diversos autores como uma das culturas que pode ser classificada como alimento funcional (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 1999).
Guimarães et al. (2000) avaliaram a redução dos níveis de colesterol no sangue após a ingestão de infusão preparada com o pó da berinjela. Dezenove Indivíduos hipercolesterolêmicos receberam a infusão e outros 19 receberam placebo. Não se observou diferença entre os tratamentos. Entretanto, na análise intraindividual, houve redução significativa dos níveis do colesterol LDL e de apolipoproteina B no sangue, o que indica tendência de redução dos níveis de colesterol no sangue.
Segundo Pastore (2005), a berinjela contém fenóis que atuam como antioxidantes. Apresentam atividade antiinflamatória, evitam a aglomeração das plaquetas sanguíneas e a ação de radicais livres no organismo, protegendo moléculas de DNA (responsáveis pelo código genético) e lipídeos, abortando assim os processos carcinogênicos.
Segundo Netzel et al. (2001), as antocianinas e proantocianinas, responsáveis pelo pigmento da berinjela, inibem a produção de radicais livres. As proantocianinas têm habilidade em se quelar aos metais tóxicos.
Os pesquisadores ainda não desvendaram totalmente como agem os princípios ativos da berinjela, mas acreditam que auxiliam a digestão, combatem o colesterol e inibem em parte a absorção intestinal de gorduras, contribuindo para a regulação do plasma sangüíneo.

Propriedades medicinais da Beringela

Beringela é um dos legumes mais conhecidos em todo o mundo. Além da beleza de sua cor roxa, contém vitamina B5 e sais minerais como cálcio, fósforo, ferro e boas quantidades de niacina e potássio.
As propriedades e minerais da beringela mantêm a saúde da pele, nervos, aparelho digestivo, e ajuda na manutenção da concentração do líquido das células. “ Os minerais contribuem para formação dos ossos e dentes, construção muscular e coagulação do sangue”.

A beringela tem o poder de diminuir o colesterol e reduzir a acção doas gorduras do fígado. O sumo da beringela é utilizado nas inflamações dos rins, bexiga e uretra como poderoso diurético.

“ A beringela também é recomendada para quem sofre de artrite, gota, reumatismo, diabetes e inflamações da pele em geral. Como tem poder laxante, aconselha-se nas indigestões e prisão de ventre”.
Origem
Historiadores acreditam que a Índia é o local de origem da beringela. Relatos do século V mostram que a China já a cultivava, mas tudo indica que o lugar mais provável da origem da beringela é o sudeste asiático, devido à grande variedade de espécies encontradas ali.

Na Europa, a beringela chegou no século VIII quando os Mouros invadiram a Espanha. A beringela veio parar na América com a chegada dos exploradores espanhóis e portugueses.
Propriedades Nutricionais
A beringela apresenta pouca gordura saturada e colesterol. É composta por vitamina A, vitaminas do complexo B (B1, B2 e B5), vitamina C, Vitamina K e minerais (cálcio, fósforo, potássio e magnésio).

Cada 100 gramas do vegetal cru tem cerca de 26 Kcal. Por este motivo, é uma excelente opção para quem quer eliminar peso.
Propriedades Medicinais
A beringela tem propriedades capazes de reduzir o colesterol, especialmente o LDL (conhecido como colesterol ruim), diminuir a pressão sanguínea, além de ser recomendada nos casos de artrite, diabetes e inflamações da pele em geral.

Ela também é digestiva, nutritiva e laxante, sendo indicada em casos de desnutrição e prisão de ventre. Uma boa alternativa para o seu consumo é em forma de suco. Basta bater 1/4 de beringela com o suco de duas laranjas.
Curiosidades
Apesar de ter chegado na Europa no século VIII, a beringela só foi aceita como alimento em toda a Europa no século XVIII. Primeiramente elas foram utilizadas pelos italianos e ingleses somente como planta decorativa.

Conhecida como “maçã louca” a beringela era acusada de causar insanidade. Os franceses, inclusive, acreditavam que ela seria capaz de causar epilepsia.

Dicas úteis

Na hora de comprar, sempre opte pelas beringelas mais firmes e que apresentam uma coloração roxa uniforme, forte e brilhante. Nunca escolha as beringelas com partes machucadas ou enrugadas.

