sábado, 5 de setembro de 2015

Cultivo do Amaranto




Há dezenas de espécies de amaranto, a maioria delas nativa da América. Algumas espécies são cultivadas especialmente para a colheita de suas sementes, enquanto a maioria das espécies pode ter suas folhas consumidas quando cozidas ou refogadas, ou mesmo cruas quando as folhas são bem jovens. Tanto as sementes quanto as folhas tem alto valor nutritivo, sendo especialmente ricas em lisina, um aminoácido essencial na alimentação humana. Muitas espécies e cultivares de amaranto são cultivadas como plantas ornamentais em jardins.
As espécies de amaranto mais cultivadas para produção de sementes são:

Amaranthus caudatus 


Amaranthus cruentus - também muito cultivada como verdura, tem cultivares de folhas verdes ou vermelhas 


Amaranthus hypochondriacus
Algumas das espécies mais cultivadas para uso como hortaliça, além da espécie Amaranthus cruentus mostrada acima, são:

Amaranthus tricolor - O cultivar "Perfecta" mostrado na imagem é mais cultivado como planta ornamental, mas também pode ser usado como alimento. Há vários cultivares de folhas muito coloridas nesta espécie


Amaranthus viridis 

Clima

O amaranto é uma planta que prefere clima subtropical ou tropical, podendo ser cultivado em temperaturas entre 22°C e 30°C.

Luminosidade

Estas plantas precisam de luz solar direta ao menos por algumas horas diariamente.

Solo

O ideal é que o solo seja bem drenado, profundo, fértil, rico em matéria orgânica e com pH entre 5,5 e 7. Entretanto, estas plantas são bastante tolerantes quanto ao tipo de solo, tolerando até mesmo solos levemente salinos ou solos sujeitos a encharcamento por curtos períodos.

Irrigação

Irrigue com frequência para que o solo seja mantido úmido enquanto as plantas são jovens. Quando bem desenvolvidas, as raízes profundas das maiores espécies podem permitir que as plantas suportem curtos períodos de seca.

Mudas de amaranto

Plantio

O plantio do amaranto é feito por sementes, que são pequenas e devem ficar próximas a superfície para germinarem. Assim, apenas uma leve camada de terra peneirada deve ser usada para cobrir as sementes.
As sementes podem ser plantadas no local definitivo ou em sementeiras, pequenos vasos, copos feitos com papel jornal e outros recipientes. O transplante deve ser feito quando as mudas têm de 7 a 10 cm de altura.
O espaçamento utilizado varia muito conforme a espécie e o cultivar, e não há recomendações estabelecidas para todas. Algumas recomendações gerais são usar um espaçamento de 75 cm a 1 m entre as linhas e de 20 cm a 60 cm entre as plantas destinadas a produção de sementes, ou de 20 a 30 cm entre as linhas e de 10 a 15 cm para o cultivo como hortaliça.
O amaranto, dependendo da espécie e do cultivar, pode ser plantado em jardineiras e vasos. Algumas espécies ou cultivares podem crescer muito, também apresentando raízes profundas, e portanto não são adequados para vasos e outros contêineres.

Tratos culturais

Retire plantas invasoras que estejam concorrendo por nutrientes e recursos enquanto as plantas são jovens. A maioria das espécies apresenta uma abundante folhagem quando as plantas estão bem desenvolvidas, raramente permitindo que plantas invasoras cresçam.
Note porém que várias espécies de amaranto são elas próprias plantas invasoras em hortas e plantações, podendo causar prejuízos em plantações de outras culturas. A presença natural destas plantas em um local geralmente indica que o solo apresenta uma boa fertilidade.
Adubações podem ser feitas a cada três semanas para promover um bom crescimento, tomando o cuidado de não usar adubos ricos em nitrogênio, pois estas plantas têm a capacidade de armazenar nitratos em suas folhas e ramos.

