segunda-feira, 8 de maio de 2017

Botânica da Berinjela (Solanum melongena L.)



A berinjela (Solanum melongena L.) é originária da Índia e foi introduzida no Brasil no século XVI pelos portugueses. Os árabes, os orientais (principalmente os japoneses) e seus descendentes são os maiores consumidores desta hortaliça. É cultivada em maior escala nos estados de São Paulo, seguido de Minas Gerais e da região Sul do País. A pesquisa científica com esta espécie teve início em 1937 no Instituto Agronômico de Campinas (IAC), com a introdução de sementes de alguns materiais comerciais. Em 1940, foram instalados os primeiros ensaios para avaliação das variedades de berinjela recém-introduzidas.
Há disparidade entre os dados de produção e área cultivada com berinjela no Brasil. A partir de 2001, houve um “boom” da cultura em função da divulgação dos benefícios pelos quais ela responde na prevenção e tratamento do diabetes. De acordo com informações fornecidas por entidades estaduais de extensão rural, a área cultivada em 2005 foi de 700 ha, em MG, PR e DF com produção de 18.500 t e produtividade média de 27,4 t/ha. Entretanto, somente no estado de São Paulo, segundo o Instituto de Economia Agrícola, a área plantada em 2004 foi de 1,3 mil ha, com produção de 46,0 mil t, perfazendo a produtividade média de 35,4 t/ha. 

A berinjela, botanicamente classificada como Solanum melongena L., pertence à família Solanaceae, assim como o tomate, pimenta, pimentão, batata e jiló. Foi introduzida à dieta brasileira por emigrantes árabes, sendo consumida principalmente nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná.

Os frutos cozidos são usados como verdura ou hortaliça nos trópicos. Podem, também, ser fervidos, fritos, recheados, grelhados ou refogados. As variedades que apresentam frutos pequenos baby são utilizadas para produção de conservas/picles.

Os frutos imaturos são, algumas vezes, utilizados em molhos (PURSEGLOVE, 1968). O gênero Solanum é predominantemente originário das Américas Central e do Sul (cerca de 2.000 espécies), porém existem apenas cerca de 40 espécies nativas da Ásia, e entre elas, 27 na Índia englobando a berinjela (S. melongena) e seus parentes silvestres.

Embora não tenha sido completamente elucidada ainda, a maior parte das evidências indica que a berinjela (S. melongena) teve origem na Ásia. Regiões como o Oriente Médio, a região Indo-Burma, Japão e China têm sido indicadas como prováveis centros de origem por diversos autores. Entretanto, mesmo tendo-se registros de cultivo há mais de 1500 anos, em determinadas regiões da China, Khan (1979) e Kalloo (1993) consideram a Índia como provável lugar de origem da berinjela devido às inúmeras referências encontradas em documentos escritos em sânscrito, linguagem ancestral desse país. Autores como Martin e Pollack (1979) consideram a China e África como centros secundários de dispersão.

Quanto às características botânicas, a planta apresenta porte arbustivo, com caule do tipo semi-lenhoso, ereto ou prostrado, podendo atingir 0,5 a 1,8 m de altura. Trata-se de uma planta perene que, muitas vezes, comporta-se como anual, pois a morte dos indivíduos ainda no primeiro ano é freqüente, devido a doenças. Quando podadas no primeiro ano de produção geralmente rebrotam e produzem novamente no segundo. A intensa formação de ramos laterais confere à planta o aspecto de arbusto bem copado. O sistema radicular pode atingir profundidades superiores a 1,0 m. As folhas são alternas, simples; pecíolos de 2-10 cm de comprimento; limbo foliar de formato ovado ou oblongo-ovado, com densa pilosidade acinzentada; margens sinuosamente lobadas, ápice agudo ou obtuso, base arredondada ou cordada, geralmente desiguais. Dependendo da cultivar, podem apresentar espinhos nos ramos, pecíolos, folhas, pedicelos e cálices. As flores são solitárias ou distribuídas em inflorescência do tipo cimeira com 2-7 flores, de tamanho que varia de 3 a 5 cm de diâmetro, em posição oposta ou sub-oposta às folhas. Pedicelos de 1-3 cm de comprimento. O cálice, com 2 cm de comprimento, é persistente, com 5 a 7 sépalas. A corola é do tipo gamopétala, com 5 a 6 pétalas fundidas na base formando tubo, de coloração lilás a violeta. Os 5 a 6 estames são livres, eretos, amarelos e com filamentos bem curtos; as anteras alongadas, apresentam 2 poros apicais; estilete simples com estigma lobado, capitado, levemente acima dos estames. Os frutos são grandes, pendentes, do tipo baga, de formato variável (oval, oblongo, redondo, oblongo-alongado, alongado etc.), normalmente brilhantes, de coloração branca, rosada, zebrina, amarela, púrpura ou preta.