Também não compre as que estejam muito maduras, pois geralmente possuem sabor amargo. Para retirar o gosto amargo da beringela, você deve cortá-la ao meio e esfregá-la com sal. Ou então, você pode deixá-la coberta com água e sal, limão ou vinagre, durante 15 a 20 minutos.

Já para conservá-la, escorra a beringela e seque com papel absorvente. Guardada no frigorífico, dentro de um saco plástico, ela pode durar de uma a duas semanas.




segunda-feira, 31 de julho de 2017

Cultivo protegido da Berinjela



Em regiões com condições climáticas adversas, tais como frio intenso, chuvas e ventos, a cobertura de plástico permite que se cultive berinjela praticamente o ano todo. Este tipo de cultivo geralmente reduz o ataque de pragas e doenças e propicia economia de insumos. Os frutos apresentam melhor aparência e qualidade e o período de colheita prolonga-se por mais tempo.

O plantio deve ser evitado em áreas que já tenham sido ocupadas com tomate, pimentão, pimenta, jiló, batata ou com a própria berinjela, nos últimos três anos. Além disso, o plantio deve ser feito em locais onde o terreno tenha uma declividade de até 4% e que seja livre de ventos fortes.

Após a limpeza do terreno, faz-se a aração a uma profundidade de 30 cm, seguida de gradagem de nivelamento. O passo seguinte é a calagem, feita com base na análise de solo, como recomendado para cultivo em campo aberto.

Caso tenham ocorrido doenças de solo (fúngicas e/ou bacterianas) e nematóides em plantios anteriores, recomenda-se a desinfestação do mesmo através de solarização ou do emprego de produtos químicos indicados para este fim, rotação de cultura (com uma gramínea) e uso de cultivares resistentes.

O próximo passo é a construção dos canteiros com o auxílio de um microtrator com sulcador ou roto-encanteirador. O canteiro deve ter de 1,0 m de largura e aproximadamente 0,2 m de altura, e a distância entre os canteiros deve ser de 0,4 a 0,6 m. A berinjela normalmente é cultivada em fileiras simples, com espaçamento variando de 1,2 a 1,5 m entre linhas e 0,6 a 1,0 m entre plantas, em função das condições ambientais e da cultivar.

A adubação básica (orgânica e química) em cultivo protegido é similar à recomendada em cultivos em campo aberto e também deve ser realizada com base na análise de solo.. É feita em torno de cinco dias antes do plantio e distribuída a lanço sobre o canteiro. Para a incorporação dos fertilizantes ao solo pode-se utilizar enxada rotativa ou roto-encanteirador.

Em ambientes protegidos a cobertura do solo é usual (mulching), evitando-se a capina. O plástico é colocado logo após o levantamento do canteiro, a adubação básica e a montagem dos gotejadores, tomando-se a precaução de cavar em volta do canteiro para enterrar as bordas do plástico.

O sistema de irrigação mais adequado é o gotejamento, que permite aplicação localizada da água, sem molhar a parte aérea da planta. Em solos de textura média e argilosa usa-se uma linha de gotejamento por linha de plantas de berinjela, com espaçamento de 0,3 a 0,4 m entre gotejadores.

As cultivares híbridas indicadas para cultivo protegido estão listadas na Tabela 1. A produtividade média neste tipo de sistema atinge 15 kg por planta.

No transplante das mudas o mulching deve ser perfurado com um tubo ou com uma lata aquecida por uma estopa com óleo diesel.

O tutoramento normalmente é feito colocando-se um fio de arame 16 a cada 0,3 a 0,4 m e amarrando as plantas. Ou ainda, fazer tutoramento com uma estaca de madeira ou bambu junto de cada planta. À medida que as plantas forem crescendo, é feita a amarração dos ramos nos tutores. Deve ser feita também a desbrota ou a eliminação das brotações que forem surgindo na haste principal, abaixo da primeira bifurcação e nas bifurcações de ramas já crescidas.

