sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Variedades de Batata (Solanum tuberosum)



História natural. Reconhece-se Solanum tuberosum pelos seus tubérculos oblongos e arredondados, sem caule herbáceo, cilíndrico, estriado, ramoso, um pouco felpudo, alto, de quase 2 pés, carregado de folhas aladas, esverdeadas, compostas de 5 a 6 folíolos de tamanho desigual, ovóides, pontudas e inteiras. As flores nascem em cima dos ramos, dispostos em corimbo, são de cor branca, avermelhada, azulada ou arroxeada, formadas de um cálice de 5 divisões, de uma corola em roda, limbo aberto em 5 lóbulos, 5 estames e 1 estilete. O ovário é representado por uma baga globulosa mole de vários septos, contendo sementes pequenas e redondas. Este precioso vegetal reputa-se oriundo do Sul América. “Lê-se no Jornal do Instituto Real de Londres nº 8 que D. José Pavon, autor da Flora Peruviana, achava a batata cultivada em grande abundância pelos naturais do Chile que a denominam Papas, assim como no Peru dizem que provém dos bosques perto de Santa Fé de Bogotá. O fato é que ela foi levada do Peru para a Carolina do Norte, na América pelos espanhóis, no meio do século XVI e que, mais tarde, o almirante Walter Raleigh a trouxe do estado da Virgínia para a Inglaterra, no reinado de Elizabeth, de onde se espalhou para o resto do continente europeu. O Solanum tuberosum foi descrito pela primeira vez por Gaspar Bauhin. No fim do século passado, pelos cuidados de Parmentier, no reinado de Luis XVI a cultura da batata tornou-se geral em França. Antes, a planta era desprezada a  ponto de ser comida vulgar do gado. Hoje, isso mudou e, como diz o Riedel no Manual do Agricultor Brasileiro, p. 56, é talvez o presente de maior monta que o novo continente tenha feito aos seus descobridores pois que, com o sucesso deste tubérculo, a Europa já está salva daquelas fomes horrendas que em tantas épocas a tem açoitado”. Distinguem-se variedades de batatas pela forma, pela cor, pelo tamanho e pelo gosto. Existem variedades de cores brancas, amarelas, encarnadas, roxas; formas redondas, compridas ou achatadas, as quais se reproduzem independentemente do solo, da cultura e da exposição. A mais vigorosa é a batata, cuja cor vermelha, penadiada torna-se, pois, cor de linhaça. É a variedade mais fecunda, que prospera em todos os terrenos e, sobretudo, nas terras arenosas. A branca é também muito produtiva e de excelente sabor, uma espécie querida dos irlandeses e que recebemos em grandes porções da Corte e de outros portos. A cultivada  no Brasil se chama Batata inglesa, todas as variedades do Solanum tuberosum, porque agora as cidades marítimas são supridas deste gênero especialmente pela Inglaterra. A espécie achatada e arredondada, amarela, cujas folhas são crespas e as flores em forma de penacho, provém de Nova Iorque. Muitos dão-lhe a preferência por ser suculenta e de delicado sabor. A espécie vermelha redonda provém da América do Norte, onde é muito cultivada. Sua polpa é firme, fina e fornece farinha em abundância. A variedade vermelha oblonga algumas vezes apresenta-se um pouco acre. A variedade vermelha pequena é de boa qualidade. A batata roxa foi levada da América para a Holanda. A corola e o cálice têm cor arroxeada, a superfície dos tubérculos é * coalhada de pontos roxos e amarelados. A batata pequena ou chinesa tem talos delgados, folhas de cor verde claro, flores *, tubérculos pequenos irregulares arredondados, de sabor açucarado e agradável. A espécie vermelha de corola branca produz mais que todas as outras espécies conhecidas. Seus tubérculos são de sabor delicado, e ela merece a maior preferência por parte do lavrador e * que cultivam mantimentos. “A batata dá colheitas abundantíssimas em terrenos onde o trigo não produz. Já os habitantes de grandes províncias a têm, por esta razão, substituído o pão, e nas outras tem grande função no sustento diário dos homens e do gado. A batata se dá muito bem à beira-mar do Brasil, porém nas regiões de Serra acima e províncias meridionais não cede a palmas, pela abundância da quantidade da colheita às de importação. O território da colônia Suíça de Morro Queimado (Nova Friburgo) tem particularmente terreno favorável para plantar o Solanum tuberoso com os mesmos preparos que necessita a mandioca, porém, no cabo de 3 a 4 meses, recompensa grandiosamente o