sexta-feira, 17 de julho de 2015

Alface: Introdução e Considerações Gerais



INTRODUÇÃO

Pero Vaz de Caminha envia a primeira carta ao rei de Portugal imediatamente após a descoberta do Brasil. “... a terra em si é de muito bons ares, assim frios e temperados, como os de Entre-Douro-e-Minho, porque neste tempo de agora os achávamos como os de lá. Águas são muitas, infindas. E em tal maneira é graciosa que, querendo-o aproveitar, dar-se-á nela tudo, por bem das águas que tem...” além de muitas outras, era uma das frases escritas por Caminha. Elas denotavam a euforia do descobrimento de uma terra de futuro, ardente, virgem, prontinha para o desabrochar de uma nova civilização, imaginada plantando um novo e imenso continente. E sua célebre frase se perpetuou por quinhentos anos. Cá para nós, brasileiros, a verdade é mais cautelosa, e o país, Brasil, conta com poucas áreas livres de limitações para atividades agrícolas de plantio. Segundo o IBGE (1992), as áreas livres de limitações para a atividade agrícola perfazem em torno de 2,7% da área do país, como podem ser observadas na Figura 1 as áreas com a letra “A”. As áreas mais densamente povoadas, por outro lado, contam com a letra “H”, que indica áreas altamente desaconselháveis para a agricultura devido às fortes limitações de solo e de topografia. Essas áreas perfazem 27,83% da área brasileira e concentram-se na Região Sudeste. A concentração de população na região sudeste também reflete uma alta produção de alface, perfazendo 63,8% de toda a alface produzida no Brasil (Tabela 1) de acordo com o Censo Agropecuário de 1996 (IBGE, 1996). O Estado do Rio de Janeiro ocupa uma posição considerável, o segundo lugar, com 12,9% da produção brasileira. Em contrapartida, há uma correlação inversamente proporcional entre o preço do produto e o volume da produção da região, ou estado. Em outras palavras, a alface alcança os maiores preços nos estados mais distantes dos grandes centros produtores e consumidores.
Com o advento da consciência ecológica, surgiu uma preocupação também com a produção agrícola limpa, segura e ecologicamente viável. Alternativas ecologicamente corretas baseiam-se principalmente na produção em cultivos “orgânicos”. Porém, a hidroponia surge também como uma alternativa para atender tanto à demanda de produção quanto aos quesitos da produção em áreas agricolamente limitantes sem a introdução maciça de insumos, especialmente agrotóxicos. As áreas urbanas densamente povoadas, paralelamente à carência de áreas próprias para o cultivo, demandam enormes quantidades de produtos agrícolas. Se esses produtos são para consumo in natura e, intrinsecamente, possuem um tempo de prateleira1 relativamente curto, como é o caso das folhosas, a proximidade da região de produção ao local de consumo passa a ser economicamente muito importante. Saltando dos argumentos econômicos e logísticos para o campo filosófico, tem-se observado que as inúmeras
preferências conflitam-se permanentemente. Há espaço, porém, para todo o tipo de produção, e nesse interstício é que a produção hidropônica revela-se e viabiliza-se.


Considerações Gerais 


A alface, botanicamente Lactuca sativa, L., pertencente à família das Compostas, é planta anual, cultivada desde a antiguidade. As suas folhas foram modificadas e aumentadas progressivamente através dos séculos, constituindo, hoje a hortaliça mais popular para consumo como salada.Pode ser considerada como hortaliça de inverno, existindo, contudo, em certos países, variedades já adaptadas às outras estações.É excelente fonte de vitamina A, possuindo quantidade apreciável das vitaminas B1 e B2, e ainda, certa porção de vitamina C, além dos elementos cálcio e ferro.Pelo fato de ser consumida crua, conserva todas as suas propriedades nutritivas. De agradável paladar, é aconselhada nas dietas de baixas calorias, devido ao seu pequeno valor energético. 

VariedadesAs diferentes variedades se agrupam em cinco tipos bem distintos: de cabeça crespa, de cabeça lisa, romana, de folha e de haste.Embora a maneira de cultivar qualquer um dos tipos seja a mesma, eles diferem bastante entre si quanto à sua adaptação às condições ambientais, resultando um produto comercial inteiramente distinto para cada tipo.Pertencem aos dois primeiros tipos as variedades repolhudas que, comercialmente falando, são as mais importantes.As alfaces de cabeça lisas possuem folhas externas bastante macias, as internas apresentam-se como recobertas por uma substancia que lembra manteiga. É o tipo de alface que mais se cultiva no Estado de São Paulo, contando com a preferência do mercado consumidor. As variedades mais disseminadas, por terem-se adaptado bem às nossas condições, são: “Repolhuda Francesa”, “Sem Rival” e “Gigante”.As duas primeiras produzem cabeças de tamanho médio, menos firmes que as do tipo anterior, com aparência boa, bem fechada, arredondada ou um tanto pontudo, folhas largas, sendo as mais externas lisas ou levemente enrugadas, espessas, não quebradiças, de tom verde-claro opaco, podendo ser colhidas com 80 dias após a semeação.A variedade “Gigante” produz plantas maiores do que as anteriores. Pelo fato de resistir em parte ao calor, é impropriamente chamada “Gigante de Verão”. No inverno, se assemelha à “Sem Rival”, com cabeças lisas e duras. Nos meses mais quentes não forma cabeças, e sim um tufo folhas grandes, mais ou menos crespas. As romanas e as de folhas, são indicadas para as pequenas hortas domiciliares, e de haste ou caule, é quase desconhecida em nosso meio.A alface romana possui cabeças fofas e bem alongadas e folhas compridas, ovaladas, lisas, consistentes e de cor verde variável. Pode ser consumida como salada ou cozida. Entre nós é comum a variedade denominada “Romana Branca”.O tipo de folha não forma cabeças, possuindo a vantagem de se desenvolver bem, mesmo que o clima do local não permita o plantio de alfaces. Suas principais variedades são: “Black-Seeded Simpson”, entre nós, comumente conhecida por “Folha de Seda” e “Grand Rapids”.As alfaces de haste se caracterizam por seu caule volumoso e ausência absoluta de cabeça. Apesar de já existirem diversas variedades desse apenas uma, denominada “Celtuce”, é um tanto conhecida, porém, o valor comercial é nulo para nós.Atualmente são mais cultivadas: - De verão: Babe, Grand Rapid 248, Brasil 48; De Inverno: White Boston, Sem Rival, Repolhuda Francesa e Aurélia.


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