Toda a adubação de cobertura deve ser feita via água de irrigação (fertirrigação). Recomenda-se começar a fertirrigação 30 dias após o transplante e não exceder na adubação nitrogenada, evitando-se assim o desenvolvimento vegetativo excessivo das plantas. Até a formação dos primeiros frutos a relação N:K deve ser de 1:1 e, após esta fase, a proporção recomendada é de 1:1,5 ou 1:2,5. Na Tabela 2, apresenta-se uma sugestão de adubação via fertirrigação para a cultura da berinjela. Esta sugestão é uma aproximação do que seria uma fertirrigação básica para a cultura. Pode ser utilizada quando não há possibilidade de se fazer análise química do solo. No entanto, o ideal é que se tenha em mãos os resultados da análise do solo para que se possa recomendar a fertirrigação de modo eficiente. Normalmente, durante a execução da fertirrigação, no primeiro ¼ do tempo a irrigação é feita somente com água, seguida de ½ do tempo com o fertilizante diluído em água e de ¼ final do tempo com água e ácido fosfórico. A condutividade elétrica do extrato de saturação do solo deve estar na faixa de 1,0 a 1,4 mS.

Em geral, as principais pragas em cultivo protegido de berinjela são pulgões, mosca-branca, tripes, ácaros e mosca-minadora. O controle de pragas deve ser feito quando se notar a presença e/ou sintomas nas plantas em função do ataque das mesmas.

As doenças que ocorrem com maior freqüência no cultivo protegido de berinjela são ascoquitose ou seca-dos-ramos (Aschochyta phaseolorumAschochyta spp.), podridão-algodão (Phytophtora spp. e/ou Phytium spp.), oídio (Leveillula taurica), mosaico e nematóides-de-galha. Iniciar o tratamento químico com produtos recomendados após o aparecimento dos primeiros sintomas.

Além do controle químico de pragas e doenças, algumas medidas preventivas devem ser tomadas antes da instalação da cultura, como: uso de cultivares resistentes; solo bem drenado; preparo, correção e adubação do solo adequados; rotação de cultura; eliminação de restos culturais e plantas hospedeiras e tratamento do solo e das sementes.

A colheita tem início quando os frutos atingem o tamanho comercial (17 a 20 cm de comprimento), que corresponde a 45 a 60 dias após o transplante (em função da cultivar e das condições ambientais). Quando a temperatura ultrapassa 370C ou a umidade é inferior a 40%, ocorre abortamento de flores. O monitoramento da temperatura dentro da área coberta ajuda a evitar esse tipo de problema. A utilização de coberturas de plástico com as laterais abertas ou fechadas, com mecanismos manuais ou automáticos de levantamento e abaixamento das mesmas, também aumentam a taxa de pegamento de frutos.

Tabela 1. Algumas cultivares híbridas de berinjela indicadas para cultivo protegido.
Cultivar
Hábito da planta
Fruto
Tamanho
Formato
Peso (g)
Coloração
Fruto
Cálice
Kokuyo
crescimento vertical
médio
comprido
220
preto
arroxeado
Nápoli
aberto
médio
oblongo
180/230
vinho escuro brilhante
verde
Diamente Negro
semi-aberto
médio
oblongo
180/230
vinho escuro brilhante
verde
Rima
aberto
médio
oval-alongado
250
vinho escuro brilhante
verde
Fonte: Emater-DF (2004)
Tabela 2. Sugestão de fertirrigação para a cultura da berinjela sob cobertura de plástico.
Solução1/
Fertilizante
Dosagem (g/1000m2/2 dias)
A
B
Desenvolvimento início de colheita
Colheita
X

nitrato de cálcio
400
600

X
nitrato de potássio
400
1200

X
sulfato de magnésio
50
250

X
ácido fosfórico
50
35
Coquetel de micronutrientes2/
100 ml
100 ml
Fonte: Emater-DF (2004)
Formulação do coquetel estoque de micronutrientes
Fertilizante
Dosagem (g/10 litros)
Ferrilene* (6% de ferro)
300
ácido bórico
300
sulfato de zinco
100
sulfato de cobre
30
*Ou qualquer outra fonte de ferro
1/As soluções A e B são aplicadas alternadamente, uma a cada dia, com intervalo de aplicação de uma mesma solução de 2 dias.
2/O coquetel de micronutrientes é aplicado semanalmente; dosagem em mL/1000 m2


terça-feira, 25 de julho de 2017

Produção de Sementes de Berinjelas



A produção de sementes certificadas de berinjela deve ser feita a partir de sementes básicas ou certificadas de primeira geração, e a produção de sementes híbridas a partir de sementes das linhagens parentais. Para ambos os casos, as sementes utilizadas devem apresentar alta qualidade genética, física, fisiológica e sanitária. Na produção de sementes híbridas, deve-se realizar a semeadura do progenitor masculino cerca de 15 dias antes, garantindo assim uma adequada produção de pólen por ocasião dos cruzamentos. É recomendável a produção de mudas em bandejas de poliestireno expandido (isopor) de 128 ou 200 células com substratos comerciais, sob sistema protegido. As mudas devem receber todos os tratos culturais, como irrigações freqüentes, fertilização e manejo fitossanitário.

