sábado, 6 de agosto de 2016

irrigação de gotejamento na batata



1 – Introdução 
A elevada exigência hídrica da cultura da batata, associada a elevados custos de produção, alto risco característico da atividade e perspectiva de retorno financeiro compensador fazem com que a irrigação seja prática indispensável para a obtenção de produtividade elevada no empreendimento, em especial nos plantios realizados na estação seca.

Tradicionalmente, os métodos mais utilizados para a irrigação da cultura da batata são aspersão convencional, canhões autopropelidos e pivot central. Tais métodos possuem algumas características comuns como o fato de serem dotados de equipamentos que possibilitam sua movimentação 
pelo terreno, aplicando-se água em parte da área cultivada em cada turno. Por isto, aplica-se grandes volumes de água por turno, necessários para suprir a demanda da cultura por vários dias. Apesar de possuírem relativa eficiência de irrigação, algumas conseqüências negativas decorrem do seu uso como aplicação excessiva e desperdício de água, maior consumo de energia, maior necessidade de mão-de-obra, 
lixiviação de nutrientes no perfil do solo reduzindo a eficiência das fertilizações, molhamento da parte aérea das plantas, lavando parte dos defensivos aplicados e causando até severos danos mecânicos nas folhas, criando, assim, condições que favorecem a ocorrência de doenças.

Considerando-se a preocupação crescente com a escassez de água e a necessidade premente de economia tanto de água quanto de energia, os bataticultores defrontam- se hoje com o desafio de continuarem 
a desempenhar seu papel de enorme importância social e econômica, porém com maior racionalidade no uso dos recursos naturais. Assim, a utilização de métodos de irrigação e de práticas de manejo que permitam maior eficiência no uso da água e menor consumo de energia são metas imprescindíveis 
para a bataticultura moderna. Neste contexto, a irrigação por gotejamento destaca- se como a tecnologia de irrigação e fertilização mais racional para o setor, visto ser o método que possibilita maior eficiência 
no uso da água e que apresenta a menor demanda de energia e de mão-de-obra. No presente artigo discute-se as principais características do gotejamento, suas potencialidades para a cultura da batata 
e resultados decorrentes de 4 anos de pesquisa da Netafim Brasil e empresas associadas na adequação da 
tecnologia do gotejamento às condições de cultivo da batata do Brasil Central.



Foto 1: Aspecto visual de campo de batata cv. Atlantic aos 25 dias de idade irrigado por gotejamento NETAFIM.

2 – Irrigação por gotejamento para batata: A irrigação por gotejamento iniciou-se em Israel, em meados dos anos 60, e desde então vem experimentando intensas inovações tecnológicas, evoluindo crescentemente. Um projeto de irrigação por gotejamento possui alguns componentes básicos comuns a qualquer sistema como bombas e tubulações de recalque, se diferenciando dos outros métodos pelas seguintes características:
- São sistemas que possibilitam irrigar toda a área plantada simultaneamente (Foto 1). Assim, irriga-se sempre que necessário, permitindo a aplicação de lâmina de água suficiente para suprir a demanda hídrica de 1 ou 2 dias;
- A água é transportada no interior de tubos de pequeno calibre, sendo aplicada ao solo de forma localizada, sob baixas pressões, por meio dos gotejadores. A ação de cada gotejador cria uma zona úmida ao redor das plantas chamada bulbo úmido, e com a junção de cada um dos bulbos criase 
uma faixa úmida seguindo a linha das plantas (Foto 1);

Assim, na irrigação por gotejamento são aplicados pequenos volumes de água com elevada frequência, ou seja, com intervalos curtos entre as irrigações, sendo o método que permite atingir os maiores níveis de 
uniformidade, precisão e controle da irrigação e da nutrição das plantas.



Detalhe de planta da cv. Atlantic cultivada sob irrigação por gotejamento NETAFIM, por ocasião
O gotejamento já é um método consagrado para irrigar hortaliças, sendo a sua adequação para a cultura da batata considerada como um importante desafio na irrigação por gotejamento no Brasil. De posse 
das experiências da Netafim em diversos países do mundo e de 4 anos de testes a campo realizados pela Netafim Brasil e empresas parceiras, a irrigação por gotejamento traz os seguintes benefícios 
para a cultura da batata e para o bataticultor:

- 30 a 50% de economia de água: 
- Maior produtividade e melhor qualidade sanitária, aspecto de muita importância para batata-semente; 
- Menor gasto de energia elétrica, necessitando de 1 cv/ha contra 2,5-3 cv/ha dos outros métodos; 
- A aplicação de água não causa molhamento foliar, concorrendo para melhoria do aspecto sanitário da cultura e redução do uso de defensivos; 
-Permite a realização de quimigação que é a aplicação de produtos químicos (defensivos e fertilizantes) na água de irrigação; 
- Permite a aplicação de fertilizantes utilizando a água de irrigação como veículo (fertirrigação), permitindo que se aplique nutrientes em qualquer fase do ciclo da cultura; 
- Permite a automação da irrigação; 
- Permite a realização de trato fitossanitário simultaneamente à irrigação; 
- Redução do uso de tratores e de equipamentos de pulverização; 
- Redução do uso de mão-de-obra para as práticas de irrigação, fertilização e tratos fitossanitários; 
-Redução dos custos de produção e maior lucratividade;

