sexta-feira, 29 de julho de 2016

Cultura da Capiçoba (Erechtites valerianaefolia DC.)



INTRODUÇÃO

A espécie Erechtites valerianaefolia DC., família Asteraceae, é nativa do Brasil, mas não endêmica.
Ocorre nas Regiões Sul, Sudeste, Nordeste e também no Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso do Sul e norte do Pará. Está presente em quatro biomas: Cerrado, Caatinga, Pampa e Mata Atlântica.
É espécie pioneira e aparece em áreas que sofreram alterações recentes na vegetação ou no solo,
especialmente pelo fogo. Apesar de ser considerada planta daninha na agricultura empresarial, é consumida como hortaliça no interior de várias regiões do País. Faz parte da lista das hortaliças não convencionais e sua multiplicação é incentivada.
No Rio de Janeiro e São Paulo é conhecida como capiçoba ou capiçova. Em Goiás e em algumas
regiões de Minas Gerais, é conhecida como marianica; na Região Sul, é comum a denominação gondó.
Dentre outros nomes populares destacam-se: mariagondó, maria-gomes, almeirãozinho, capariçoba, caperiçoba, capiçova-vermelha, caraçova, caramuru, cariçoba, caruru-amargo, caruru-amargoso.
Os apreciadores da capiçoba afirmam que seu sabor não é nem amargo nem doce, mas é forte,
como se já tivesse sido temperada. Outros dizem que o sabor é marcante e muito refrescante. Ao serem manuseadas, as folhas exalam odor típico, muito agradável.

A capiçoba é planta anual, herbácea e ereta, que pode atingir 150 cm de altura. O caule é ramificado e as hastes são grossas (Fig. 1). As flores, de cor violácea, lilás ou rosa, são hermafroditas e estão agrupadas em capítulos. Pode florescer o ano todo, mas com maior intensidade de outubro a dezembro. É polinizada por abelhas. As sementes são leves e aladas, o que facilita sua dispersão.

As sementes de capiçoba são fotoblásticas positivas e apresentam maior germinação, quando coletadas no inverno, de abril a setembro.

SOLO E ADUBAÇÃO


Os canteiros devem ser preparados como para qualquer outra hortaliça folhosa. Desenvolve-se
melhor em solos leves, férteis, com pH entre 5,8 e 6,3. Em plantios comerciais, a calagem e a adubação devem ser feitas com base na análise química do solo. A capiçaba responde à adubação orgânica, que pode ser aplicada no plantio de 2 a 3 kg de composto orgânico por metro quadrado, e em cobertura (30-35 dias após o plantio), 1 a 2 kg por metro quadrado.


ÉPOCA DE PLANTIO E TRATOS CULTURAIS


Nas regiões com verão muito quente, deve- se plantar a capiçoba de março a agosto. Em regiões
de clima ameno pode ser cultivada todos os meses do ano.
A semeadura pode ser feita em bandejas ou diretamente no canteiro definitivo, o que irá requerer desbaste posterior para obter espaçamento definitivo em torno de 30 cm entre linhas e 30 cm entre plantas.
A capina e a irrigação aumentam a produção, tanto em cultivos domésticos quanto comerciais. Aind não há registro de pragas e doenças em plantas de capiçoba.


COLHEITA


Quando os ramos atingem aproximadamente 40 cm (60 a 80 dias após o plantio) a colheita pode ser iniciada. Após o corte, os ramos devem ser lavados em água corrente e de boa qualidade e amarrados em maços de, aproximadamente, 300 g.
No espaçamento de 30 cm x 30 cm e com peso médio do maço de 300 g, podem-se obter quatro maços por metro quadrado. Os ramos da capiçoba murcham facilmente, por isso devem ser manuseados à sombra e transportados para o local de venda à noite.


VALOR NUTRICIONAL E USOS NA CULINÁRIA


As folhas novas e as inflorescências são utilizadas na alimentação humana. Em Minas Gerais é
comum o uso das folhas refogadas para acompanhar feijão, angu e carnes. Também são utilizadas para preparar ensopados e rechear omeletes, tortas, pastéis e panquecas. As folhas contêm proteína e sais minerais (Quadro 1).

QUADRO 1 - Composição proteica e mineral de folhas de capiçoba (Erechtites valerianaefolia)
Proteína 2,0 Fósforo 27,8 Cálcio   92,9 Cobre 0,2 Potássio 366,3 Magnésio 23,5 Ferro 8,2 Zinco 0,3 Manganês 1,5
(g/100g) mg/100g





     

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Irrigação e Amontoa na Batata (Solanum tuberosum)



Amontoa:

Aproximadamente aos 25-30 dias de plantio, quando as hastes das plantas apresentam de 25 a 30 cm de altura, faz-se a amontoa, que consiste na aproximação de terra, em ambos os lados da fileira de plantas, formando um camalhão com cerca de 20 cm de altura; visando proteger os tubérculos contra a exposição direta dos raios solares, que causam escaldadura e esverdeamento dos mesmos. Dependendo da intensidade das chuvas e do estado vegetativo da cultura, pode ser feita uma segunda amontoa aos 60 dias de plantio para evitar que os tubérculos sejam expostos à luz e fiquem esverdeados, tornando os inadequados ao consumo.
A amontoa, seja ela manual ou mecânica funciona também como controle de plantas daninhas. Este processo, quando não realizado adequadamente, pode provocar ferimentos nas raízes e na parte aérea das plantas, proporcionando portas de entrada para uma série de patógenos, como os que causam a rizoctoniose, murcha-bacteriana, podridão-seca e podridão-mole.
Para proteger a parte do caule que será coberta durante esta operação mecanizada, comumente é feita a pulverização do campo imediatamente antes da amontoa com fungicidas cúpricos. 


Amontoa mecanizada

Irrigação

Último nível tecnológico é assim que o bataticultor pensa quando vai investir para aumentar a produtividade da lavoura. Pois esta é a realidade. Após investir em um bom preparo de solo, em sementes de qualidade, correção e adubação de solo, ideais para ter uma ótima produtividade, e também em defensivos agrícolas para garantir a sanidade da lavoura; o produtor de batata necessita garantir água para a cultura na dose e hora certa para conseguir uma safra com alta produção e com alta qualidade do produto.
É frustrante para o bataticultor, após investir tanto dinheiro e trabalho, ter sua safra comprometida por um revés durante o decorrer do crescimento da cultura. O fator mais limitante para uma boa safra, com batatas de qualidade, é a falta de água. Principalmente a falta de água no período mais crítico para o desenvolvimento da cultura, que, no caso da batata, é a tuberização. A ocorrência de seca durante a formação e enchimento do tubérculo vai ocasionar batatas de tamanho pequeno e de baixa qualidade. Chuvas esparsas durante este período vão causar o embonecamento da batata, que deprecia o valor de venda do produto.
Por isso, é interessante para o bataticultor fornecer à planta uma quantidade adequada de água durante todo o desenvolvimento da cultura. Não se deve promover a “molhação” da lavoura, que é o que ocorre em muitos casos, e é devido a esta prática que a irrigação chega a ser mal vista em muitas regiões, onde o produtor “molha” a cultura com uma lâmina de água aquém da necessária, e também com turnos de rega longos, o que chega a ocasionar colheita com produção e qualidade até inferior a de produtores próximos que não irrigaram suas lavouras.
A irrigação com lâminas de água muito altas, pode provocar apodrecimento da semente e também escorrimento superficial, levando à erosão do solo, bem como à lixiviação (perda do adubo para profundidades superiores a de onde estão as raízes). Turnos de rega muito curtos podem causar problemas fitossanitários devido à má aeração do solo e também à lavagem dos defensivos, causando tanto problemas de podridão de raízes como o desenvolvimento de doenças na parte aérea da batata.