trabalho que ocasionou” (Riedel, Manual do Agricultor do Brasil, p.56). Todas as variedades ou espécies de Solanum tuberosum encerram princípios nutrientes que diferem unicamente pelas proporções. As brancas são geralmente mais produtivas, as vermelhas são mais sápidas e conservam-se por mais tempo. As amarelas são de gosto mais delicado. A qualidade do solo influi diretamente sobre a quantidade dos tubérculos, mas se o terreno for arenoso ou lígneo mais sápida e suculenta será a batata. Multiplicam-se as batatas por estaca, por mergulho e por semeada. Este último processo, apesar de levar mais tempo, é o que se deve preferir. Colhem-se as sementes das melhores qualidades para serem semeadas.
      Análise Química. Segundo a análise de Vauquelin, o Solanum tuberosum contém asparaginas, albumina vegetal, *, ácido tartárico, uma matéria fibrosa e alguns sais. O suco da batata contém albumina colorida, extrato de cal, asparagina, uma resina amarga aromática e *, fosfato de potassa, de cal, ácido cítrico, citrato de potassa, enfim uma matéria animal particular. Os únicos * da batata de sabor marcado são a resina e a matéria animal; também são os únicos corados. O aroma e o sabor da batata assada debaixo de cinzas quentes no seu próprio suco referem-se a estes dois princípios. Mr. Peschier retirou goma e açúcar da fécula da batata inglesa.  A batata contém por libra 11 onças e ½ de água de vegetação, 2 e ½ de fécula, 1 onça e duas oitavas de extrato salino, seis oitavas de fibra. A batata secada no forno não tem mais o mesmo peso, perde uma quinta parte. Partida em talhadas e secando-as, estas ficam transparentes oferecendo consistência e aparência córnea. O parênquima da batata, segundo Marcet (Annaes de chimica p. 32 T. 36), é composto de carbono, oxigênio e hidrogênio. Boussingault tem feito a análise da folhagem da planta, a qual encerra além dos 3 princípios encontrados no parênquima, maior porção de azoto de sais e terras. As cinzas da batata são compostas de silicium, cal e magnésia e barro, segundo Buckert (Annales de Chimie T. 22 p.94); contém ácido sulfúrico e fosfórico com maior porção de soda do que potassa, segundo Vogel (Annuaire de 1849). Os talos da batata são compostos de sais alcalinos e de matérias insolúveis. Os sais encontrados na batata são de carbonato de potassa, sulfato de potassa e muriato de potassa, fosfato de cal, silício e areia, carbonato de cal e magnésia e carvão (Ann. de phy. et Chi. T.32).
     Propriedades. A batata proporciona uma alimentação suave, substancial e de fácil digestão. As experiências de Pfaff, lente de química de Kiel e de Vibourg de Compenhague, as de Parmentier e de Enihoff confirmam que as partes constituintes que dominam na batata são a fécula e o glúten, de onde resulta a sua propriedade de nutriente. É segundo a porção de fécula que ela contém que se declara a sua madureza. As batatas cuja fécula predomina sobre o glúten tomam, sendo cozidas, um aspecto farinhento. As que são cozidas permanecem duras, encerram muita albumina e maior porção de glúten que de fécula. Prevalece o uso da batata como alimento, e até mesmo é recomendada uma alternativa como valioso antiescorbútico. A sua cultura propaga-se dia a dia no Brasil, do mesmo modo que se mantém no maior auge em todas as outras regiões do Norte América e da Europa para o sustento alimentar de todas as classes. Se ela nutre menos que o pão de trigo, é questão supérflua, uma vez que se sabe quanto é mais barata. “As batatas consideradas como alimento costumam coser-se antes de serem empregadas na maior parte dos seus usos. Esta operação pratica-se entre nós introduzindo-as em um vaso com água que se faz ferver o tempo necessário para sua cozedura” (Auxiliador, t. 21, nova série, 1846). Cozem-se a vapor em panela, vaso de ferro ou folha de flandres e depois fabricam-se pães e outras massas alimentares. Os alemães costumam fabricar queijo com a adição de massa de batata cozida a vapor. A farinha seca de batata com toda a sua substância nutriente encontra na arte culinária uma multidão de aplicações. Preparam-se bebidas saborosas, delicados pratos de meio e temperam-se com a mesma molhos que tornam-se mais nutritivos.  * tornada no * adquire o agradável sabor de batatas assadas; diluída em caldo ou em leite fervido, fornece alimento e bebida saborosa. Cadet de Vaux a misturava com a preparação do chocolate, o que o tornava mais leve. Nas artes, faz-se uso hoje das batatas em grande escala: prepara-se com as batatas uma cola que gruda à perfeição, faz-se com elas uma tinta boa para pintar; as flores misturadas com óleo e alvaide dão uma boa cor amarela que se aplica para tingir. Cadet de Vaux assevera que a batata pode substituir o sabão para a lavagem de roupa (Journal de Pharmacie t.6), Enfim, nas artes a fécula substitui em uma multidão de casos a goma e serve para colar os panos de linho para fazer papel, para infinitos objetos da indústria. A batata é planta sem igual para a economia rural e doméstica, não só os tubérculos nutrem os homens, mas ainda servem para o sustento do gado. O leite das vacas torna-se mais abundante, em nata, se ingerido diariamente com batatas cruas ou cozidas. São o melhor alimento para porcos, carneiros, aves domésticas e mesmo para os cavalos. Na arte culinária, cada dia se revela uma nova descoberta para utilizar a batata inglesa. Quer cozida, quer assada, ela transforma-se em centenas de  saborosas iguarias, como foi visto no célebre banquete de 1844 dado em Munique para festejar o aniversário de sua introdução na Europa pelo almirante Raleigh. O emprego medicinal da batata não é menos proveitoso do que seu emprego alimentar. Raspa-se o tubérculo cru que serve assim de cataplasma refrigerante sobre as queimaduras. Cozida e reduzida a uma massa mole a batata constitui excelente cataplasma maturativa. O Dr. Nauche assevera que o cozimento de batata branca é bom laxativo, que a batata vermelha é adstringente e que a última convém nos casos de afecções catarraes crônicas da bexiga e dos intestinos. Recomendam-se o xarope e a tintura alcoólica de batata em lesões de fígado como desobstruintes. O Dr. Nauche obtinha maior proveito em pedilúvios quando usava água fervente da batata raspada crua, em vez dos pós de mostarda. A opinião de G. Bauchin  acerca de sua virtude afrodisíaca não tem fundamento. A opinião relativa a sua virtude antiescorbútica provém unicamente de dar a batata como comida *** e não por conter em si princípios ou agentes que curam o escorbuto. Há pouco tempo que se noticiou na Rússia que o seu uso era capaz de fazer expelir o tumor, porém o fato coligido (Boletim da Academia de Medicina de Paris, maio, 1841), é um pouco duvidoso. Parmentier acreditava que o uso das batatas * o como das urinas e que assim se tornava proveitoso. As folhas do Solanum tuberosum são aconselhadas em cozimentos e injeções como calmantes, em casos de inflamações dos órgãos urinários. Fazem-se delas cataplasmas para resolver ou madurecer tumores glandulosos, ou acalmar hemorróidas. Os botânicos e lavradores lisonjeavam-se de se achar a batata livre de enfermidades, porém Martius noticiou no dia 16 de agosto de 1842, à Academia de Ciências de Paris que um fungo microscópico, o Fusisporium solani, tomava conta dos tubérculos e os tornava duros como pedras. A moléstia propagou-se no inverno de 1845 por toda a Europa, havendo sido o frio dos maiores. Já antes Boussingault e A. d’Orbigny haviam assinalado uma enfermidade que desde tempos remotos acometia a batata nos Andes e na Bolívia quando as chuvas eram recorrente. Ao farmacêutico Joseph Bonjean de Chambery cabe a glória de haver melhor patenteado a natureza da enfermidade na sua monografia da Batata publicada em 1846, analisando as várias opiniões dos mais ilustrados sábios do dia, os quais referem à presença de fungos; outros, à gangrena seca; alguns à existência de vermes e à fermentação pútrida, as alterações orgânicas da batata. Essas moléstias das batatas fizeram com que se indagasse melhor o álcali que elas contêm e a solamina, veneno ativo descoberto em 1821 pelo Desfess* e que resultou das novas pesquisas feitas sobre as batatas uma análise completa que transcrevemos da obra do Sr J. Bonjean p.97: 1° Fécula 0,16; 2° Matéria animal particular 009; 3° Resina amarga aromática009; 4° Parênquima ou matéria fibrosa 009; 5° Solamina 009;  6°Asparagina 009; 7° Albumina corada 009; 8° Princípio açucarado 009; 9° Princípio gomoso 009; 10° Extrato de cal 009; 11° Extrato de potassa 009;  12° Fosfato de cal 009; 13° Fosfato de potassa 009; 14° Ácido cítrico livre 009; *, *, *, 17° magnésia 009; 18° manganesa 009; 19° óxido de ferro 009; *, *, 22° * de vegetação 0,75 = 1