Panículas e sementes claras de amaranto. Em várias espécies as sementes têm coloração escura

Colheita

A colheita das sementes pode ocorrer entre 80 e 90 dias após o plantio. As panículas são colhidas e deixadas ao sol para terminarem de secar por dois ou três dias. São então batidas para que as sementes se soltem.
A colheita das folhas e pontas dos ramos pode ser feita a partir de 55 a 70 dias após o plantio, quando as plantas têm aproximadamente 25 cm de altura. Os ramos rebrotam, permitindo que sejam feitos novos cortes.
O amaranto pode acumular nitratos em suas folhas e ramos, podendo assim intoxicar e até matar bovinos e outros animais ruminantes.


O sol forte que empresta tons de laranja aos dias de inverno no Cerrado anuncia que é tempo de colher amaranto. A planta que veio do frio dos Andes para o calor do Planalto Central está ganhando terreno em um mercado que agrega valor em tudo que é mais rico em nutrientes e menos convencional na agricultura, o da alimentação saudável. Pesquisas científicas e adaptações de sementes ao clima e solo do Cerrado, elaboradas pela Embrapa Cerrados, resultaram na variedade BRS Alegria e despertou o interesse – ou tem feito a própria alegria - de agricultores que investiram no cultivo. Em Brasília, é possível comprar um quilo de grãos de amaranto direto do produtor por R$ 9, enquanto em São Paulo esse é o valor médio de 100 gramas de flocos do pseudocereal (sua composição nutricional é similar à dos cereais, mas não pertence à categoria). “Há disparidade de preços porque a produção nacional é tímida e precisamos importar o amaranto”, explica Carlos Spehar, professor da Universidade de Brasília (UNB) e responsável pela introdução da espécie no Brasil. O cientista a trouxe o vegetal do Peru nos anos 1980 e obteve a variedade adaptada cerca de dez anos depois, quando começou distribuir sementes para produtores de feijão do Centro-Oeste. Hoje, Spehar aponta cultivos do grão – que ele chama de feijão-dos-andes – no Cerrado, e no sul do país. 



A produção nacional precisa crescer muito para atender à demanda dos consumidores ávidos por alimentos mais saudáveis. Hoje, a safra gira em torno de oito toneladas anuais e a demanda é estimada entre 15 e 20 toneladas. “São pessoas que têm um poder aquisitivo alto e não se importam em pagar mais para ter no prato um alimento mais rico, mais saudável”, ressalta Spehar. Walter Quadros Ribeiro Junior, da Embrapa, diz que, apesar da produção nacional ser pequena, a produtividade do amaranto no Cerrado supera a de países que o produzem em larga escala, como Peru e Bolívia. “A produtividade de nosso grão é de três toneladas por hectare, enquanto a média alcançada nesses países é de duas a 2,5 toneladas por hectare”, afirma o pesquisador. Ribeiro explica que o cultivo do amaranto pode ser feito em três épocas, safra, safrinha e inverno, e a produtividade depende da quantidade de água disponível para irrigação e dos índices pluviais do período. “Os melhores índices foram registrados na safra de inverno”, afirma. Spehar lembra que o uso da tecnologia possibilita produzir o ano todo. “Irrigação, correção de solo e equipamento adequado garantem produções permanentes”, diz. 



O engenheiro agrônomo Sebastião Conrado de Andrade, proprietário da Fazenda Dom Bosco, em Cristalina (GO), pouco sabia sobre o amaranto quando a espécie lhe foi apresentada, em meados de 2001, por Spehar. Hoje, com produção anual média de seis toneladas, cultivadas em duas safras, ele é o maior fornecedor nacional do grão. “Aposto no cultivo visando a um mercado de longo prazo”, conta Andrade, que também produz quinoa, feijão, soja e milho e cria gado. Para se expandir mais rapidamente, o produtor diz que é preciso investir em tecnologia de equipamentos. “Por se tratar de um grão muito pequeno, há um índice de desperdício grande na colheita e no plantio.” Na Dom Bosco, parte da produção também substitui a alimentação do gado. “O caule do amaranto promoveu boa digestibilidade e foi mais bem aceito que a quinoa.” 