Na cultura da batata, devido a suas características, é interessante ter em mãos um equipamento de irrigação de fácil montagem e desmontagem, de fácil manejo e que não exija muita mão-de-obra, para evitar pisoteio e quebra de plantas. Aí é que se encaixa o Turbomaq, um equipamento robusto, de fácil manejo, que irriga praticamente todo tipo de terreno, tanto no formato, quanto na topografia, fornecendo lâmina de irrigação homogênea ao longo de todo o comprimento da mangueira.

O Turbomaq pode ser fornecido com canhão aspersor ou com barra irrigadora, sendo que, neste caso, a uniformidade de aplicação é maior, irrigando com gotas mais finas, porém com limitação quanto à declividade do terreno. No uso do equipamento com canhão aspersor, a distância entre hidrantes é maior, portanto há menos faixas de irrigação, mesmo sendo a gota um pouco maior. Pode ser usado, com toda a segurança, na irrigação tanto da batata, quanto do feijão.
Por último, um conselho: procurar sempre técnicos e empresas idôneos, que indicam e ofereçam opções de equipamentos e forneçam projeto técnico detalhado e descrição completa do sistema de irrigação a ser adquirido, além de procurar instalar equipamentos para o controle da umidade do solo (tensiômetro), evitando falta ou excesso de água na cultura.