As principais variedades plantadas atualmente no Brasil.

Variedade: 

Ágata
Formato: 

Oval
Pele: 

Amarela
Polpa: 

Amarela Clara
Prepraro: 

Cozinhar e Assar
Variedade: 

Almera
Formato: 

Oval alongado
Pele: 

Amarela
Polpa: 

Amarela clara
Prepraro: 

Fritar, Cozinhar e Assar
Variedade: 

Amorosa
Formato: 

Oval Alongado
Pele: 

Vermelha
Polpa: 

Amarela Clara
Prepraro: 

Fritar, Cozinhar, Assar e Massa
Variedade: 

Asterix
Formato: 

Oval Alongado
Pele: 

Vermelha
Polpa: 

Amarela Clara
Prepraro: 

Cozinhar e Fritar
Variedade: 

Atlantic
Formato: 

Oval arredondado
Pele: 

Branca, meio áspera.
Polpa: 

Branca
Prepraro: 

Rodelas fritas (Chips)
Variedade: 

Bintje
Formato: 

Alongado
Pele: 

Amarela
Polpa: 

Amarela Clara
Prepraro: 

Cozinhar, Assar e Fritar
 
Variedade: 

Canelle
Formato: 

Oval Alongado
Pele: 

Amarela Clara
Polpa: 

Amarela Clara
Prepraro: 

Cozinhar, Assar, Fritar, Massa e Industrial
Variedade: 

Chipie
Formato: 

Arredondado
Pele: 

Amarela Clara
Polpa: 

Amarela Clara
Prepraro: 

Fritar e Industrial
 

Variedade: 
Colorado

Formato: 

Oval Alongado
Pele: 

Vermelha Fosca
Polpa: 

Amarela Clara
Prepraro: 

Fritar e Industrial
Variedade: 

Emeraude
Formato: 

Oval Alongado
Pele: 

Amarela
Polpa: 

Amarela
Prepraro: 

Cozinhar, Assar, Fritar, Massa e Doméstico
Variedade: 

Florice
Formato: 

Oval
Pele: 

Amarela Clara
Polpa: 

Amarela Clara
Prepraro: 

Doméstico
Variedade: 

Fontane
Formato: 

Oval
Pele: 

Amarela
Polpa: 

Amarela
Prepraro: 

Cozinhar, Assar, Fritar e Massa
Variedade: 

Gredine
Formato: 

Arredondado
Pele: 

Amarela
Polpa: 

Amarela Clara
Prepraro: 

Cozinhar, Massa e Industrial
Variedade: 

Maranca
Formato: 

Oval Alongado
Pele: 

Amarela
Polpa: 

Amarela
Prepraro: 

Cozinhar, Assar, Fritar e Massa
Variedade: 

Markies
Formato: 