O transplantio deve ser efetuado assim que as mudas atingirem a altura de 15 a 20 cm e estiverem com 6 a 7 folhas definitivas. Este ponto ocorre geralmente 35-45 dias após a semeadura, dependendo da temperatura do ambiente, principalmente durante a germinação e emergência das plântulas. Como principais cuidados a serem observados durante esta operação sugere-se a) irrigar com pouca água por 3-5 dias antes da data do transplante, para  maior rusticidade das mudas; b) irrigar o local definitivo de plantio antes do transplante para evitar estresse das mudas; c) escolher preferencialmente dias nublados ou o fim da tarde de dias ensolarados para efetuar o transplantio; d) não podar folhas e raízes, para evitar a transmissão de patógenos.

Preparo de solo e espaçamento
A exploração de uma camada mais profunda de solo, em termos de absorção de água e nutrientes, poderá ter reflexos positivos sobre a produtividade e a qualidade fisiológica das sementes. A exposição das camadas subsuperficiais à radiação solar e à interferência de patógenos poderá reduzir o nível das infestações ou infecções e contribuir para melhorar a qualidade sanitária das sementes. Assim, uma aração profunda é imprescindível para o atingimento desses objetivos. Após isso, submeter o terreno a gradagem e a uma sulcagem com 20-30 cm de profundidade. O espaçamento comumente utilizado na produção de frutos varia 1,20-1,50 m entre linhas por 0,80-1,00 m entre plantas na linha.

Adubação
A berinjela produz bem mesmo em solos de média a baixa fertilidade, desde que seja fornecido um suprimento equilibrado dos nutrientes básicos. Em solos de baixa fertilidade natural como os latossolos vermelhos do Brasil Central, pode-se distribuir até 30 t/ha de esterco curtido de gado ou de composto de lixo ou ainda até 10 t/ha de esterco curtido de aves nos sulcos de plantio. Nessas condições, em termos de adubo químico, a berinjela exige em solo corrigido, o equivalente a 100 kg/ha de N, 400 kg/ha de P2O5 e 150 kg/ha de K2O como adubação de plantio. Em temos práticos, isto eqüivale a adicionar sobre o adubo orgânico cerca de 2.500 kg/ha da fórmula química 4-14-8 no sulco de plantio. Como adubação de cobertura, para satisfazer as exigências da cultura, devem ser feitas três aplicações de 25 kg/ha de nitrogênio (N) e 25 kg/ha de potássio (K2O) por vez, aos 30, 60 e 90 dias após o transplantio das mudas. Se a cultura anterior não recebeu boro e zinco, aplicar 20 kg/ha de bórax e 20 kg/ha de sulfato de zinco juntamente com o adubo de fundação no sulco de plantio. Se a cultura anterior recebeu aplicação de boro e zinco, reduzir a quantidade indicada pela metade. Se as duas culturas anteriores receberam boro e zinco, suprimir a sua aplicação.