Manejo da Irrigação

A irrigação pode ser definida como a reposição artificial da água no solo, na quantidade correta e no momento oportuno para satisfazer o consumo de água por uma cultura. Evapotranspiração (ET) é o termo empregado para definir o consumo de água por uma cultura. Este consumo é composto pela evaporação da água do solo e pela transpiração da água através do tecido da planta para a atmosfera.
A irrigação não é um substituto de uma prática agrícola, mas um instrumento do manejo agrícola. Ao lado das demais práticas, integra um conjunto de atividades que tem por objetivo o aumento da produção, buscando criar e assegurar as condições ideais para o desenvolvimento da planta. A função essencial da irrigação é propiciar à cultura um suprimento regular de água, de maneira que as demais operações agrícolas, como fertilização, mecanização, controle de pragas e doenças, possam atingir seus máximos benefícios, ou seja, maior produtividade e maiores lucros.
Entre as diversas vantagens do uso da irrigação como prática agrícola, podemos citar:
- Garantia de produção: com a instalação de um sistema de irrigação adequado, não há dependência das chuvas.
- Diminuição dos riscos: após todos os investimentos na preparação do solo, na compra de sementes, na aplicação de corretivos e adubos, não existe o risco de ver tudo perdido por falta de água.
- Colheita na entressafra: a irrigação possibilita obter colheitas fora da época de safra, o que resulta em remuneração extra e abastecimento regular do mercado.
- Aumento da produtividade: com todos os fatores do processo produtivo devidamente equilibrados o uso da irrigação, além de garantir a produção, possibilitará também um aumento dos rendimentos.
- Aumento do índice de exploração agrícola: possibilidade de mais de um plantio por ano, numa mesma área, assegurando maior rentabilidade.
- Quimigação: possibilidade de aplicação de produtos químicos (adubos, herbicidas, inseticidas, fungicidas, nematicidas) com a água de irrigação, reduzindo o trânsito de máquinas, o desgaste da maquinaria e o emprego de mão-de-obra.
Embora a irrigação apresente muitas vantagens, seu uso também tem algumas limitações:
Alto custo inicial: o investimento na aquisição de um sistema de irrigação é elevado em relação ao retorno, que nem sempre se processa a curto ou médio prazo. Por isto recomenda-se cautela na compra de equipamentos, pois uma decisão apressada poderá comprometer o projeto agropecuário.
Falta de mão-de-obra especializada: este é um dos problemas mais sérios enfrentados pelo agricultor, não só no que diz respeito à manutenção, mas também em relação à própria operação de um sistema de irrigação.
A batata é uma das principais hortaliças cultivadas no Brasil, com área plantada estimada na safra de 2003 de 146.963 ha (em três safras) e produção estimada em 2.897.472 t, com produtividade média de 19,7 t/ha (IBGE, 2003). Os principais estados produtores são Minas Gerais, São Paulo e Paraná, os quais respondem por quase 80% da produção nacional de batata. Entretanto, devido às variações edafoclimáticas, práticas culturais e variedades utilizadas, há diferenças significativas entre os valores de produtividade alcançados nas regiões produtoras. A produção comercial de batata pode passar de 40 t/ha se as condições, incluindo fertilidade e umidade, forem adequados durante a safra. O Brasil situa-se em 19º lugar (estimativa da FAO) na lista dos maiores produtores desta cultura.
Neste artigo, serão apresentadas algumas considerações sobre as relações entre o desenvolvimento vegetativo e a produção, com o fornecimento de água na cultura da batata e alguns princípios básicos no manejo eficiente da irrigação. No próximo artigo, apresentaremos os métodos de irrigação mais comumente usados na batata e exemplos de planejamento e manejo da irrigação.
Desenvolvimento da Batata e Disponibilidade da Água no Solo A batata é uma cultura que tem o seu desenvolvimento e produtividade intensamente influenciados pelas condições de umidade do solo. A deficiência de água é freqüentemente mais limitante para a obtenção de altos rendimentos do que o excesso de umidade. Assim, o controle da umidade do solo e o conhecimento do comportamento de parâmetros fisiológicos sob condições variáveis de umidade no solo são decisivos para a maximização da produção da cultura.
O desenvolvimento fisiológico da batata pode ser dividido em cinco estágios:
- Semeadura – emergência;
- Início do desenvolvimento vegetativo - início da tuberização;
- Tuberização;
- Crescimento dos tubérculos;
- Amadurecimento.
A duração de cada estágio depende da variedade, das práticas culturais e das condições ambientais. A batata é particularmente sensível ao déficit hídrico durante o início da tuberização e o desenvolvimento inicial dos tubérculos (transição entre os estágios II e III). Um déficit de água nesta época pode reduzir substancialmente a qualidade e resultar em malformação dos tubérculos. Se o déficit hídrico ocorrer durante o crescimento dos tubérculos (estágio IV), o peso total da produção será mais afetado do que a qualidade. Condições favoráveis de umidade promovem maior número e maior tamanho de tubérculos, maior teor de amido, melhor qualidade culinária e de conservação. Níveis excessivos de água no solo favorecem as podridões de tubérculos e a lenticelose. A alternância de excesso e falta de água pode causar defeitos fisiológicos, como embonecamento e rachaduras.
A produção e a qualidade da batata também são influenciadas pelo excesso de água no solo, resultante de irrigação excessiva ou chuva acima da média. Isto acarreta lixiviação de nutrientes abaixo da zona radicular, causando deficiência nutricional, baixa eficiência no uso do fertilizante e provável contaminação da água subterrânea. A saturação do solo na zona radicular por mais de 8-12 horas pode causar danos por falta de aeração adequada para a respiração das raízes. O excesso de água no solo por ocasião do plantio promove o apodrecimento das sementes e retarda a emergência devido à menor temperatura do solo úmido. Batatas que são super irrigadas durante o crescimento vegetativo e o início da tuberização têm grande chance de desenvolverem coração-negro e coraçãooco, e estão mais sujeitas à morte prematura.
O conteúdo de umidade do solo também tem influência nos danos mecânicos causados aos tubérculos durante o processo da colheita. Se os tubérculos estiverem desidratados, como resultado da baixa umidade do solo, eles se quebrarão mais facilmente no processo de arrancamento mecanizado. Se os tubérculos estiverem túrgidos, devido à alta umidade do solo, eles estarão mais suscetíveis a esfolamento e unhaduras. Neste caso, também poderão ocorrer problemas na qualidade e armazenamento dos tubérculos.
O desenvolvimento do sistema radicular da batata é relativamente superficial (45 - 60 cm), com a maioria das raízes na faixa de até 30 cm de profundidade. A pouca profundidade do sistema radicular é
atribuída à fragilidade das raízes em penetrar camadas compactadas ou outras camadas restritivas. A compactação do solo devido ao tráfego de máquinas pode restringir a penetração das raízes da batata, e é normalmente influenciado pelo conteúdo de umidade do solo no momento da operação de mecanização.
O crescimento das raízes também está relacionado com o vigor geral da cultura e o seu máximo desenvolvimento pode ser alcançado quando as condições de umidade são mantidas em condições adequadas no perfil do solo. Sob certas condições, irrigações leves e freqüentes, ou seja, fornecimento de água a uma pequena profundidade apenas, diminui a capacidade da planta em suportar maiores déficits de água, pois as raízes ficam confinadas naquela faixa superficial onde a umidade está presente. Outro fator importante é a capacidade de transmissão de água no solo que influencia a habilidade de extração de água pelas raízes.
Algumas pesquisas relacionam as condições de umidade do solo com a absorção de nutrientes pelas raízes, pelo efeito indireto do déficit de água no solo na disponibilidade dos nutrientes. Uma vez que a maior parte da matéria orgânica e dos nutrientes está concentrada na zona superficial do perfil do solo, a falta de umidade nesta zona poderá ocasionar a diminuição do desenvolvimento da planta pela redução na capacidade das raízes em absorver os nutrientes disponíveis.
Manejo da irrigação
O manejo racional de qualquer projeto de irrigação deve ter como objetivo melhorar a eficiência do uso da água e diminuir os custos, quer de mão-de-obra, quer de capital, mantendo as condições de umidade do solo e de fitossanidade favoráveis ao bom desenvolvimento da cultura irrigada.
A irrigação não deve ser vista como uma prática isolada. Ela é parte de um conjunto de operações necessário ao atendimento das necessidades das plantas para uma boa produção. Isto significa associar a irrigação com uma boa escolha das sementes, um adequado preparo do solo (manejo conservacionista), uma boa adubação e tratos fitossanitários quando necessários.
No manejo da irrigação, duas perguntas devem ser respondidas: quando e quanto irrigar. A primeira é respondida pelo termo freqüência de irrigação, ou turno de rega, que nada mais é do que o intervalo em dias entre as irrigações. A freqüência de irrigação pode ser fixa ou variável, especialmente levando-se em conta as chuvas que ocorrem no período. Quanto à segunda pergunta, a resposta é baseada nas condições climáticas, em quanto o solo é capaz de armazenar água entre as irrigações e principalmente, na sensibilidade da planta à falta de água, que está relacionada com o seu estágio de desenvolvimento.
Para o máximo retorno econômico, é necessário que o conteúdo de água no solo seja mantido dentro de certos limites ao longo do ciclo da cultura. A batata é exigente em água porque é mais sensível ao estresse hídrico, comparado com outras culturas, além de desenvolver um sistema radicular raso e ser
freqüentemente cultivada em solos de baixa a média capacidade de retenção de água. Estas condições fazem com que os sistemas de irrigação sejam dimensionados para aplicar água mais freqüentemente, em quantidades menores, de forma uniforme, tal que a disponibilidade de água no solo durante o ciclo da cultura seja otimizado. Estas condições também indicam que um manejo eficiente da irrigação na cultura da batata inclua: (1) monitoramento regular da quantidade de água no solo; (2) irrigações programadas de acordo com o uso da água pela cultura e com a capacidade de retenção da água no solo; (3) um suprimento de água e um sistema de irrigação que seja capaz de fornecer a quantidade programada.
A resposta da produção de batata ao manejo da irrigação é ilustrada na Figura 1. Os resultados foram obtidos de uma pesquisa em práticas de manejo de irrigação em 45 lavouras no Estado de Idaho, um dos maiores Estados produtores de batata nos Estados Unidos. A produção de batata é reduzida tanto por irrigação deficiente quanto por irrigação em excesso. Apenas 10% de variação na quantidade de água aplicada durante o ciclo pode resultar em decréscimo da produção devido à sensibilidade da batata ao déficit hídrico; por outro lado, a irrigação em excesso causa aeração deficiente no solo, aumenta os problemas fitossanitários e lixívia dos nutrientes da zona radicular. Um manejo da irrigação otimizado pode aumentar a produção comercializável e ao mesmo tempo reduzir os custos de produção pela conservação da água, energia, fertilizantes e defensivos, e diminuir os riscos de contaminação do ambiente. Um manejo eficiente da irrigação é um pré-requisito para um consistente e máximo retorno econômico.


