sexta-feira, 29 de julho de 2016

Cultura da Capiçoba (Erechtites valerianaefolia DC.)



INTRODUÇÃO

A espécie Erechtites valerianaefolia DC., família Asteraceae, é nativa do Brasil, mas não endêmica.
Ocorre nas Regiões Sul, Sudeste, Nordeste e também no Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso do Sul e norte do Pará. Está presente em quatro biomas: Cerrado, Caatinga, Pampa e Mata Atlântica.
É espécie pioneira e aparece em áreas que sofreram alterações recentes na vegetação ou no solo,
especialmente pelo fogo. Apesar de ser considerada planta daninha na agricultura empresarial, é consumida como hortaliça no interior de várias regiões do País. Faz parte da lista das hortaliças não convencionais e sua multiplicação é incentivada.
No Rio de Janeiro e São Paulo é conhecida como capiçoba ou capiçova. Em Goiás e em algumas
regiões de Minas Gerais, é conhecida como marianica; na Região Sul, é comum a denominação gondó.
Dentre outros nomes populares destacam-se: mariagondó, maria-gomes, almeirãozinho, capariçoba, caperiçoba, capiçova-vermelha, caraçova, caramuru, cariçoba, caruru-amargo, caruru-amargoso.
Os apreciadores da capiçoba afirmam que seu sabor não é nem amargo nem doce, mas é forte,
como se já tivesse sido temperada. Outros dizem que o sabor é marcante e muito refrescante. Ao serem manuseadas, as folhas exalam odor típico, muito agradável.

A capiçoba é planta anual, herbácea e ereta, que pode atingir 150 cm de altura. O caule é ramificado e as hastes são grossas (Fig. 1). As flores, de cor violácea, lilás ou rosa, são hermafroditas e estão agrupadas em capítulos. Pode florescer o ano todo, mas com maior intensidade de outubro a dezembro. É polinizada por abelhas. As sementes são leves e aladas, o que facilita sua dispersão.

As sementes de capiçoba são fotoblásticas positivas e apresentam maior germinação, quando coletadas no inverno, de abril a setembro.

SOLO E ADUBAÇÃO


Os canteiros devem ser preparados como para qualquer outra hortaliça folhosa. Desenvolve-se
melhor em solos leves, férteis, com pH entre 5,8 e 6,3. Em plantios comerciais, a calagem e a adubação devem ser feitas com base na análise química do solo. A capiçaba responde à adubação orgânica, que pode ser aplicada no plantio de 2 a 3 kg de composto orgânico por metro quadrado, e em cobertura (30-35 dias após o plantio), 1 a 2 kg por metro quadrado.


ÉPOCA DE PLANTIO E TRATOS CULTURAIS


Nas regiões com verão muito quente, deve- se plantar a capiçoba de março a agosto. Em regiões
de clima ameno pode ser cultivada todos os meses do ano.
A semeadura pode ser feita em bandejas ou diretamente no canteiro definitivo, o que irá requerer desbaste posterior para obter espaçamento definitivo em torno de 30 cm entre linhas e 30 cm entre plantas.
A capina e a irrigação aumentam a produção, tanto em cultivos domésticos quanto comerciais. Aind não há registro de pragas e doenças em plantas de capiçoba.


COLHEITA


Quando os ramos atingem aproximadamente 40 cm (60 a 80 dias após o plantio) a colheita pode ser iniciada. Após o corte, os ramos devem ser lavados em água corrente e de boa qualidade e amarrados em maços de, aproximadamente, 300 g.
No espaçamento de 30 cm x 30 cm e com peso médio do maço de 300 g, podem-se obter quatro maços por metro quadrado. Os ramos da capiçoba murcham facilmente, por isso devem ser manuseados à sombra e transportados para o local de venda à noite.


VALOR NUTRICIONAL E USOS NA CULINÁRIA


As folhas novas e as inflorescências são utilizadas na alimentação humana. Em Minas Gerais é
comum o uso das folhas refogadas para acompanhar feijão, angu e carnes. Também são utilizadas para preparar ensopados e rechear omeletes, tortas, pastéis e panquecas. As folhas contêm proteína e sais minerais (Quadro 1).

QUADRO 1 - Composição proteica e mineral de folhas de capiçoba (Erechtites valerianaefolia)
Proteína 2,0 Fósforo 27,8 Cálcio   92,9 Cobre 0,2 Potássio 366,3 Magnésio 23,5 Ferro 8,2 Zinco 0,3 Manganês 1,5
(g/100g) mg/100g





     

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