Tratos culturais
Para a produção de sementes de berinjela utilizam-se as mesmas práticas agronômicas de produção da berinjela hortaliça. As principais operações são capinas, adubações de cobertura, irrigações e pulverizações. Na lavoura de produção de sementes, as capinas devem ser efetuadas preferencialmente por método mecânico, através de equipamento que consiga trabalhar entre as linhas espaçadas de 1,50 m deixando-se a capina manual somente para a linha de plantio, que sempre deve ser mantida no limpo, livre da concorrência de plantas daninhas. As adubações de cobertura devem ser feitas nas quantidades e épocas já mencionadas, distribuindo-se a mistura química na parte superior da cova, ficando a incorporação do adubo ao solo condicionada a fatores como tamanho da lavoura, disponibilidade de mão-de-obra, época do ano, intensidade das chuvas, entre outros. Em termos de irrigação, o ideal é aplicar água pelo método de gotejamento, minimizando assim a incidência de doenças pelo contato direto da água com as folhas e frutos. Entretanto, se o cultivo da berinjela for conduzido na estação quente e chuvosa, esta operação pode ser feita pelo método de aspersão, compensando eventuais períodos de déficit. A berinjela requer sempre um ótimo nível de condições hídricas, não suportando encharcamento. Durante o ciclo da cultura, torna-se necessário aplicar de 25 a 30 mm semanais de água para atender às suas exigências hídricas. As pulverizações devem ser efetuadas sempre que necessário para manter as plantas livres de pragas e doenças.
Outras práticas específicas devem ser também aplicadas à produção de sementes de berinjela. O estaqueamento serve para fixar a planta e evitar o seu tombamento devido à ocorrência de chuvas e ventos fortes, ajudando a reduzir a contaminação das sementes por patógenos. A desbrota consiste na eliminação da brotação lateral até o nível da primeira floração. Uma prática fundamental na produção de sementes é o roguing, que consiste na eliminação de plantas atípicas e com sintomas de doenças, devendo ser efetuada nas épocas de pré-floração (desenvolvimento vegetativo), floração e frutificação. Deve-se observar características da planta, flores, tamanho, formato e coloração dos frutos, permitindo assim, a obtenção de sementes de alta qualidade genética, fisiológica e sanitária.

Produção de sementes híbridas
Apesar do fato de linhagens macho-estéreis já terem sido desenvolvidas, a semente híbrida de berinjela ainda está sendo produzida por emasculação e polinização manual em muitos países. Alguns fatores contribuem de modo significativo para a maior eficiência dos cruzamentos na produção de sementes híbridas de berinjela, sendo os principais: a) grande tamanho dos botões florais, o que facilita o trabalho de emasculação e polinização; b) grande número de flores por planta; c) amplo período de florescimento; d) abundância e facilidade de coleta de pólen; e) maior proteção do pólen pelo sistema de deiscência poricida; f) elevado número de sementes por fruto. A posição extrusiva do estigma em relação ao cone de anteras, após a antese da flor, submete a berinjela a taxas relativamente altas de polinização cruzada dependendo de fatores ambientais. Consequentemente, a produção de sementes híbridas requer cuidados especiais quanto ao isolamento da lavoura, devendo distar pelo menos 500 m de qualquer outra fonte de pólen da espécie, para evitar contaminações de natureza genética. O sistema de cruzamento manual exige que as flores sejam emasculadas previamente à polinização. É comum em berinjela a ocorrência de dois a três botões florais geralmente de tamanhos diferentes, na base das folhas. Deve-se escolher e emascular na linhagem feminina, os botões florais maiores e mais fortes e, ao mesmo tempo, eliminar os menores e mais fracos, pois estes têm maior predisposição a não vingar e cair após o cruzamento. É interessante fazer um cruzamento por rama, deixando de 8 a 10 frutos por planta, para se obter alta produtividade. No ponto propício à emasculação, a flor de berinjela apresenta-se bem desenvolvida, com as pétalas de cor azul-claro ainda fechadas, protegendo os aparelhos reprodutores masculino e feminino. Nesse momento, a flor deve ser aberta com uma pinça e os estames e as pétalas devem ser removidos. A coleta de polén pode ser feita por pinça (baixa eficiência) ou com o auxílio de um vibrador elétrico (alta eficiência). Na segunda opção, as flores da linhagem masculina devem ser recolhidas com algumas horas de antecedência e colocadas em local seco e fresco, para facilitar o desprendimento do pólen. Em ambiente protegido do vento, o pólen deve ser extraído das flores por vibração, colocado em cápsulas de gelatina ou em tubo de vidro pequeno e conservado a baixa temperatura. A polinização deve ser executada de preferência em dias claros, de pouco vento, sobretudo no final da manhã, para melhorar a eficiência de fertilização. O pólen deve ser transferido do recipiente inicial para qualquer utensílio côncavo e raso (colher de chá, por exemplo), visando aumentar a rapidez da polinização.
O estigma da flor recém-emasculada é então, polinizado. Em seguida, a parte feminina restante (ovário, estilete e estigma) é protegida por um cartucho de papel alumínio. O próprio desenvolvimento do fruto se encarrega de eliminar a proteção de papel alumínio. Deve-se ainda etiquetar as flores polinizadas, colocando-se a data do cruzamento. Isto, além de indicar que a flor foi cruzada artificialmente e o fruto conter sementes híbridas, serve para auxiliar a melhor data para colheita dos frutos. Os escapes, ou seja, os frutos autopolinizados na linhagem feminina, devem ser removidos a fim de evitar a contaminação da semente híbrida. Um operário bem treinado pode efetuar cerca de 200–250 cruzamentos de berinjela por dia, incluindo a retirada do pólen, emasculação, cruzamento, etiquetagem e proteção das flores.