Irrigação

A planta de batata é muito sensível ao déficit de água. Mesmo pequenos períodos de estiagem comprometem o sucesso da lavoura, sendo a irrigação recomendada em regiões e/ou estações com distribuição irregular de chuvas. A produção também é afetada pelo excesso de água, por reduzir a aeração do solo, favorecer maior incidência de doenças e lixiviar nutrientes móveis.
Irrigações em excesso favorecem várias doenças de solo, como murcha-bacteriana, sarna-prateada, sarna-pulverulenta, canela-preta e podridão-mole. A irrigação por aspersão, notadamente quando em regime de alta frequência, favorece condições de alta umidade no dossel vegetal, aumentando a incidência de doenças foliares. Por outro lado, a falta de água, especialmente no início da tuberização, favorece a ocorrência da sarna-comum.
A demanda de água pelas plantas é dependente das condições climáticas, da cultivar e do sistema de cultivo, principalmente. A necessidade total da cultura, incluindo a evaporação do solo, varia de 250 mm a 550 mm, podendo superar 600 mm para cultivares de ciclo longo e em regiões quentes e secas.
A irrigação é realizada, muitas vezes, por meio de práticas impróprias de manejo e do uso de sistemas de irrigação com baixa uniformidade de distribuição de água. Ao mesmo tempo em que são, geralmente, irrigadas em excesso, as plantas são também, com frequência, submetidas a condições de déficit hídrico. Por conseguinte, é possível aumentar a produtividade em até 20% e reduzir a lâmina total de irrigação em até 40%, somente irrigando-se corretamente.
Sistema de irrigação
Apesar de tecnicamente poderem ser utilizados diferentes métodos de irrigação, a cultura de batata no Brasil é irrigada quase exclusivamente por aspersão. A irrigação por sulco é pouco adotada por requerer terrenos planos, solos pouco permeáveis e demandar maior uso de mão de obra, enquanto o gotejamento apresenta alto custo e demanda grande quantidade de mão de obra qualificada para sua instalação, manutenção e retirada do campo ao final da colheita.
Os sistemas por aspersão do tipo convencional e autopropelido são os utilizados nos estados do Sudeste e Sul, enquanto o pivô central é adotado em grandes áreas na região do Cerrado (Minas Gerais, Bahia e Goiás). A principal desvantagem da aspersão é a interferência no controle fitossanitário, especialmente favorecendo doenças da parte aérea devido ao molhamento foliar e à lavagem de agrotóxicos.
A eficiência de irrigação por aspersão é influenciada pela desuniformidade com que a água é distribuída sobre o terreno, pelas perdas de água por evaporação e arrastamento pelo vento. Esta eficiência depende basicamente do dimensionamento hidráulico, da manutenção do sistema e das condições climáticas. Eficiências aceitáveis para sistemas por aspersão convencional estão entre 70% e 80%, entre 65% e 80% para autopropelido e entre 85% e 90% para pivô central.
Sistemas com problemas de dimensionamento e manutenção aplicam água de forma muito desuniforme, o que reduz a produtividade e a qualidade da batata, além de aumentar o gasto de água e energia.
Manejo da água de irrigação
Por manejo de irrigação entende-se determinar quando e quanto irrigar. A resposta para tais questões depende de diversos fatores, como tipo de solo, condições climáticas, sistema de irrigação e estádio de desenvolvimento da cultura. As irrigações devem ser realizadas quando as plantas utilizarem toda a água facilmente disponível no solo. A quantidade de água a ser aplicada deve ser suficiente para o solo retornar à condição de capacidade de campo.
Vários são os métodos para manejar a irrigação na cultura da batata. Todos demandam informações relacionadas a um ou mais componentes do sistema solo-planta-atmosfera. Naqueles mais precisos, o manejo é realizado em tempo real por meio da instalação de sensores para a medição da água no solo e/ou da estimativa da evapotranspiração. O custo, a precisão e a simplicidade de operacionalização dependem do nível de sofisticação do método.
A seguir são apresentados procedimentos e parâmetros relacionados às necessidades hídricas da batata, que permitem estabelecer diferentes estratégias de manejo.
Métodos com base em medidas na planta
Teoricamente, o momento da irrigação pode ser determinado com base na planta, seja pela avaliação da aparência visual de déficit hídrico, do potencial de água na folha ou da temperatura da folha. Este método, porém, além de não permitir estimar a lâmina de irrigação, é pouco confiável para indicar quando irrigar.
Na prática, muitos produtores têm definido quando irrigar com base na aparência visual de deficiência hídrica na planta. Contudo, quando tais sintomas aparecem, as atividades fisiológicas da planta já podem ter sido comprometidas. Por exemplo, irrigar quando se verifica sintomas de murchamento e folhas com coloração verde mais escuro acarreta queda de produtividade acima de 20%.
Métodos com base em medidas do status de água no solo
Informações sobre a disponibilidade de água no solo têm sido amplamente utilizadas por agricultores em todo o mundo para determinar quando irrigar.
Na prática, a avaliação do status de água no solo é realizada, muitas vezes, pelo tato e aparência visual do solo. A precisão é baixa, sobretudo para agricultores sem a devida destreza. De qualquer forma, a amostragem do solo deve ser realizada entre 40% e 50% da profundidade efetiva das raízes, em pelo menos três pontos da área. O fator de reposição de água ao solo (f) para batateira varia de 0,30 a 0,50, sendo o menor valor para solos de textura fina e estádios mais críticos à falta de água (estolonização/início de tuberização e formação da produção).
Por expressar a força com que a água se encontra retida, a tensão de água no solo exerce papel importante no processo de absorção da água pelas plantas. As irrigações devem ocorrer quando a tensão, avaliada entre 40% e 50% da profundidade efetiva das raízes, atingir de 25 kPa a 40 kPa durante os estádios inicial, vegetativo e de senescência, e de 15 kPa a 25 kPa durante os estádios de estolonização e início de tuberização e de formação da produção, sendo o menor valor para solos de textura grossa. A lâmina de irrigação pode ser estimada a partir de avaliações de campo ou da curva de retenção de água do solo. O manejo de água por meio do monitoramento da tensão pode ser realizado, de forma precisa e com baixo custo, por meio de sensores do tipo Irrigas®, tecnologia desenvolvida e patenteada pela Embrapa.
Métodos com base em medidas climáticas
Devido às dificuldades com a obtenção da evapotranspiração da cultura (ETc) por medições diretas e exatas, métodos indiretos são utilizados para estimar a evapotranspiração de referência (ETo). Utilizando-se coeficientes de cultura (Kc), ajustados para a batateira (Tabela 1), pode-se determinar a ETc para os diferentes estádios da cultura (ETc = Kc x ETo).
A ETo é estimada por meio de equações, empíricas ou não, a partir de dados climáticos. Para manejo da irrigação em tempo real, a ETo pode ser determinada pela equação de Penman-Monteith-FAO ou tanque classe A.
O conhecimento da ETc não possibilita, por si só, estimar, de forma direta, quando irrigar. O momento de se irrigar é determinado a partir do balanço de água no solo ou da medição da água disponível no solo.
Calendário de irrigação
O conhecimento antecipado da data das irrigações, pré-definindo turnos de regas fixos para cada estádio da cultura, possibilita que as práticas culturais possam ser planejadas antecipadamente.
Um procedimento simplificado que permite estabelecer os intervalos entre irrigações e a lâmina de irrigação durante cada estádio da cultura é por meio do uso de tabelas. A ETc é determinada na Tabela 2, a partir de dados históricos médios de temperatura e umidade relativa do ar, enquanto o turno de rega é determinado na Tabela 3, em função do tipo de solo, da profundidade de raiz e da ETc. A determinação do turno de rega até a completa emergência das hastes deve ser feita utilizando-se a Tabela 4.
Por utilizar dados climáticos históricos para estimar a ETc, o procedimento não deve ser usado por produtores que já irrigam utilizando sensores de umidade e/ou procedimentos para a estimativa da ETc em tempo real.


