quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Cultivares de Batata-doce (Ipomoea batatas)



As cultivares variam principalmente quanto a cor da casca, cor da polpa (Figura 1) e formato (Figura 2).

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Fig. 1. Cultivares com diferentes colorações de casca e polpa

Fig. 2. Cultivares com diferentes formatos
O produtor deve escolher aquela que seja mais aceita no mercado onde pretende vender a produção, pois a preferência é variável de local para local. Além disso, em cada região produtora existem variedades locais, cujo material de reprodução é permutado entre produtores.
Por exemplo, em testes realizados em Porteirinha – MG, a cultivar local, denominada de Paulistinha, foi a mais produtiva, atingindo 54,50 t/ha, para a colheita realizada aos 200 dias (RESENDE, 2000). Na região de Distrito Federal e contorno, a variedade Brazlândia roxa é a mais cultivada e apresenta, em cultivos realizados na Embrapa Hortaliças, produtividade média de 25t/ha (MIRANDA, 1989) e em lavouras comerciais, produtividade superior a 18 t/ha. Na região de Anápolis – GO, é cultivada uma variedade de pele roxa e polpa amarela, denominada de Rainha, que apresenta produtividade de 22t/ha e é muito bem aceita nos mercados regionais.
Além da preferência popular, é necessário conhecer a adaptabilidade da cultivar às condições climáticas da região, as suas características de resistência a pragas e doenças, e as características de desenvolvimento da planta, principalmente quanto aos seguintes aspectos:
A cultura adapta-se melhor em áreas tropicais onde vive a maior proporção de populações pobres. Nessas regiões, além de constituir alimento humano de bom conteúdo nutricional, principalmente como fonte de energia e de proteínas, a batata-doce tem grande importância na alimentação animal e na produção industrial de farinha, amido e álcool. É considerada uma cultura rústica, pois apresenta grande resistência a pragas, pouca resposta à aplicação de fertilizantes, e cresce em solos pobres e degradados.
Comparada com culturas como arroz, banana, milho e sorgo, a batata-doce é mais eficiente em quantidade de energia líquida produzida por unidade de área e por unidade de tempo. Isso ocorre porque produz grande volume de raízes em um ciclo relativamente curto, a um custo baixo, durante o ano inteiro. Em termos de volume de produção mundial, a cultura ocupa o sétimo lugar, mas é a décima quinta em valor da produção, o que indica ser universalmente uma cultura de baixo custo de produção.
Tamanho das folhas - Deve-se dar preferência a plantas com folhas estreitas e recortadas (Figura 3). As plantas de folhas grandes e largas são geralmente menos eficientes na assimilação de energia por meio da fotossíntese, pois as folhas superiores sombreiam as inferiores, e estas passam a realizar uma taxa negativa de assimilação por receberem menos energia do que consomem no processo de respiração.

 
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Fig. 3. Plantas com diferentes formações foliares


Comprimento das ramas – As ramas longas se entrelaçam rapidamente, promovendo uma maior competição entre plantas e dificultando os trabalhos de capina e de renovação das leiras. Utilizando-se cultivares de ramas longas, a última operação com trabalho nas entrelinhas tem que ser realizada mais cedo, senão ocorre muita danificação das ramas que se entrelaçam.
Posição das batatas – Existem cultivares em que as batatas se formam bem junto à planta, facilitando a sua localização pelos operários, por ocasião da colheita. Outras cultivares formam raízes distantes da base da planta, o que aumenta a chance de serem cortadas ou danificadas por ocasião da colheita (Figura 4).