Oval Alongado
Pele: 

Amarela
Polpa: 

Amarela
Prepraro: 

Cozinhar, Assar, Fritar e Massa
Variedade: 

Monalisa
Formato: 

Oval Alongado
Pele: 

Amarela Clara
Polpa: 

Amarela Clara
Prepraro: 

Cozinhar e Assar
 
Variedade: 

Mondial
Formato: 

Alongado
Pele: 

Amarela
Polpa: 

Amarela Clara
Prepraro: 

Cozinhar e Assar
Variedade: 
Opaline
Formato: 

Oval alongado
Pele: 

Amarela Clara
Polpa: 

Amarela Clara
Prepraro: 

Cozinhar, Assar, Fritar, Massa e Doméstico
Variedade: 

Sinora
Formato: 

Oval arredondado
Pele: 

Amarela
Polpa: 

Amarela
Prepraro: 

Cozinhar, Assar, Fritar e Massa.

novas variedades de batata


A batata é o quinto produto agrícola mais cultivado no mundo, só perdendo para cereais como trigo, milho, arroz e cevada, no entanto, entre estes, é o que tem maior participação direta na alimentação humana. A bataticultura no Brasil, tem sido, ainda, responsável pela geração de inúmeros empregos diretos e indiretos, tanto na zona rural quanto na zona urbana, desempenhando, portanto, importante 

papel sócio-econômico.
Desta forma, ações que visam estimular a produção e produtividade da bataticultura sempre são bem 

vindas pelo setor. A bataticultura mineira, a semelhança da bataticultura nacional, tem se mostrado extremamente carente de genótipos com melhor adaptação para as grandes variações de fatores bióticos e 
abióticos encontradas no país. Desta forma, é evidente a carência de programas de melhoramento genético para a cultura, como fator determinante na conquista e manutenção de uma lavoura competitiva. Embora a solução ideal seja a criação de genótipos desenvolvidos para nossas condições específicas, muitas vezes, isto não é possível, devido a grande limitação de recursos destinados à pesquisa agrícola. Além disso, programas de melhoramento genético bem estruturados só surtem efeito a longo prazo. É claro que nada disso justifica a ausência de maiores esforços na área, mesmo porque, caso o país tivesse optado por estabelecer programas fortes de melhoramento genético para a batata no passado, possivelmente, hoje teríamos a disposição do agricultor uma oferta maior de cultivares desenvolvidas em nosso próprio país.

A introdução de espécies e cultivares desenvolvidos em outras regiões do mundo tem sido uma prática corriqueira na história da humanidade e tem sido uma forma de amenizar a ausência de programas locais de melhoramento genético. No Brasil, várias das culturas agronômicas cultivadas são de origem externa, das 

quais podemos citar como exemplo a cultura do café e da cana-de-açúcar, ambas originárias de outros continentes, amplamente disseminadas no Brasil e que exercem importante papel na economia do país. Ainda hoje, o uso de variedades, híbridos, clones, etc., desenvolvidos para as condições de outros países, exerce forte influência na agricultura de nosso país.
A batata, embora tenha sua origem na região dos Andes, na América do Sul, foi praticamente domesticada na Europa a partir do século XIV. Em função disso, a maioria das introduções de batata tem sido feitas com materiais provenientes de regiões temperadas, freqüentemente localizadas no continente europeu. 

A Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), em parceria com produtores de batata, Associação de Bataticultores do Sul de Minas Gerais (Abasmig), Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), Associação Brasileira da Batata (Abba) e a empresa Multiplanta, produtora de mudas 
micropropagadas, vem realizando a introdução e avaliação de novas cultivares comerciais de batata, provenientes da França. As variedades estão sendo testadas em oito diferentes locais no estado de Minas Gerais e tem por objetivo apontar genótipos mais adequados ao uso pelo produtor e de melhor qualidade para o consumidor.