Tratos culturais

Amontoa
A amontoa é o processo no qual o solo é movimentado e direcionado para a base das plantas em ambos os lados da fileira de plantas, formando um camalhão com cerca de 20 cm de altura, estimulando o desenvolvimento de estolões e protegendo os tubérculos do sol, além de também auxiliar no controle das plantas daninhas. A amontoa tradicional realiza-se aproximadamente aos 25-30 dias de plantio, quando as hastes das plantas apresentam de 25 cm a 30 cm de altura. Dependendo da intensidade das chuvas e do estado vegetativo da cultura, pode ser feita uma segunda amontoa aos 60 dias de plantio para evitar que os tubérculos sejam expostos à luz e fiquem esverdeados, tornando-os inadequados ao consumo. Este processo, quando não realizado adequadamente, pode provocar ferimentos nas raízes e na parte aérea das plantas, proporcionando portas de entrada para uma série de patógenos, como os que causam a rizoctoniose, murcha-bacteriana, podridão-seca e podridão-mole. Para proteger a parte do caule que será coberta durante esta operação mecanizada, comumente é feita a pulverização do campo imediatamente antes da amontoa com fungicidas cúpricos.
É comum também a antecipação da amontoa, realizando-se o primeiro processo logo após a germinação, com vantagens em relação à diminuição nos danos causados às plantas.
Interrupção do ciclo
A interrupção do ciclo da cultura, que normalmente varia de 90 a 120 dias dependendo da cultivar, do clima e do solo, pode ocorrer de forma natural ou artificial com a utilização de desfolhantes ou dessecantes, que matam a rama e as ervas daninhas, facilitando a colheita, e evitam futuras contaminações do tubérculo através da parte aérea da planta (rama). Se utilizar a dessecação, o produtor pode antecipar a colheita, aproveitando o preço de mercado, se favorável. Após a dessecação, é esperado um período que varia de 10 a 15 dias para que a pele da batata se fortaleça ou se firme, evitando o pelamento durante o processo de colheita e pós-colheita. Em cultivos agroecológicos, este processo pode ser realizado mecanicamente, por meio de roçada. Porém, deve-se evitar realizar o corte das ramas em épocas chuvosas e deve-se fazer a pulverização das hastes danificadas com defensivos permitidos neste tipo de cultivo, para diminuir os riscos da entrada de bactérias e fungos.


domingo, 3 de julho de 2016

HortalIças Orgânicas: Pimentão (Capsicum annuum)



A maioria das cultivares em uso por pelos produtores orgânicos de pimentão foram desenvolvidas para sistemas convencionais de produção. Desta forma é necessário encontrar alternativas para o cultivo orgânico, mesmo entre aquelas que não são de uso comercial. Estão sendo realizados ensaios exploratórios com cultivares da coleção de germoplasma de pimentão da Embrapa Hortaliças e híbridos comerciais com intuito de avaliar e resgatar os materiais com melhor adaptação ao cultivo orgânico. Entre maio de 2005 e abril de 2006 foram realizados ensaios com as 25 cultivares listadas a seguir: Tico, Margareth, Agronômico 10G, Fiuco, Bell Boy, Keystone, All Big, Magda, Magna Super, Ambato e os híbridos Ruby e Magali-R, Avelar, Agro Sul Gigante, Margareth, Italiano, Casca Dura Ikeda, Casca Dura Gigante, Vyuco, Califórnia Wonder, Margareth Selecionado, Bruyo, Herpa, Fry King, Marconi, Apolo, Hércules, PCR e I 16. Pode-se observar que cultivares fora de uso comercial como Italiano, I-16, Fry King e Agrosul Gigante, Ambato, All Big e Magna Super juntamente com os híbridos Ruby e Magali-R mostrarm grande potencial para cultivo em sistemas orgânicos. A partir de 2008 às cultivares foram avaliadas na época chuvosa e seca. Na época chuvosa/verão, os híbridos Rubia e Maxinmus são recomendados por ter apresentado peso médio de frutos e produtividade comercial maior. Na época seca/inverno, o híbrido Magali-R éo mais indicado por ter apresentado produtividade total comercial maior que os demais. Para produtores orgânicos que optam pelo uso de cultivares OP, Ambato e Tico na época de verão/chuvoso e Italiano e Tico no inverno/seco são indicados pelo número, peso e produção expressiva de frutos comerciais.

Adubação de plantio: a adubação deve ser feita com base na análise do solo e do adubo orgânico. Se necessário, recomenda-se Composto 1,0 kg/cova + Bokashi 20gr/m2+ fosfato natural50gr/cova (fósforo) aplicado com antecedência e cinzas de madeira 100gr/cova (potássio).