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Fig. 4. Raízes comerciais


Espessura da rama – Cultivares de ramas grossas são mais suscetíveis ao ataque da broca-da-rama (Megastes pusialis), uma vez que a lagarta não consegue completar o seu ciclo no interior de ramas finas, uma vez que o diâmetro da rama é insuficiente para a lagarta formar os casulos.
Cor da casca – A casca, que é uma camada de tecido abaixo da pele, deve ser da mesma cor da pele, para não tornarem visíveis os esfolamentos que ocorrem durante o processo de lavagem das raízes. Utilizando-se cultivares que possuem a cor da pele igual a cor da casca, torna-se possível utilizar lavadores mecanizados comumente utilizados para cenoura e batata.
Ausência de defeitos – As raízes de maior valor comercial são as lisas, retas, de formato alongado, com cerca de 20 cm de comprimento e peso de aproximadamente 300g (Figura 5). Raízes muito longas, tortuosas, com veias, e danificadas por insetos ou por cortes e esfolamentos, são menos aceitas pelos consumidores e comerciantes.


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Fig. 5.Plantio mecanizados



  • BATATA-DOCE

  • A batata-doce é a 4ª hortaliça mais consumida no Brasil. É uma cultura tipicamente tropical e subtropical, rústica, de fácil manutenção, boa resistência contra a seca e ampla adaptação. Apresenta custo de produção relativamente baixo, com investimentos mínimos, e de retorno elevado. É também uma das hortaliças com maior capacidade de produzir energia por unidade de área e tempo (kcal/ha/dia).
    Vários fatores, entre eles a ocorrência de doenças e pragas, tecnologia de produção inadequada e a falta de cultivares  selecionadas são responsáveis pela baixa produtividade média brasileira, que está em torno de 8,7 t/ha. Entretanto, produtividade superior a 25 t/ha pode ser facilmente alcançada, desde que a cultura seja conduzida com tecnologia adequada.
    O CNPH vem desenvolvendo, desde 1979, pesquisas visando solucionar estes problemas.
    A partir de uma coleção de cultivares com 36 introduções de diversos estados brasileiros, foram selecionadas quatro, que apresentaram produtividade, boas características agronômicas e comerciais, e que, indicadas para cultivo na região do Distrito Federal, receberam os seguintes nomes: 'Coquinho', 'Brazlândia Roxa', 'Brazlândia Branca', 'Brazlândia Rosada'.
    Essas cultivares têm sido enviadas para outras regiões. O comportamento de cada uma está sendo confirmado através de experimentação local. O CNPHortaliças pode fornecer, aos produtores interessados, pequenas quantidades de ramas ou de raízes tuberosas dessas cultivares para testes e multiplicação.
    Para a multiplicação da rama, o produtor deverá fazer viveiro plantando as ramas (ou batatas) em espaçamento de 80 X 40 cm. Em 60-70 dias, cada rama dará origem a 20 novas ramas, em média. Por exemplo, se forem plantadas 100 ramas em agosto, teremos 2.000 ramas em outubro que, plantadas novamente, podem fornecer ramas em quantidade suficiente para o plantio de um hectare em dezembro.
  • BRAZLÂNDIA BRANCA
  • A cultivar Brazlândia Branca foi coletada na região de Brazlândia, DF, em abril de 1980. Tem película externa (periderme) branca, polpa creme claro que, após o cozimento, torna-se amarela-clara. É do tipo seco, apresenta polpa macia, porém menos seca que a 'Coquinho' e 'Brazlândia Roxa'. O formato das raízes é alongado, uniforme, com ótimo aspecto comercial.
    A planta é do tipo esparsa (rasteira). As ramas desenvolvem-se rapidamente, são de comprimento médio a longo, grossas (diâmetro de 8 a 9 mm), de cor verde.
    As folhas são grandes, medindo de 12 a 15 cm de comprimento e de 13 a 17 cm de largura. Os brotos são verdes.