Segue no texto, a descrição sucinta de algumas características das cultivares, baseados em dados fornecidos pelos obtentores:
1) Emeraude: Mais indicada para o consumo in natura, sendo propícia para o cozimento. De maturação semi-precoce e tubérculos com formato oblongos, pele amarelo clara e polpa amarela. É pouco sensível 

à requeima, vírus Y e vírus do enrolamento. Possui a mesma precocidade apresentada por Monalisa e produz grande proporção de tubérculos médios a grandes, além de possuir boa resistência a danos mecânicos.
2) Izabel: Possui tubérculos com pele amarela e polpa amarelo escura de forma oblonga alongada. 

As plantas são altas e de porte semi-ereto. Possui ciclo precoce, com elevada proporção de tubérculos 
grandes e boa firmeza após o cozimento, não sendo indicada para fritura devido seu baixo teor de matéria 
seca. Possui comportamento semelhante a à Monalisa quanto à requeima, sendo resistente ao vírus X e mediamente resistente ao vírus Y. Também possui resistência para alguns nematóides que atacam a cultura.

3) Éden: Possui maturação semi-precoce e é destinada ao consumo in natura. O tubérculo possui formato oblongo a oblongo alongado de pele e polpa amarela. Possui teor de matéria seca semelhante a Bintje e ão é recomendada para industrialização. Produz elevada proporção de tubérculos grandes e é pouco sensível à requeima, mediamente sensível ao vírus do enrolamento e resistente a galha verrugosa.
4) Naturella: Indicada para o consumo in natura, seus tubérculos apresentam formato oblongo com pele amarela e polpa creme. Possui excelente regularidade no formato dos tubérculos e elevada proporção de tubérculos grandes. Possui teor de matéria seca superior ao da Bintje. É muito resistente à requeima, vírus do enrolamento, galha verrugosa e galha comum e mediamente sensível ao vírus Y. Os tubérculos são pouco sensíveis ao choque mas possuem boa conservação. Devido sua boa resistência a doenças, é indicada para cultivo racional e cultivo orgânico.
5) Eóle: De maturação semi-precoce, produz tubérculos de formato oblongo, bastante regulares e com gemas superficiais. Possui pele e polpa amarela. É indicada para consumo in natura e apresenta boa firmeza após cozimento, não sendo indicada para industrialização. Pouco sensível à requeima, 

mediamente sensível ao vírus Y e resistente à galha verrugosa e a nematóides.
6) Elodie: Destinada ao consumo in natura possui maturação precoce. Os tubérculos apresentam formato oblongo a oblongo alongado com gemas muito superficiais, pele clara e polpa amarelo pálida. Produz elevada proporção de tubérculos grandes. É sensível à requeima e mediamente sensível ao vírus Y e galha 

comum. Também é mediamente sensível ao vírus do enrolamento e a galha verrugosa.
7) Florice: Destinada ao consumo in natura, possui maturação semi-precoce. Seu tubérculo possui formato oblongo curto a oblongo com gemas superficiais e pele e polpa amarela. Possui boa firmeza após cozimento e possui baixo teor de matéria seca. Produz elevada proporção de tubérculos grandes e é 

mediamente a pouco sensível a requeima, mediamente sensível ao vírus Y e resistente a galha verrugosa.
8) Bondeville: Destinada ao consumo in natura, possui maturação meio tardia. Seu tubérculo apresenta forma oblonga curta a oblonga de pele e polpa amarela. É pouco sensível a requeima, vírus Y e resistente a galha verrugosa. É sensível à galha comum e a choques mecânicos.
9) Franceline: Destinada para o consumo in natura, possui polpa muito firme. Sua maturação é precoce a meio precoce. O tubérculo apresenta formato oblongo a oblongo alongado com gemas superficiais, pele vermelha, polpa muito amarela e possui médio teor de matéria seca. É mediamente sensível à requeima e sensível ao vírus Y. É resistente ao vírus X e não é atacada pela galha verrugosa e galha comum.
10) Fregate: Destinada ao consumo in natura possui maturação meio precoce. O tubérculo apresenta formato oblongo curto a oblongo com gemas superficiais, pele amarela, polpa amarelo pálida e produz elevada proporção de tubérculos grandes. É mediamente sensível a requeima e sensível ao vírus Y. Não 