As variedades de pimentão mais cultivadas pertencem a dois grupos: o grupo cascadura, com formato semi-cônico, ligeiramente alongado e coloração verde-escura; e o grupo quadrado, com frutos cilíndricos, com comprimento quase igual ao diâmetro.
Os materiais genéticos que têm apresentado melhor padrão de frutos em sistema orgânico, apesar de sua elevada exigência em nutrientes, são os híbridos, especialmente o ‘Magali’ e o ‘Magali R’.
O pimentão é uma hortaliça típica de clima tropical, exigindo temperaturas noturnas e diurnas mais elevadas que o tomate. As temperaturas mais favoráveis para o desenvolvimento da cultura variam com a fase da planta.
A época de plantio depende do clima da região. Em regiões baixas, com altitude menor que 400 metros, e de inverno ameno, pode ser semeado o ano todo. Mas, nessas regiões, a semeadura de fevereiro a abril propicia melhores condições para a cultura e a colheita se dá na época de melhores preços.
Em locais muito quentes, é melhor cultivar o pimentão no outono-inverno. Em regiões altas e mais frias, acima de 800 metros de altitude, a época de plantio vai de agosto a fevereiro; assim, o cultivo se dá na primavera e no verão. Também nessas regiões, uma boa alternativa é o cultivo do pimentão em estufa. Assim, é possível ter o produto na entressafra, o que traz maiores lucros para o produtor.
Formação das mudas
O semeio deve ser realizado em copos plásticos de 200 cc, com duas sementes/copo, desbastando-se após a germinação, mantendo-se apenas uma muda. Empregando-se substratos orgânicos mais ricos, ou substratos comerciais, estas mudas podem também ser formadas em bandejas.
Também, é recomendável que as mudas sejam feitas dentro de uma estrutura fechada. Elas estarão prontas para serem transplantadas quando estiverem entre 10 e 15 centímetros de altura e entre 6 e 8 folhas definitivas. Por apresentar desenvolvimento mais lento que o tomate, as mudas são transplantadas entre 30 e 45 dias após a semeadura.
Preparo do solo e adubação
O preparo mecânico do solo pode ser dispensado, caso o local não tenha excesso de ervas espontâneas ou se tiver recebido adubação verde. Assim, pode-se proceder a abertura e a adubação das covas diretamente.
O pimentão é uma planta bastante exigente em nutrientes, devendo receber adubações orgânicas de boa qualidade. Deve-se utilizar composto orgânico, na base de 1,0 kg por cova no plantio (peso seco). Passados 30 dias, recomenda-se uma adubação em cobertura com 500g de composto por planta, diluído em água na proporção de 1:2 e aplicado de forma localizada, com regador sem crivo, ao redor das plantas.
O nitrogênio e o potássio são fundamentais para um bom desenvolvimento das plantas e uma boa formação de frutos. Portanto, se possível, a adubação em cobertura com composto pode ser substituída por outros resíduos ricos nesses nutrientes (preferencialmente na forma líquida – biofertilizantes), como torta de mamona, esterco de galinha de gaiola e cinza de madeira.


sexta-feira, 1 de julho de 2016

Plantio de Batata (Solanum Tuberosum)



Época de plantio

A principal safra da cultura da batata nas principais áreas das regiões Sul e Sudeste do Brasil é a “das águas”, que é plantada em agosto-dezembro e colhida a partir de novembro. O plantio "de inverno", realizado de abril a julho e colhido em julho-outubro, é também praticado nessas mesmas regiões, em locais onde não ocorrem geadas, mas depende de irrigações durante o ciclo de desenvolvimento da cultura.
Já o cultivo "da seca", que começa em janeiro-março, deve ser realizado o mais cedo possível para evitar as geadas em regiões onde ocorre inverno rigoroso. Regiões consideradas não tradicionais para o cultivo da batata, como o Planalto Central e áreas altas na região Nordeste, comumente apresentam condições razoáveis de plantio durante o ano, quando não ocorrer excesso de chuva, que dificulta o controle de doenças e prejudica a aparência dos tubérculos. Maiores produtividades e melhor qualidade do produto são obtidas durante o inverno seco, sob irrigação. 

Plantio 

Os sulcos de plantio geralmente têm 10 a 15 cm de profundidade, com espaçamento de 70 a 90 cm, dependendo da finalidade da produção. Para batata consumo, o espaçamentos entre sulcos é de 80 a 90 cm; para batata-semente, utiliza-se 70 a 75 cm entre sulcos. O espaçamento entre as linhas deve permitir o tráfego de máquinas durante os tratos culturais.
A distância entre as plantas, nas linhas, varia de 30 a 40 cm para a produção de batata-consumo e de 20 a 25 cm para o cultivo de batata-semente. A profundidade de plantio depende das condições do solo. Em solos argilosos, normalmente os tubérculos semente são posicionados de 3 a 5 cm abaixo da superfície do solo, já em solos de textura média ou arenosa a profundidades pode ser de até 10 cm.

A quantidade de tubérculos-semente a ser utilizada depende do seu tamanho, uma vez que um tubérculo grande produz maior número de caules do que um tubérculo pequeno. A densidade utilizada varia de 15 a 20 caules por metro quadrado. 


No espaçamento 80 x 30 cm, a necessidade de batatas - sementes (peso médio de 35 g) é de 1,3 t/ha ou 43 caixas de 30 kg ou 26 sacas de 60 kg/ha.


A época do inverno é a mais indicada para o cultivo de muitos tipos de verduras, legumes e frutas, é o tempo ideal para o plantio de batatas, cebolas e morangos. Quero me deter desta vez no plantio de batatas e tudo que envolve sua produção.
As batatas a serem plantadas ficam guardadas por alguns meses em câmara fria, para “quebrar” a dormência. Sem esse procedimento, o processo de germinação fica muito lento, chegando algumas vezes a não ocorrer. Dentro da câmara fria, a batata fica pronta, mas não germina; para isso, é preciso tirá-las da câmara e colocá-las em camadas finas em um lugar coberto e bem iluminado, estimulando assim a pré-germinação dos brotos, que são verdes e curtos. Assim preparada, ela germina rapidamente, dentro de 10 a 14 dias após o plantio, com vários brotos por batata. As batatas são plantadas em distâncias de até 30 cm entre plantas, dependendo do tamanho da semente; a distância entre as linhas é de 75 cm, permitindo assim a passagem do trator ou de um animal para puxar implementos que auxiliam no controle do mato e para sulcar entre as linhas jogando terra solta em volta das plantas. A batata gosta de terra solta para produzir novas batatas.
Este ano, plantamos nossas batatas em terra que ficou infestada com uma erva daninha chamada grama de seda. Essa grama tem “estolões” que crescem dentro da terra. Ao passar um implemento para cultivar essas áreas, estes estolões são cortados em pequenos pedaços que se multiplicam, aumentando a praga. Na agricultura convencional, usa-se herbicida para seu controle, o que não está dentro da nossa maneira de pensar e produzir. Então usamos a máquina de arrancar batatas para arrancar esta grama de seda. Esta máquina corta uma faixa estreita de grama de cada vez e a coloca em uma esteira para tirar a terra, depois a grama é jogada com as raízes em cima do solo para secar ao sol. Uma invenção assim facilita bastante a retirada dessa erva, que pode dominar tanto que a batata acaba produzindo pouco e dificultando muito a colheita da mesma. A mesma máquina pode ser usada para arrancar uma outra erva daninha que também é muito difícil de ser combatida, a tiririca. No site você pode ver as fotos do trabalho da eliminação da grama de seda.
Como vocês podem perceber, para produzir batata não é só plantar e colher.

considerações sobre adubação na batata

Ao longo dos anos, a nutrição da cultura da batata ficou apoiada em uma ou duas formulações de fertilizantes. Com essa atitude, a produtividade e a qualidade da cultura da batata ficou 

limitada e estagnada durante anos. Com a vontade de melhorar e muita determinação de alguns produtores, iniciou-se então uma parceria com o departamento técnico da Utilfertil. A partir daí começamos a pesquisar fatores que até então não eram considerados na hora de se fazer uma recomendação de adubação. Entre ela temos:
1º - Variedade; 

2º - Tamanho da semente ; 
3º - Tempo da câmara; 
4º - Época de plantio; 
5º - Tipo de solo; 
6º - Análise de nutrientes do solo; 
7º - Espaçamento; 
8º - Previsão do tempo e outras mais.