3 – Resultados experimentais e perspectivas futuras: Em ensaio conduzido no ano de 2000 na estação Experimental da Zeneca em Holambra-SP, foi estudada a produtividade da cv. Atlantic sob condições 
de irrigação por gotejamento e por aspersão. Foram montadas 2 áreas de gotejamento e 1 área de aspersão, as quais foram preparadas e semeadas seguindo padrão único. Também receberam 1,5 t/ha de Superfosfato Triplo a lanço em toda área e o mesmo controle fitossanitário. Nestas foram realizadas as seguintes práticas de fertilização e irrigação:

Tratamento 1: 
2,0 t/ha de 04-16-08 aplicadas no sulco de plantio, totalizando 80 kg/ha de N, 320 kg/ha de P2O5 e 160 kg/ha de K2O; 
Irrigação por gotejamento em linhas simples, utilizando tubo-gotejadores equipados com gotejadores Super Typhoon 125 espaçados de 0,5 m e com vazão de 1,6 L/ h; 
Manejo de irrigação seguindo proposta da Netafim para gotejamento em batata; Fertirrigação com fertilizante fluido 10- 00-10, totalizando 209 kg/ha de N e 209 kg/ha de K2O; 
Total de nutrientes aplicados: 289 kg/ ha de N, 965 kg/ha de P2O5 e 369 kg/ha de K2O;

Tratamento 2: 
1,0 t/ha de 04-30-16 aplicada no sulco de plantio, totalizando 40 kg/ha de N, 300 kg/ha de P2O5 e 160 kg/ha de K2O; 
Irrigação por gotejamento em linhas simples, utilizando tubo-gotejadores equipados com gotejadores autocompensantes tipo RAM 1,6Q espaçados de 0,5 m e com vazão de 1,6 L/h; 
Manejo de irrigação seguindo proposta da Netafim para gotejamento em batata; 
Fertirrigação utilizando nitrato de amônio e cloreto de potássio comerciais, totalizando 207 kg/ha de N e 160 kg/ha de K2O; 
Total de nutrientes aplicados: 247 kg/ ha de N, 945 kg/ha de P2O5 e 320 kg/ha de K2O;

Tratamento 3: 
2,0 t/ha de 04-16-08 aplicadas no sulco de plantio, totalizando 80 kg/ha de N, 320 kg/ha de P2O5 e 160 kg/ha de K2O; 
Irrigação por aspersão em turnos de rega variáveis (geralmente 4 dias), de acordo com as condições climáticas; 
Adubação em cobertura utilizando fertilizante granulado 20-00-20 na dosagem de 800 kg/ha, aplicados aos 30 dias após plantio, totalizando 160 kg/ha de N e 160 kg/ha de K2O; 
Total de nutrientes aplicados: 240g/ha de N, 965 kg/ha de P2O5 e 320 kg/ha de K2O; 
As produtividades obtidas em cada área constam na Tabela 1:

O incremento de produtividade obtido em relação à aspersão (8 t/ha), em adição à economia de água, energia elétrica e de defensivos proporcionada pelo gotejamento, demonstram a viabilidade econômica do 
método, permitindo amortizar o investimento feito na aquisição do projeto de gotejamento em uma ou duas safras. Atualmente, um ensaio para produção de batata-semente sob gotejamento vem sendo conduzido em Patos de Minas-MG, junto ao “Grupo Nascente” com excelentes resultados preliminares. Destacam-se neste ensaio, a aplicação de defensivos via água de irrigação com notável economia de defensivos 
e de mecanização; a economia de água em relação ao pivot central; a aplicação de P, Ca e micronutrientes em fertirrigação (em adição ao N e ao K) e o excelente aspecto fitossanitário da cultura.

Os resultados finais serão obtidos em setembro do presente ano. Recentemente foi instalada uma área 
comercial para produção de batata consumo em Monte-Mor-SP, junto aos “Irmãos Andrade”, na qual vários testes de fertirrigação estão sendo conduzidos, sempre tendo como testemunha métodos tradicionais de irrigação e fertilização da batata.. Diante da conjuntura atual de pressão por racionalização no uso dos recursos naturais e elevada competitividade no setor, os bataticultores devem buscar a redução de custos e a obtenção de resultados de produtividade e qualidade cada vez melhores, sendo 
a irrigação por gotejamento uma das inovações tecnológicas mais importantes para a modernização da bataticultura brasileira.






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