é atacada pela galha verrugosa e é mediamente sensível à galha comum. Possui teor médio de matéria seca.
11) Manon: Cultivar desenvolvida pela associação dos produtores de batata-semente da França, da qual não se dispõe de mais informações. Apesar dos experimentos não terem sido concluídos, avaliações preliminares relativas ao comportamento fenológico das plantas, temse mostrado bastante promissoras, o que tem deixado os produtores que participam da condução dos experimentos bastante entusiasmados.
Embora o teste das 11 cultivares francesas seja apenas um passo inicial, o objetivo é testar nos próximos anos, não só um número maior de cultivares, incluindo aí, cultivares desenvolvidos por instituições de pesquisa brasileiras e de outros países, como Alemanha, Holanda e Argentina, como também, estender 

os experimentos no campo para outras regiões de interesse no estado. Com estas ações, a Epamig juntamente com seus parceiros, pretende recomendar com maior segurança o uso de novas cultivares que vem sendo introduzidas e testadas de forma empírica pelos produtores. Além do trabalho de avaliação de cultivares, a Epamig desenvolve outras linhas de pesquisa para a cultura da batata, como melhoramento 
genético, nutrição mineral, práticas de manejo racional e levantamento da ocorrência de pragas e doenças nas principais regiões produtoras do estado. Para tanto, conta com o auxílio de parceiros importantes, como o Centro Nacional de Pesquisa em Hortaliça da Embrapa e a Universidade Federal de Lavras

VARIEDADES DE BATATA ATLANTIC


No Mercado fresco, o padrão de batatas sem dúvida foi introduzido pelas variedades Européias. Assim todos reconhecem batata de pele lisa e polpa amarela clara, polpa creme e formato alongado. Muitas variedades podem enquadrar nestas características.
No entanto para batata de fritura, o padrão é totalmente diferente. A batata ideal para chips deve ser redonda, pele branca, polpa branca. Se imaginarmos uma batata com estas características, chegaremos a uma variedade, ATLANTIC. Assim como no Brasil é o padrão para batata chips em todo o mundo.
ORIGEM 

A ATLANTIC é uma variedade americana (USDABeltsville), resultado do cruzamento Wauseon X Lenape (B5141-6) . Foi lançada em 1978. Variedade não protegida.
CARACTERÍSTICAS: Planta 

Planta de porte médio a alto, hastes vigorosas, ereta com pouco florescimento no inverno e intenso na primavera e verão. Flores roxas claras. De crescimento rápido e com cobertura total do solo por volta de 50 dias após o plantio.
Apresenta alta susceptibilidade a requeima (Phitophthra infestans), boa tolerância a pinta preta (Alternaria solani). Planta de bom desenvolvimento em condições de temperaturas mais elevadas, apesar de 

apresentar defeitos fisiológicos nos tubérculos. Alta susceptibilidade a canela preta (Erwinia sp).

Talvez o maior problema da ATLANTIC, seria a alta susceptibilidade a mosaico (PVY). Mesmo em campos de sementes tecnicamente bem conduzidos, os níveis de contaminação por PVY são muito altos. Como sabemos o controle de pulgões através de produtos específicos não garante uma boa sanidade da 
batata semente devido a maneira de transmissão não persistente, ou seja, um pulgão contaminado pode transmitir a virose na picada de prova. Apesar de ser contaminada pelo vírus PVYntn, é baixo o número de 
tubérculos com sintomas de anéis necróticos não causando prejuízos . Quanto as outras viroses, apresenta boa resistência a PVX e média resistência ao vírus do enrolamento (PLRV).

Para contornar os problemas com viroses, na ATLANTIC, bem como em outras variedades, seria começar os campos de sementes com material básico de alta sanidade, e plantio de campos de sementes isolados de áreas de consumo e outras espécies botânicas que poderiam funcionar como fonte de inóculo.
Tubérculo 

Formato redondo, grande, uniforme, olhos profundos com cavidades também profundas na inserção do estolão. A pele branca recoberta por escamas (russet) , que dependendo do tipo de solo plantado pode 
variar um pouco a cor externa dos tubérculos. A polpa é branca com a medula pouco pronunciada.