Após essas pesquisas, chegamos a várias conclusões, mas a uma em especial: na cultura da batata não existe uma fórmula que possa atender a todos os produtores, assim, dificilmente uma mesma fórmula poderá dar o mesmo resultado para produtores em condições diferentes. A Utilfertil se orgulha 

de hoje ser responsável pelas melhores produções de batata do Estado de São Paulo e pelo atendimento de primeira linha, sempre visando o melhor para o produtor. Essa prestação de serviços e diferenciação de formulações é exclusividade da Utilfertil, capaz de manipular suas formulações com diferentes tipos de composições de matérias- primas, almejando a obtenção de macro elementos primários, secundários e micro elementos balanceados de acordo com a necessidade.

Implantação da Cultura

Batata Semente
A batata-semente é um fator fundamental para garantir a qualidade e a produtividade na cultura da batata. O plantio de batata-semente de má qualidade pode comprometer uma safra, mesmo que todas as outras condições sejam altamente favoráveis ao cultivo. Portanto, recomenda-se a utilização de uma batata-semente com boa sanidade, estado fisiológico e brotação adequada. A boa sanidade da batata-semente é proporcionada pelas práticas relativas ao processo de certificação de sementes, na colheita, seleção, beneficiamento e embalagem, bem como no processo de armazenagem, garantindo níveis toleráveis de doenças conforme padrões previstos em normas oficiais. Tubérculos com estas características são encontrados em batata-semente produzidas por produtores especializados.
É necessário também que a batata-semente se apresente em bom estado fisiológico e bem conservada, isto é, colhida na época adequada, túrgida e firme. Deve-se evitar a utilização de tubérculos esgotados e murchos, indicativos de uma idade fisiológica muito avançada. O plantio desses tubérculos mal conservados resulta em plantas pouco vigorosas e ciclo vegetativo mais curto, comprometendo seriamente a produção.
Outra característica essencial é a brotação adequada da batata-semente. A brotação é considerada apropriada quando os brotos apresentam comprimento próximo de 1 cm. Deve-se evitar o plantio de tubérculos com um único broto ou com brotos pouco desenvolvidos, que dão origem a poucas hastes por cova. O número reduzido de hastes por cova, além de insuficientes para garantir a produtividade, pode provocar falhas se hastes forem quebradas ou atacadas por doenças ou pragas. O plantio de tubérculos com brotos pouco desenvolvidos pode retardar a emergência, causando crescimento desuniforme das plantas, dificultando os tratos culturais. Em adição, o atraso da emergência expõe os brotos por mais tempo ao ataque de doenças e pragas de solo.
Os estádios fisiológicos da batata semente são divididos em: dormência, dominância apical, brotação múltipla e senescência. Os estágios recomendados para o plantio são a fase da dominância apical, se necessitar de um campo com plantas de poucas hastes, para produção de material para processamento ou consumo in natura; ou de brotação múltipla, para obterem-se plantas com muitas hastes para produção de sementes.
O manejo da batata semente conforme estes estádios fisiológicos pode ser controlado pelo forçamento artificial de brotação ou pelo armazenamento. Se o armazenamento for por curto prazo, até 4 meses, pode ser feito em armazéns convencionais com ventilação natural. Porém, se o período de conservação for de até 8 meses, haverá necessidade de uso de câmaras frias com condições controladas. A temperatura do ar deve ser próxima a 4 ºC na superfície do tubérculo e umidade mínima do ar de 85%, ambos controlados pelos equipamentos de refrigeração da câmara fria. Também há a necessidade de se restringir a concentração de CO2 ao valor máximo de 0,5%. Na prática, isso é feito abrindo-se as portas da câmara fria por 6 horas a cada semana de operação; ou se esta for de uso contínuo, o ato de abrir e fechar as portas já é o suficiente para manter adequado o conteúdo de CO2 do interior da câmara. A semente que atingir o último estádio fisiológico (senescência) deve ser descartada.
Sementeiro
Sementeiro é uma pratica agrícola que visa fornecer batata-semente própria produzida dentro da propriedade agrícola e consiste em plantar pequena parcela de multiplicação de “sementes” feita pelo produtor de batata consumo, com o objetivo de viabilizar o uso de semente de qualidade, para redução do seu custo na lavoura de consumo, assim como da melhoria da sanidade da lavoura. Esta prática resulta em sensíveis ganhos de lucratividade na lavoura. Em alguns estados, é necessário fazer a comunicação escrita ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) avisando sobre este plantio da parcela de semente própria, principalmente se a cultivar for protegida junto ao Serviço Nacional de Proteção de Cultivares.
Para implantar o sementeiro, o produtor precisa adquirir cerca de 20% da semente que planta habitualmente ou que pretende plantar, quando multiplica apenas uma vez. Caso queira multiplicar a semente por duas gerações antes de fazer a lavoura de batata consumo, o produtor precisa adquirir 5% da necessidade.
Para suprir uma lavoura de 1,0 ha de batata-consumo, no caso de fazer um sementeiro de uma multiplicação, o produtor precisa adquirir 400 kg de batata-semente certificada. No caso de efetuar semente de duas multiplicações, o produtor necessita comprar 100 kg de batata-semente certificada para iniciar o sementeiro.
O sementeiro deve ser localizado em área distante de lavouras de produção de batata para consumo, ou separado destas por obstáculos naturais tais como matas, morros etc.; e em solo ainda não cultivado com batata ou, sabidamente, não infestado por bactéria causadora de murchadeira.
Os principais cuidados com o sementeiro são: controle dos pulgões, que são os principais vetores das viroses; erradicação das plantas anormais ou com sintomas de doenças, retirando-se do campo as plantas juntamente com todos os tubérculos; controle das doenças fúngicas da parte aérea e colheita antecipada, antes da seca natural da rama.
Quebra da dormência das sementes
O tubérculo semente após a colheita passa por um período de dormência que evita a rápida brotação. A dormência é controlada por um balanço hormonal entre promotores e inibidores de crescimento. O período natural de dormência pode se estender por dois ou mais meses, dependendo da cultivar, condições de desenvolvimento do tubérculo, condições de armazenamento, ocorrência de doenças, e outras condições ambientais como temperatura e umidade.
Imediatamente após a dormência, ocorre o período de dominância apical, havendo o desenvolvimento da gema principal enquanto as gemas laterais permanecem dormentes. A duração deste período depende da cultivar e do estádio fisiológico do tubérculo. O plantio de sementes com dominância apical resulta na produção de poucas hastes por área, o que limita o rendimento.