No Brasil, o tipo mais comum é a berinjela de formato oblongo, de coloração roxo-escuro, brilhante e pedúnculo (cabinho) verde.

A berinjela propaga-se geralmente por sementes, entretanto ramos axilares podem apresentar enraizamento se forem enterrados. Segundo Purseglove (1969), em regiões onde existem doenças bacterianas relacionadas, como em Porto Rico por exemplo, as plantas de berinjela são enxertadas em plantas de Solanum torvum, que apresentam resistência à murcha bacteriana.

A berinjela reproduz-se preferencialmente por autofecundação. O percentual de polinização cruzada natural varia com a cultivar e com outros fatores ambientais, com média estimada em 6 a 7%, podendo, no entanto, chegar próximo a 50%. A taxa de polinização cruzada aumenta em locais onde ocorrem populações de insetos polinizadores, como a mamangava.

O fruto de berinjela é uma boa fonte de sais minerais e vitaminas e seu valor nutricional total pode ser comparado ao do tomate. Análises têm mostrado que o peso fresco dos frutos apresenta a seguinte composição: 96,3% de água, 1,9% de fibras e 19% de calorias. Em 100 g de berinjela crua encontram-se os minerais: 1,1 mg de cobre, 100 mg de enxofre, 90 mg de magnésio, 3,8 mg de manganês, 2,7 mg de zinco, 112,7 mg de potássio, 38,2 mg de sódio, 17 mg de cálcio, 0,4 mg de ferro e 29 mg de fósforo. As vitaminas são encontradas nas seguintes proporções: 5 µg de vitamina A (retinol), 60 µg de vitamina B1 (tiamina), 45 µg de vitamina B2 (riboflavina), 0,6 µg de vitamina B3 (niacina) e 1,2 mg de vitamina C (ácido ascórbico).

Há relatos do uso de berinjela em tratamentos de asma, diabetes, cólera e bronquite. Porém, entre as propriedades medicinais, destaca-se o controle de colesterol no sangue. Khan (1979) relata que, na medicina ayurvédica, as variedades que apresentam frutos brancos são utilizadas para o combate a diabetes e que as raízes são consideradas como antiasmáticas. O mesmo autor relata ainda que, na Guiana o suco das raízes serve para o combate à otite e dor de dente. As folhas são tidas também como narcóticas. Extratos das plantas inibem vários tipos de bactérias sendo que a polpa dos frutos é mais efetiva que o suco das folhas.

A berinjela é suscetível a várias doenças e pragas que causam perdas econômicas significativas. Entretanto, esses problemas têm sido contornados pela utilização de técnicas convencionais de melhoramento utilizando-se espécies silvestres resistentes de Solanum.

Materiais selvagens, incluindo cultivares e espécies primitivas, são de interesse para trabalhos de melhoramento por possuírem genes de resistência a muitas doenças e pragas importantes. Algumas tentativas de hibridação entre berinjela e espécies de Solanum spp. já foram registradas, entretanto resultaram em progênie estéril ou parcialmente férteis. Já foram reportados cruzamentos interespecíficos entre S. melongena e S. incanum, S. xanthocarpum, S. zuccagnianum, S. integrifolium, S. anomalum, S. sodomaeum, S. macrocarpon, S. gilo, S. indicum e S. hispidum. Segundo Khan (1979), essas dez espécies mostram algum tipo de relacionamento genético com a berinjela, pois apresentam híbridos com diferentes valores de fertilidade.



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