Colheita dos frutos
A maturação dos frutos, visando a produção de sementes, dependerá da cultivar e das condições ambientais. Os ensaios conduzidos especificamente com o progenitor feminino do híbrido ‘Ciça’, desenvolvido pela Embrapa Hortaliças, revelaram que o ponto de maturidade fisiológica das sementes ocorreu 60 dias após a antese. Neste ponto, as sementes apresentam alta germinação, vigor e massa seca. Assim, para a obtenção de sementes de alta qualidade, os frutos devem ser colhidos com no mínimo 60 dias, permanecendo por mais 10-15 dias em repouso em ambiente seco e ventilado antes da extração das sementes. Pesquisas desenvolvidas com outras cultivares indicaram excelentes níveis de qualidade das sementes quando a colheita dos frutos foi feita aos 70 dias após a antese ou um pouco mais cedo (mínimo de 50 dias), desde que complementados por períodos de repouso pós-colheita (máximo de 15 dias). O processo de colheita deve considerar as características externas do fruto. A perda do brilho e a mudança na coloração, passando do vinho-arroxeado para o castanho-amarelado, indica atingimento do ponto de maturidade fisiológica das sementes. Os principais atributos a serem lembrados nesse momento são o tamanho e o formato característico dos frutos da cultivar, a ausência de defeitos e a boa condição fitossanitária. Estes aspectos prévios são fundamentais para a obtenção de sementes de elevado padrão de qualidade.

Extração de sementes
As sementes de berinjela podem ser extraídas por processo manual ou mecânico. A primeira opção deve ser escolhida para produção em pequena escala, em que o volume de frutos a ser processado é pequeno. Recomenda-se então bater os frutos maduros com bastão de madeira roliça para soltar as sementes no seu interior e facilitar a sua remoção. Em seguida, os frutos são abertos dentro de um recipiente com água e as sementes são separadas manualmente da polpa, migrando para o fundo. A polpa sem sementes é então descartada e as sementes no fundo do recipiente são lavadas, drenadas e espalhadas em finas camadas sobre peneira de tela de “nylon” para secagem. A segunda opção (processo mecânico) deve ser empregada para produção em larga escala. Recomenda-se então cortar os frutos em pedaços, eliminando-se o terço superior sem sementes. Em seguida, deve-se passar os pedaços com sementes através de um equipamento desintegrador de polpa ou extrator de sementes. Neste tipo de máquina, geralmente os frutos são triturados ou amassados e a polpa desintegrada contendo sementes é conduzida até uma peneira, onde é feita a separação. Geralmente, não tem-se observado danos mecânicos às sementes. O equipamento mecânico consegue processar uma quantidade maior de frutos por unidade de tempo, mas apresenta-se menos eficiente em termos da extração das sementes. Observa-se, em geral, um maior desperdício de sementes no processo mecânico quando comparado ao processo manual.

Secagem das sementes
A extração via úmida submete as sementes a altos níveis de umidade, fato que exige cuidados especiais durante o processo de secagem. Em primeiro lugar, as sementes devem ser muito bem drenadas e/ou centrifugadas, espalhadas em finas camadas sobre peneiras e colocadas à sombra, em ambiente fresco e ventilado, para perderem a umidade superficial. Nesta fase, a temperatura ambiente não deve ultrapassar os 30ºC, sob pena de se danificar o sistema de membranas das células dos embriões. Este processo de pré-secagem lenta pode ser efetuado também em salas adequadas, equipadas com resistências elétricas e ventiladores, ou ainda utilizando-se estufas elétricas com ar forçado, reguladas à temperatura de 30ºC. Nas primeiras 24 horas de pré-secagem é necessário revolver as sementes, para homogeneizar o teor de água e evitar a formação de camada endurecida na sua superfície, que impede a perda de umidade das sementes localizadas em camadas inferiores e as predispõem à fermentação adicional e até a início de germinação. Uma vez eliminada a umidade superficial, as sementes devem ser transferidas para secagem em estufas elétricas equipadas com ventilação forçada e reguladas à temperatura de 36-38ºC, onde permanecem de 24 a 48 horas até atingirem grau de umidade próximo a 5-6 %.