O plantio da batata-semente deve ser realizado no estádio de plena brotação, quando pelo menos três a cinco gemas laterais apresentarem brotos curtos e vigorosos.
Quando as condições naturais não são suficientes para garantir uma adequada brotação dos tubérculos no período desejado para o plantio, pode ser necessário acelerar o processo de quebra da dormência, este processo é chamado de quebra da dormência e dominância apical.
A quebra de dormência e dominância apical é realizada quimicamente com a utilização de bissulfureto de carbono ou ácido giberélico e com outros métodos de manejo.
A utilização de bissulfureto requer cuidados especializados, por ser um gás tóxico, inflamável e explosivo, e necessita de uma câmara hermética. A dose do produto aplicado depende da cultivar utilizada e das condições ambientais. Doses abaixo do ideal não produzem o efeito desejado e doses elevadas podem causar o apodrecimento dos tubérculos. A dosagem de 10 a 35 cm3/m3 por 72 horas é eficiente para a maioria das cultivares.
O ácido giberélico pode ser aplicado por imersão dos tubérculos em uma solução, por aspersão do produto sobre os tubérculos dentro dos contentores no armazém ou por aspersão no sulco sobre os tubérculos-semente já plantados. A imersão tem a desvantagem relacionada à transmissão de doenças e a necessidade de secagem rápida dos tubérculos. A imersão dos tubérculos em solução de 5 a 10 ppm (5 a 10 gramas em 1000 litros de água) durante 2 a 5 minutos, dependendo da cultivar, tem sido utilizada. Para a aspersão dos tubérculos nos contentores usa a mesma dose, e se faz um banho usando pulverizadores com jato de gotas grossas, pulverizando-se em duas fases, primeiro sobre uma das superfícies da batata e depois virando em outros contentores para expor o lado não atingido pelo jato e pulverizando-se novamente. O gasto de calda é em media de 1,0 L por contentor de 30 kg.
Nas regiões do Sul e Sudeste do país, usa-se a aspersão do ácido giberélico no sulco de plantio, após a abertura do sulco, adubação e plantio das sementes e imediatamente antes da cobertura do sulco. Esta operação é feita em solos mais argilosos e frios, onde a evaporação é pouca, e é comumente realizada junto com o inseticida para controle da larva da vaquinha (Diabrotica spp.) e de fungicidas para prevenção de ataque de podridão-seca (Fusarium spp.) e crosta-preta (Rhizoctonia solani). A aspersão no sulco diminui o problema com doenças pela imersão, porém, ainda são necessários estudos para a indicação de um método eficiente para diferentes cultivares e formas de aplicação, a fim de evitar gastos desnecessários de produtos químicos.
O simples abafamento das sementes por cerca de 72 horas, colocando-as em ambientes fechados, o que ocasiona redução no nível de oxigênio e aumento do gás carbônico, também apresenta efeitos positivos para a quebra de dormência e dominância apical.
Qualquer uma das medidas acima precisa ser acompanhada por técnicos especializados.
Época de plantio
A principal safra da cultura da batata nas principais áreas das regiões Sul e Sudeste do Brasil é a “das águas”, que é plantada do final de julho ao final de setembro e colhida a partir do meio de novembro até o final de janeiro, onde a maioria produz sem o uso frequente de irrigação devido à alta pluviosidade do período nas regiões.
A safra de “verão” é feita nas regiões dos Campos de Cima da Serra dos estados do Sul e Minas Gerais e nas regiões da Chapada da Diamantina, Alto Parnaíba e Planalto Central do entorno de Brasília. Os plantios podem ser feitos nos meses de outubro a janeiro.
O cultivo "da seca", que começa no final de janeiro até final de março e colheita prevista para final de maio a final de julho, deve ser realizado com irrigação suplementar e compensatório nos curtos períodos de estiagem, atentando sempre para evitar as geadas precoces em maio nas regiões onde ocorre inverno rigoroso.
O plantio "de inverno", realizado de abril a julho e colhido entre julho-outubro, é também praticado nessas mesmas regiões, em locais onde não ocorrem geadas, mas depende de irrigações durante o ciclo. Já o cultivo "da seca", que começa em janeiro-março, deve ser realizado o mais cedo possível para evitar as geadas em regiões onde ocorre inverno rigoroso.
Regiões que apresentem microclimas específicos consideradas não tradicionais para o cultivo da batata, como o Planalto Central e áreas altas na região Nordeste, comumente apresentam condições razoáveis de plantio durante o ano, quando não ocorrer excesso de chuva, que dificulta o controle de doenças e prejudica a aparência dos tubérculos. Nestes locais, maiores produtividades e melhor qualidade do produto são obtidas durante o inverno seco, sob irrigação.
Plantio
Os sulcos de plantio, geralmente, têm espaçamento de 70 cm a 90 cm, dependendo da finalidade da produção. Para batata-consumo, o espaçamento entre sulcos é de 80-90 cm; para batata-semente, utiliza-se 70 cm a 75 cm entre sulcos. O espaçamento entre as linhas deve permitir o tráfego de máquinas durante os tratos culturais.
A profundidade de plantio depende das condições do solo. Em solos argilosos, normalmente, os tubérculos-semente são posicionados de 3 cm a 5 cm abaixo da superfície do solo; já em solos de textura média ou arenosa, a profundidade pode ser de até 10 cm.
A distância entre as plantas nas linhas varia de 30 cm a 40 cm para a produção de batata-consumo e de 20 cm a 25 cm para o cultivo de batata-semente.
A quantidade de tubérculos-semente a ser utilizada depende do seu tamanho, uma vez que um tubérculo grande produz maior número de caules do que um tubérculo pequeno. Para batata consumo, a densidade utilizada varia de 15 a 20 caules por metro quadrado.
O número de tubérculos por caixa ou saco varia de acordo com o tipo de semente (Tabela 1). O número de tubérculos necessário para o plantio de um hectare varia de acordo com o espaçamento entre e dentro da linha (Tabela 2).
comercial, com sementes tipo I, utiliza-se cerca de 110 caixas ou sacos no espaçamento de 50 cm; do tipo II, cerca de 74 caixas ou sacos no espaçamento 40 cm; e do tipo III são necessárias cerca de 52 caixas ou sacos no espaçamento de 30 cm.
O plantio pode ser feito manualmente ou com auxílio de mecanização em covas ou sulcos, previamente abertos com auxílio de sulcadores, com posterior cobertura das sementes com enxadas ou sulcadores. O plantio mecanizado pode ser realizado com máquinas de alimentação manual ou automática, que fazem a abertura dos sulcos, a disposição e a cobertura das sementes. Embora existam máquinas especificas para a adubação antes do plantio, algumas fazem a adubação juntamente com o plantio, e também a aplicação de produtos fitossanitários.