Defeitos fisiológicos dos tubérculos mais freqüentes são chocolate (brown spot) e coração oco (hollow heart)
Aptidões Industriais 

Nos Estados Unidos, a ATLANTIC possui duas finalidades, a industrial (chips) e mercado fresco, onde entra no grupo que eles chamam de redondas brancas. Como defeito para mercado fresco é facilidade com que o tubérculo se torna verde. Mas a variedade ficou mesmo famosa na produção industrial de chips e batata palha. É sem dúvida a variedade para chips mais plantada no mundo e considerada padrão. Uma variedade que se adapta a qualquer região, alto teor de matéria seca, baixo nível de açúcares redutores, sabor agradável, são as características que levaram a ATLANTIC ser considerada a mais popular batata industrial do mundo. Como ponto negativo vale lembrar que apesar de sua excelentes qualidades industriais não tem um bom desempenho no armazenamento, pois costuma reverter açucares e comprometendo a aparência da batata frita.
Recomendações de cultivo 

A ATLANTIC tem uma taxa de multiplicação muito baixa. A dominância apical (apenas um broto desenvolve) é um dos fatores que levam a uma baixa população de hastes em campo, e consequentemente a poucos tubérculos por cova, e baixa produção. Para melhorar isto, devemos plantar sementes bem descansadas, preferencialmente sob regime de câmara fria. Utilizar batata semente com boa sanidade, pois batata sementes contaminadas com PVY reduz ainda mais o número de tubérculos por planta. O 
espaçamento entre plantas deve ser aproximadamente 30 a 32 cm para tipo I (50 a 60 mm) 27cm para tipo II (40 a 50 mm) e 22 a 25 cm para o tipo III (30 a 40 mm) espaçamento entre linhas de 0,8 m. Também 
como recurso para incrementar o número de hastes podemos usar juntamente com fungicidas de solo, uma solução de ácido giberélico 15 a 20ppm. Quando se usa o ácido giberélico, é comum as plantas emergirem 
estioladas e amarelas, mas em poucos dias as plantas voltam ao normal.


A recomendação de adubação para a variedade ATLANTIC, deve ser feita de acordo com a análise de solo. Para um solo de fertilidade média podemos usar as seguintes quantidades: N-190 kg/ha P- 550 kg/ha K - 190 kg. A saturação de bases deve ser sempre acima de 60%. Também devemos estar atentos a sintomas de deficiências tanto para os macros elementos como para os micros elementos. Em plantio de verão, é comum observar deficiências de magnésio. Aparecendo tais sintomas uma suplementação 

foliar deve ser feita. Alguns elementos são supridos adequadamente desta maneira. Para estes níveis de adubação a produtividade esperada é por volta de 35 ton/ha. Os demais tratos culturais são os mesmos 
que para outras variedades. Devemos manter as plantas verdes o mais tempo possível, pois sendo uma batata para uso industrial, tamanho, matéria seca são muito importantes.

Quando por motivos fitossanitários há uma desfolha prematura, além da perda de produção, a quantidade de sólidos cai a níveis bem baixo, resultando em menor rendimento industrial.
Considerações finais 

Apesar das inúmeras variedades de batata que são testadas todos os anos no Brasil, ainda teremos a ATLANTIC como padrão de fritura por muitos anos. Então vamos aprimorar as nossas técnicas de cultivo e explorar ao máximo o potencial da nossa velha conhecida.


3 comentários:

  1. Prezados, bom dia!

    Entro em contato, pois consegui um ponto em uma feira noturna na minha cidade, Itapecerica da Serra, e pretendo vender batata recheada.
    Comprei um saco de batata tipo Florão e ao cozinhar percebi que conforme ia trabalhando com eles, iam ficando viscosas e também o centro delas estavam crus.

    Gostaria de saber o porque as batatas apresentavam esta viscosidade e qual o tempo certo para o cozimento no centro das batatas?

    Sem mais agradeço.

    Atenciosamente:
    José Ricardo

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    1. prezado Ricardo:

      sugiro à vc visitar sites de culinária, (digite:preparo de batata recheada) e não esqueça de verificar se a batata usada tem aptidões para a sua atividade,

      abraços

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