terça-feira, 30 de junho de 2015

Açafrão: tempero do desenvolvimento sustentável

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Revista retrata a história, a cultura, a produção e a comercialização do Arranjo Produtivo Local do açafrão em Alto Horizonte, Amaralina, Estrela do Norte e Mara Rosa
 
A demanda do açafrão encontra-se em crescimento, ao mesmo tempo em que as exigências por qualidade aumentam
 
 
Cerca de 80% do açafrão produzido em Mara Rosa segue para São Paulo e o restante é distribuído em Goiás e Minas Gerais 
 


Durante a sétima edição da Feira de Negócios e Tecnologias Rurais (Agro Centro-Oeste), que será realizada de 15 a 19 de agosto, no Campus II da Universidade Federal de Goiás (UFG), o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae em Goiás) promoverá uma série de eventos, como palestras, cursos, seminários, encontros técnicos e um rodada de negócios.
Na oportunidade, o Sebrae em Goiás, em parceria com o Ministério da Integração Nacional, UFG, Prefeitura de Mara Rosa – e os parceiros institucionais que atuam no Arranjo Produto Local (APL) do açafrão em Alto Horizonte, Amaralina, Estrela do Norte e Mara Rosa – faz o lançamento da revista ‘Açafrão tempera a economia de Mara Rosa’.
De acordo com Wanderson Portugal, gerente da Unidade de Desenvolvimento Setorial e Regional do Sebrae em Goiás (UDSR), a revista contará com 20 páginas, com textos didáticos, de fácil assimilação, retratando a história, a cultura, a produção e a comercialização do açafrão na região. A intenção, explica Portugal, é revelar para a comunidade o resultado do trabalho já alcançado pelas instituições que atuam no desenvolvimento do APL. "Desde a década de 90 temos dedicado uma atenção especial para a região. Nesse período, promovemos cursos, seminários, palestras, consultorias e atuamos decisivamente para a criação da Cooperativa dos Produtores de Açafrão de Mara Rosa (Cooperaçafrão), passo fundamental para a construção da agroindústria que irá beneficiar o açafrão em Mara Rosa, agregando ainda mais valor à produção".
A distribuição dos três mil exemplares da revista será feita de forma dirigida, de modo a atingir os parceiros envolvidos no processo, compradores e distribuidores do açafrão no Brasil e no exterior.

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Mercado mundial 

O açafrão da Índia (Curcuma longa L) é uma das 70 espécies do gênero Curcuma, pertencente à família Zingiberiaceae, sendo produzido na Índia, China, Formosa, Indonésia, Java, Filipinas, Caribe, Norte da Austrália e América do Sul. Nas últimas décadas, porém, o açafrão passou a ser cobiçado pelas indústrias química e alimentícia, graças à possibilidade de aplicação de seu extrato como corante natural.

A Índia detém cerca de 50% da produção mundial (90.000 toneladas/secas) de açafrão. O Chile é o maior produtor da América do Sul e a produção brasileira corresponde a 1% da produção mundial, mas com uma grande vantagem: a colheita no Brasil é feita justamente na entressafra indiana. Os maiores importadores são os Estados Unidos, Alemanha, Japão, Holanda. O Brasil também importa de 100 a 200 toneladas, por ano.
A produção do açafrão no Brasil é bastante difundida e o Censo Agropecuário realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revela plantio em quase todos os estados brasileiros, com concentração em São Paulo (com destaque para Suzano e Moji das Cruzes), Minas Gerais (Ibirité e Uberlândia) e Goiás. Ao contrário dos outros estados, onde a produção é fragmentada, em Goiás a produção concentra-se em Mara Rosa, onde a planta encontrou características climáticas ideais, com estações bem definidas entre períodos secos e chuvosos.
O plantio em Mara Rosa é feito por aproximadamente 200 produtores, sendo 95% deles de micro e pequenas propriedades.
A colheita é manual e feita de junho a setembro, de 7 a 8 meses após o plantio, quando a parte aérea da planta começa a secar. Após a colheita, o açafrão passa por um processo de limpeza chamado brunimento, onde os resíduos do solo são eliminados através do atrito com uma malha de ferro que reveste um tambor giratório. Os rizomas são acondicionados em balaios artesanais e emersos em água em ebulição, durante cinco a dez minutos, depois levados ao sol para secar, onde perdem 80% de seu peso (10kg de rizoma rendem 2kg de rizoma seco). O beneficiamento (polimento, fatiamento, cozimento e secagem) utiliza equipamentos rústicos, em sua maioria produzidos pelos próprios produtores.
A produção média para rizomas frescos é de 10 t/ha na cultura de 1 ano e de 20t/ha na de 2 anos. A estimativa para rizomas secos é de 0,5 t/ha a 4t/ha (média 2,3t/ha). O potencial da cultura é de 50t/ha verde e 10t/ha seco. O volume anual da produção em Mara Rosa varia de 500 a 1.000 toneladas secas e cerca de 80% da produção segue para São Paulo


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