As qualidades do amaranto, valorizadas pelo extenso uso em civilizações antigas como alternativa medicinal, movimentam bastante o ramo gastronômico. “Mas poderíamos trabalhar mais e melhor se tivéssemos facilidade em encontrar o produto no mercado”, reclama o chef de cozinha paulistano Renato Callefi. De acordo com ele, há no mercado paulista uma demanda grande por grãos inteiros. “Encontramos flocos de amaranto em lojas especializadas, mas comprar o grão é muito difícil”, diz ele. É justamente o grão a forma mais valorizada na culinária. Aquecido em panela sem óleo, o amaranto vira pipoca e, triturado, se transforma em farinha. Apesar de Callefi afirmar que o segredo está no tempero do amaranto, “sem gosto específico”, ele diz que a procura por pratos com o grão cresceu muito. “É um alimento com qualidades equilibradas, baixo teor glicêmico e aminoácidos essenciais. É para pessoas exigentes com o próprio corpo.”


O TEMPERO IDEAL | O chef de cozinha Renato Callefi indica o uso do amaranto em: 
> risotos 
> tabule 
> cuscuz marroquino 
> jambalaia 
> pipoca 
> complementos para saladas 

> As sementes de amaranto são 15% mais ricas em cálcio, fósforo, zinco e proteínas e possuem quantidades de lisina e metionina superiores ao feijão. Também foi constatado que o amaranto possui teores do antioxidante esqualeno superiores aos dos peixes 

> 100 g de amaranto correspondem a quatro fatias de pão integral ou oito barrinhas de cereal comum 

> A farinha do amaranto pode ser utilizada em receitas de bolos, pães, tortas e biscoitos em dietas para celíacos (pessoas com intolerância ao glúten) 

AMARANTO: PLANTAS CURAM

O amaranto é um pseudocereal que tem despertado especial interesse devido às suas características nutricionais, funcionais, agrícolas e potencial de aplicação na indústria de alimentos. Antes da colonização das Américas, o grão de amaranto era considerado sagrado para diversas civilizações pré-colombianas, representando a terceira cultura consumida por estes povos. O amaranto integra a lista das 36 culturas mais promissoras para alimentar a humanidade e seu cultivo e consumo poderão aumentar a segurança alimentar de populações vulneráveis. Suas folhas, consumidas como hortaliça, e os grãos, como cereal, participam de diversas preparações culinárias, tais como pães, bolos, biscoitos, molhos de salada, bebidas, entre outros produtos. Tanto a folha quanto o grão apresentam excepcional valor nutritivo. O grão apresenta perfil de aminoácidos muito superior ao de outros cereais, sendo especialmente rico em lisina e aminoácidos sulfurados. Na fração lipídica, destaca-se o alto teor de ácidos graxos polinsaturados, monoinsaturados e o esqualeno. A fração fibra alimentar (4% a 8%) supera os valores observados nos cereais (2%). E, quanto aos minerais, destaca-se a presença de Ca, Fe, Zn, Mg e P em quantidades significativas. A alegação de alimento funcional para o amaranto advém de estudos conduzidos com animais, os quais demonstraram a capacidade do grão em reduzir os níveis de colesterol sérico. Sugere-se que esta propriedade esteja relacionada a efeitos sinérgicos de seus componentes: fibra alimentar, proteína, balanço de aminoácidos, ácidos graxos e esqualeno.





RECEITAS COM AMARANTO

Biscoito de Amaranto
Ingredientes:
- 150g de flocos de amaranto ou farinha de amaranto
- 90g de manteiga sem sal
- 60g de açúcar mascavo
- 90g de açúcar refinado
- 1 ovo fresco
- 1 colher (café) de fermento em pó (químico)
- 1 colher (café) de bicarbonato de sódio
- 1 colher (sopa) de leite
- 1 colher (sobremesa) de essência de baunilha
- 2 colheres (sopa) de aveia em flocos (opcional)

