quarta-feira, 28 de abril de 2010

CULTURA DO ALHO PORÓ




Considerações Gerais


O alho-poró - Ailium porrum, L., de origem européia, segundo o professor Paul G. Smith, da Universidade da Califórnia, Davis, E.U.A., que era tido como pertencente à família das Liliáceas, passou, recentemente, a ser classificado como pertencente à família das Amarilidáceas.
A planta é herbácea, tenra e bíenal, produz talo e folhas no primeiro ano; haste floral, flores e sementes no segundo ano. As folhas que são compridas e relativamente largas, possuem bainhas longas, que sobrepõem umas às outras para forrar um falso caule, cilíndrico, também chamado talo.Este, de dez a vinte centímetros de comprimento e três a seis centímetros de diâmetro, tem a base dilatada em forma de bulbo. O sistema radicular é constituído por raízes fasciculadas, semelhantes do alho comum. As flores são brancas, róseas ou lilases, numerosas, encontram-se dispostas em uma inflorescência do tipo umbela, quase esférica. Os frutos são do tipo cápsula trigona e as sementes, pretas, achatadas, com superfície enrugada, semelhantes às da cebola, porém menores, perdem o poder germinativo rapidamente.
O alho-porro é bastante cultivado na Europa, especialmente na França e na Inglaterra.
No Brasil, principalmente nos estados sulinos, sua cultura tende a ser feita em escala crescente, devido às condições favoráveis de clima e solo.

Variedades


A escolha da variedade é de muita importância para o bom êxito da cultura.
Para as nossas condições de clima e solo, são consideradas boas as seguintes variedades: “Gigante-Musselburgh”, “Gigante-de-carentan” e Gigante americano”.

Plantio


Para o plantio de um hectare, são necessários, aproximadamente, 700 gramas de sementes com 80 % de poder germinativo, considerado o espaçamento de 15cm entre plantas e de 50cm entre linhas.
Um grama contém em média, 400 sementes. As sementes de alho-poró perdem a vitalidade rapidamente, porém, quando guardadas em latas hermáticamente fechadas e em local fresco, elas conservam o poder germinativo por mais tempo.
Após a semeação, cobre-se o solo com capim seco, e rega-se diariamente.
A germinação se dá seis a oito dias mais tarde, quando a cobertura com capim deve ser retirada de uma só vez, à tarde.
As sementes devem ser previamente desinfetadas com “Neantina” ou “Rhodiauran” seco, à razão de 0,5% em peso das sementes tratadas. Colocam-se as sementes e o desinfetante em saco de papel ou lata, agitando-se fortemente durante um minuto.
O canteiro de semeação deverá permanecer sempre limpo, evitando-se assim, a concorrência de ervas más.
As melhores mudas que irão para transplantação ao local definitivo devem estar com 10 a 15 cm de altura e com três a quatro folhas. Isso se dá 50 a 65 dias após .a semeação.
Os canteiros de semeação devem, na ausência de boa chuva, ser irrigados copiosamente na ocasião do arrancamento das mudas, o que facilitará a operação.
Os sulcos de plantação devem ter dez centímetros de profundidade.
Não é necessário que as mudas fiquem em posição vertical, como se verifica quando são plantadas a mão, porque dentro de poucos dias se erguem. O transplante deve ser feito após uma boa chuva ou irrigação.

Clima e Solo


O alho-poró pode ser considerado uma hortaliça de inverno, sendo necessário, para o seu bom desenvolvimento, que as temperaturas médias mensais estejam entre 13 e 24ºC.
É planta pouco tolerante à acidez do solo, preferindo terras com pH entre 6,0 e 6,8. Quando o solo é ácido, deve-se procurar corrigi-lo pela calagem. Para isto, é aconselhável a aplicação de calcário em pó, preferivelmente o dolomítico, pelo menos dois meses antes do plantio.
O solo para o cultivo dessa verdura deve ser fértil, profundo com boa capacidade de retenção de umidade, rico em húmus, solto, para a operação de amontoa, a fim de haver o necessário branqueamento do talo.

alho2

Tratos Culturais

Para formular uma boa adubação, é necessário que a terra do local de plantio seja analisada.
Entretanto, para solos de média fertilidade, pode-se recomendar a aplicação de 3kg de estêrco de curral, por metro linear de sulcos, oito a dez dias antes do plantio.
O esterco de curral poderá ser substituído pela farinha de torta de mamona previamente fermentada, ou então aplicada com um mês de antecedência da plantação, a fim de ter tempo de se decompor, e em quantidade equivalente a 1/10(um décimo) do peso recomendado. Pode ainda, ser substituído pelo esterco de galinha fermentado, em dose correspondente a um quarto do peso recomendado, dependendo da sua pureza. Quando o estêrco de galinha não for fermentado, deverá ser aplicado pelo menos com um mês de antecedência da plantação.
Para evitar a erosão, o alinhamento para o plantio do local definitivo deve ser efetuado em nível, quando a irrigação for por aspersão ou com leve desnível de 0,25% na irrigação por infiltração.
As capinas, as escarificações e amontoa são necessárias, e esta última operação consiste em chegar terra às plantas, durante seu crescimento – 90/100 dias após o plantio, para proporcionar o necessário branqueamento e maciez do talo ou falso caule.
A rotação de cultura deve ser feita com milho, arroz, tomate, repôlho, etc. interessante incluir uma leguminosa adubo-verde, na rotação de cultura, como crotalária paulinea, crotalária júncea, lablab, feijão-de-porco, a qual será incorporada ao solo antes de florescer.

colheita


A colheita se dá cinco a seis meses a contar da semeação, quando, então, as hastes têm de 2,5 a 4 cm de diâmetro. Corte-as junto ao solo, lave-as, retire as folhas secas, amarradas em maços.
Pode ser considerada boa produção, cerca de trinta e cinco toneladas por alqueire.

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