    A cultura raramente floresce nas condições do DF. É uma cultivar de ciclo médio, muito produtiva, podendo ser colhida a partir dos 120 dias até os 150 dias. No CNPH, a produtividade média obtida em ciclo de 5 meses foi de 37 t/ha.
  • BRAZLÂNDIA ROSADA
  • A cultivar Brazlândia Rosada foi coletada na região de Brazlândia, DF, em abril de 1980. Tem película externa (periderme) rosa. A polpa é de cor creme e, após o cozimento, torna-se amarelada. O formato é alongado, cheio, muito uniforme, com bom aspecto comercial. A polpa de 'Brazlândia Rosada' é seca, porém menos que a de 'Coquinho' e 'Brazlândia Roxa'.
    A planta é do tipo esparsa a muito esparsa (rasteira). As ramas desenvolvem-se com rapidez, são longas e medianamente grossas (diâmetro de 6 a 7 mm de diâmetro), de cor verde.
    A cultivar não floresce nas condições do DF. Suas folhas são grandes, medindo de 12 a 16 cm de comprimento e de 13 a 18 cm de largura na base.
    Apresenta ciclo médio, podendo ser colhida a partir dos 120 dias até os 150 dias. Se colhida tardia ou plantada em espaçamento mais largo, produz batatas graúdas, de elevado peso médio. Recomenda-se fazer a colheita quando as batatas atingirem o tamanho ideal para o comércio (150-250g). Na região do DF pode ser plantada o ano todo. A produtividade registrada no CNPH corresponde a uma média de 33 t/ha em um ciclo de 5 meses.
    Esta cultivar apresenta, aproximadamente, 39,7% de matéria seca, sendo que deste total 81,8% representam amido mais açúcar, o que a torna também indicada como matéria-prima para produção de álcool.
    • BRAZLÂNDIA ROXA
    A cultivar Brazlândia Roxa foi coletada na região de Brazlândia, DF, em abril de 1980. Esta cultivar tem película externa (periderme) roxa, polpa creme, doce, com baixo teor de fibras. Após o cozimento, a polpa torna-se creme-amarelada. O formato é alongado, muito uniforme e com ótimo aspecto comercial. A polpa é bem seca.
    A planta é do tipo esparsa (rasteira). As ramas desenvolvem-se lentamente, são de comprimento médio, com diâmetro médio aproximado de 6 mm, de cor verde.
    As folhas, tanto as velhas como as novas, são de cor verde, medindo de 11 a 15 cm de comprimento por 10 a 15 cm de largura na base. A cultivar floresce pouco nas condições de Brasília.
    É uma cultivar tardia, devendo ser colhida após 150 dias. Raramente produz batatas graúdas e apresenta boa resistência contra pragas de solo.
    A produtividade média obtida no CNPH foi de 25 t/ha, em ciclo de 5 meses. É indicada para a região de Brasília, onde pode ser plantada em qualquer época do ano, desde que se disponha de irrigação.
  • COQUINHO
  • A cultivar Coquinho é originária da Paraíba, tendo sido introduzida no DF em 1972 e mantida no quintal da casa de um operário na Fazenda Tamanduá, hoje sede do CNPH. Tem película externa (periderme) amarela pálida, polpa branca, doce, delicada, com baixo teor de fibras. A polpa é bem seca e, após o cozimento, torna-se de cor branco-acinzentada.
    O formato das batatas é alongado ou arredondado, desuniforme, variando de acordo com o tipo de solo. Recomenda-se plantar em solo leve, bem estruturado, evitando solos pesados ou compactados.
    Nas condições do DF, o desenvolvimento da rama é rápido na primavera/verão e lento no outono.
    As folhas são de tamanho médio a grande (de 12 a 16 cm de comprimento e de 9 a 13 cm de largura na base) nos plantios de primavera/verão, e pequenas nos plantios de outono. As folhas são de cor verde-clara a verde e as folhas novas são verde-claras.
    Nas condições do DF, 'Coquinho' floresce bastante durante quase o ano todo. A cultivar é relativamente precoce e raramente produz batatas graúdas. A produtividade média obtida no CNPH foi de 28 t/ha em ciclo de 4 meses, nos plantios de primavera ou verão. No Distrito Federal recomenda-se o plantio de setembro até fins de fevereiro.


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