Modo de Preparo: Bater os flocos de amaranto no processador até que ele fique bem fininho. Na bacia da batedeira juntar a manteiga, os açúcares, o ovo, a baunilha e o leite. Bater até ficar um creme. Acrescentar os secos e bater na batedeira na velocidade baixa até formar uma massa. Se a massa estiver muito mole, acrescente de 2 a 4 colheres (sopa) de aveia. Forrar uma forma com papel manteiga e unte com manteiga e farinha. Com a colher (chá) retirar porções da massa e com auxílio de outra colher modelar diretamente na forma. Deixar um espaço entre os cookies, pois eles se espalham e podem grudar uns nos outros. Forno 180 graus e assar por 10 minutos. O cookie sai mole. Deixar esfriar para destacar do papel manteiga e colocar em potes bem fechados.



Bolo de Amaranto com Banana
Ingredientes:
- 1 ovo
- 1 xícara de açúcar
- 1/3 de xícara de margarina
- 1 banana amassada
- 1/2 xícara de amido de milho
- 1/2 xícara de farinha de mandioca
- 1 colher de chá de sal
- 1 colher e meia de fermento para pão
- 1 xícara de flocos de amaranto
- 1/4 de xícara de leite

Modo de preparo: Bater o ovo com açúcar na batedeira. Colocar a margarina e a banana amassada. Parar de bater quando estiver misturado e colocar o amido de milho. Mexer com uma colher até incorporar o amido na massa. Voltar a bater e colocar a farinha de mandioca e o sal. Colocar os flocos de amaranto e mexer com uma colher até incorporar o amaranto na massa. Voltar a bater e colocar o leite. Colocar a mistura em uma forma untada, espalhar e enfeite com rodelas de banana. Polvilhar açúcar e canela a gosto. No forno pré-aquecido, em temperatura média, colocar a forma para assar por 40 a 45 minutos.



Bolo de Amaranto com Banana Passa

Ingredientes:
- 1 xícara de flocos de amaranto
- 1/2 xícara de farinha de aveia (trocar por fécula de batata se você for celíaco)
- 1 colher (chá) de sal
- 1 ovo (pode se substituído por ½ xícara de chá de gel de linhaça em vegetarianos)
- 1 xícara de açúcar mascavo
- 1 xícara de chá de banana passa picada
- 1/3 de xícara de margarina
- 1 banana amassada
- 1/2 xícara de amido de milho
- 1 colher e meia de fermento para pão
- 1/4 de xícara de leite ou leite de soja

Preparo: Comece batendo o ovo com açúcar. Em seguida, coloque a margarina e a banana amassada. Assim que estiver misturado, pare de bater e coloque o amido de milho. Mexa com uma colher até incorporar o amido na massa. Depois, volte a bater e coloque a farinha e o sal. Pare novamente de bater para colocar os flocos de amaranto e a banana passa. Mexa com uma colher até incorporar o amaranto na massa. Volte a bater e coloque o leite. Coloque a mistura em uma forma untada, espalhe e enfeite com rodelas de banana. Polvilhe açúcar e canela a gosto. No forno pré-aquecido, em temperatura média, coloque a forma para assar por 40 a 45 minutos.

Chá de Amaranto

Ingredientes:
- Grãos de amaranto
- Cravo
- Canela
- Açúcar mascavo

Modo de preparo: Deixar os grãos 24 horas de molho. Cozinhar, e o caldo é misturado a uma infusão de cravo, canela e açúcar mascavo. Depois de 24 horas, escorrer a água e colocar o amaranto no fogo de volta para a panela. Colocar um litro de água. Deixar cozinhar por aproximadamente 30 minutos. O amaranto vai engrossar o caldo. Coar a mistura. O líquido que sobrou na jarra forma a bebida gelada. Levar para o liquidificador a parte sólida do amaranto que restou no coador e triturar mais um tempo. Voltar a peneirar com água essa mistura. Nessa segunda peneirada, você vai obter um líquido mais espesso que forma o chá quente. Coloque a cravo e a canela. Adoçar e colocar o limão.


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