segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Cultivo do Alho



Características de Cultivo:

Para o cultivo do alho, devem-se separar os dentes do bulbo, enterrando-os a uma profundidade de cerca de 6 cm, com a extremidade em bico voltada para cima. São semeados às fileiras (distantes entre si em cerca de 30 a 50 cm), deixando-se aproximadamente 15 cm entre uma planta e outra. 

Quanto ao tipo de solo, a planta de alho prefere solos leves, finos, ricos em matéria orgânica e bem drenados. Não suporta terrenos úmidos. Solos pesados e mau drenados não permitem o bom desenvolvimento das raízes, prejudicando a nutrição da planta.

No que respeita às condições climáticas, o alho é uma cultura de clima frio, suportando bem baixas temperaturas, sendo, inclusive, resistente a geadas. A planta exige pouco frio no início da cultura, muito no meio do ciclo e dias longos no final. Portanto, temperatura e fotoperíodo são fatores de clima extremamente importantes à cultura do alho, influindo na fase vegetativa, no bom desenvolvimento e na produtividade. O comprimento do dia, ou fotoperíodo, determina em que região e em que época cada variedade deve ser plantada. No alho, tais fatores têm papel visivelmente mais destacado.
Enfim, quanto à colheita, de modo geral, colhe-se a planta quando ela apresenta, no final do ciclo, três a quatro folhas verdes e as demais secas. É fundamental conhecer o ciclo da planta, pois doença, ataque de pragas, nutrição deficiente e outros problemas podem levar ao mesmo aspecto visual. Após a colheita, os bulbos devem secar ao sol, por três a quatro dias, preferivelmente em gavetas de madeira, evitando que sejam banhados por chuva. O armazenamento pode ser feito em câmaras frias a 0° C, com umidade de 70 a 75%. O alho é uma das poucas hortaliças que deve ser armazenada sob umidade relativa do ar baixa.
Embora o alho possa ser cultivado com sucesso em quase todo o Brasil (exceto na maior parte da Amazônia), nosso país não é auto-suficiente na cultura, realizando importações anuais, principalmente da Argentina, para abastecer o mercado interno.


ÉPOCA DE PLANTIO

Sul=maio/junho
Sudeste=mar./abr.
Nordeste=maio
Centro-oeste=mar./abr
Norte=não recomendável

imigrante Takashi Chonan desenvolveu e batizou no planalto catarinense a principal variedade de alho nacional, branco por fora e arroxeado por dentro
Dizem que o alho chegou ao Brasil junto com as caravelas de Cabral. A resistente hortaliça seria parte do magro cardápio consumido pelas tripulações. Mas, uma vez no país, levou cinco séculos para sair do fundo dos quintais, onde era cultivado em pequenas quantidades como tempero e ingrediente de remédios caseiros, para enfim virar uma cultura capaz de gerar riqueza no campo. Para isso foi preciso aparecer por aqui um japonês baixinho, de sorriso fácil e olhos vivazes por detrás das lentes bifocais. Takashi Chonan desembarcou no porto de Santos em 1958, aos 21 anos. Trazia só um diploma de técnico agrícola e esperança. Fazia parte das levas que deixavam o Japão nos anos seguintes ao final da Segunda Guerra Mundial.
Pioneirismo: Chonan começou o melhoramento genético do alho brasileiro nos anos 70, em Curitibanos, SC
'Vim para o Brasil porque era o único país que aceitava imigrantes solteiros', lembra Chonan, num português ainda carregado de sotaque. Aqui, ele dedicou boa parte dos últimos 45 anos a desenvolver e melhorar a principal variedade de alho nacional, que hoje leva o seu nome. O alho Chonan é o precursor das variedades de alhos nobres brasileiras e ocupa pelo menos metade da área cultivada no país, que chega a 12 mil hectares. 'Mas eu não ganho nem um centavo com o nome, não', explica.
Numa propriedade de 60 hectares em Curitibanos, SC, Chonan começou o melhoramento genético do alho brasileiro. A partir de 77, a então Empasc - Empresa de Pesquisa Agropecuária de Santa Catarina, transformou suas terras em campo experimental. Durante mais de uma década ele recebeu visitas quase diárias de técnicos e agrônomos que pesquisavam o desenvolvimento da cultura.
O cultivo da hortaliça é quase artesanal: o plantio é feito dente por dente, e a colheita, bulbo por bulbo
Um deles era Gilmar Dallamaria, atual presidente da Anapa - Associação Nacional dos Produtores de Alho. 'O alho Chonan foi o precursor dos cultivares brasileiros. Todas que se desenvolveram depois dele têm as mesmas características, de alho roxo', diz Dallamaria.O começo da aventura brasileira decepcionou o imigrante. A propaganda do governo japonês mostrava um país repleto de oportunidades, com vastas fazendas de café, mas Chonan acabou empregado numa granja em São Bernardo do Campo, SP. 'Se fosse para criar galinhas eu ficava no Japão', reclama. Mas foi nos finais de semana em que ia para a feira em São Paulo vender ovos que Chonan abriu os olhos: percebeu que praticamente toda a maçã e o alho eram importados. 'Aí tem negócio de futuro', pensou. Ainda na feira, viu que os brasileiros preferiam o alho do tipo europeu, graúdo, branco por fora e roxo por dentro. Típico de regiões com o inverno frio, assim como a maçã. O alho que se cultivava aqui e ali no Brasil, no entanto, era o branco, miudinho, de pouco valor comercial.





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