Beneficiamento das sementes
Após a lavagem e secagem das sementes, o lote apresenta poucas impurezas, como restos de placentas, polpa dos frutos, sementes danificadas e sementes chochas que devem ser eliminados. Assim, a passagem do lote de sementes por uma mesa de gravidade ou por um soprador pneumático é suficiente para conseguir sementes de alta qualidade física e fisiológica.
Tratamento
tratamento químico visa eliminar microrganismos associados às sementes e garantir a emergência das plântulas durante a germinação e estabelecimento da cultura. O tratamento de sementes destinadas ao comércio é feito através de tratadores mecânicos de fluxo contínuo, que adicionam doses corretas de produto químico às sementes, de maneira automática, permitindo cobertura uniforme da sua superfície. A produtividade desses equipamentos é geralmente bem maior do que o da betoneira ou tambor rotativo, cujo processo é intermitente, menos eficiente e eficaz. O tratamento de sementes de berinjela pode ser feito com fungicidas, como Iprodione, Thiram, Captan, e Thiabendazol, por exemplo, na dosagem de 2 a 3 g de produto comercial por quilograma de sementes. A especificidade do produto, a dose correta e a observação de cuidados especiais na aplicação constituem fatores determinantes do sucesso desta prática.
Outro tratamento que pode ser utilizado é o condicionamento osmótico das sementes, visando principalmente o aumento da velocidade de germinação e/ou a semeadura em condições de baixas temperaturas.

Embalagem e armazenamento das sementes
A correta embalagem contribui para a preservação da qualidade original do lote de sementes, além de garantir que cheguem intactas ao seu local de destino. São raras as oportunidades em que as sementes apresentam melhoria nos atributos de qualidade após o acondicionamento; na maioria das vezes o que acontece são perdas de qualidade fisiológica e fitossanitária, em função de embalagens impróprias, condições inadequadas de armazenamento ou os dois fatores combinados. As sementes de berinjela devem ser embaladas com grau de umidade em torno de 6%, em latas ou sacos de papel aluminizado.
As sementes acondicionadas em embalagens herméticas devem ser armazenadas em ambiente resfriado, com temperatura em torno de 4ºC para maior garantia do poder germinativo. O ambiente interno das embalagens herméticas é comumente muito reduzido, existindo muito pouco espaço para trocas gasosas entre as sementes e o meio. A redução do grau de umidade para 6% ajuda em muito a reduzir a atividade biológica dos embriões e assim a diminuir o nível de trocas gasosas.

Avaliação da qualidade das sementes
O lote de sementes devidamente amostrado pode ser analisado quanto a sua qualidade física (pureza e determinação do grau de umidade), fisiológica (germinação e vigor) e sanitária. Os testes de pureza e germinação são exigidos pela fiscalização de sementes. Estas análises devem ser realizadas por laboratórios credenciados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). Para o teste de germinação, as “Regras para Análise de Sementes” (RAS) prescrevem que as sementes de berinjela devem ser testadas "sobre papel" (SP). A temperatura recomendada é a alternada de 20ºC (16 horas) e 30ºC (8 horas). A primeira contagem deve ser feita aos sete dias e a contagem final aos 14 dias após a instalação do teste. Em caso de dormência, as RAS prescrevem o uso de KNO3 e luz.

Rendimento de sementes
Produções variando de 150 a 200 kg de sementes têm sido citadas na literatura. A Embrapa Hortaliças tem obtido uma média de 6-8 g de sementes híbridas/fruto. Considerando-se uma média de 8 frutos por planta e cerca de 6.666 plantas/ha (1,50 x 1,0 m), obtém-se aproximadamente 350 kg/ha de sementes.