segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Custo de produção da Cebola



Para cultivo e colheita
O cultivo da cebola no Brasil está concentrado em determinadas regiões do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Bahia e Pernambuco. Em cada uma destas regiões, são plantadas as cultivares mais adaptadas aos fotoperíodos e temperaturas. Estes fatos condicionam as épocas de plantio e colheita e, portanto, o ciclo das safras, o que permite ao Brasil ter colheitas de maio a dezembro.
No Rio Grande do Sul, Santa Catarina e na região do Sub-médio São Francisco tanto do lado da Bahia quanto de Pernambuco, predominam pequenos e médios produtores, ou seja, aqueles que cultivam até 20 hectares. Em São Paulo existem pequenos, médios e grandes produtores, sendo estes considerados empresários. Na região dos Cerrados de Goiás e na Chapada Diamantina na Bahia, a cebola é cultivada por empresas agrícolas.
Os pequenos e médios produtores implantam suas culturas predominantemente pelo método de transplante e empregam diferentes níveis de tecnologias desde as mais simples até as mais sofisticadas. Já os grandes ou as empresas que utilizam a semeadura direta, em geral, conduzem a cultura toda mecanizada com exceção do arrancamento e arranjo das plantas para a cura, e da toalete dos bulbos. Assim, as produtividades variam de 10 a 80 toneladas por hectare.
A diversidade das regiões de produção, das cultivares com diferentes exigências e ciclos, das épocas de plantio e colheita, do tamanho das áreas cultivadas por produtor e dos níveis de tecnologias empregados, fazem com que os coeficientes técnicos sejam também muito variáveis tanto entre regiões quanto entre agricultores.
As tabelas de coeficientes técnicos que serão apresentadas a seguir foram elaboradas com dados fornecidos por extensionistas, pesquisadores e técnicos de empresas privadas que atuam nas principais regiões de produção e por produtores de cebola. Os coeficientes servem para o cálculo dos custos diretos para a produção, nas principais regiões do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Goiás, Bahia e Pernambuco, para os métodos de transplante (Tabelas 29 e 30) e semeadura direta (Tabela 31). Por isso, constam somente os itens relativos aos insumos e serviços para o preparo do solo até a colheita e para o recolhimento dos bulbos ao galpão para armazenamento ou para beneficiamento para comercialização.
Tabela 29. Coeficientes técnicos para produção de mudas para 1 (um) hectare, pelo método de transplante de mudas.
Insumos
Unidade1
Estados
RS2
SC3
SP4
BA/PE5
Sementes
kg
2
2
1,8
2
Corretivos
kg
300
100
60
-
Matéria orgânica
kg
2.000
500
300
-
Adubo para plantio
kg
100
60
45
200
Adubo para cobertura
kg
50
20
6
1,5
Adubo corretivo
kg
-
20
-
-
Serragem
m3
-
3
-
-
Serragem
t
-
-
6
-
Herbicidas
l
1,5
0,25
0,05
-
Inseticidas
l
0,5
0,05
0,5
0,2
Fungicidas
kg
1
1,3
1
0,2
Espalhante/adesivo
l
0,5
0,1
-
0,1
Adubo foliar
l
-
-
0,6
0,2
Serviços 6





Limpeza da área
dh
-
-
-
0,25
Aração
hm
0,5
0,5
-
0,3
Gradagem
hm
0,5
1
-
0,2
Dist./incorporação calcário
dh
-
-
0,25
-
Dist./incorporação mat. orgânica
hm
0,5
0,5
0,5
-
Dist./incorporação adubo
hm
0,5
0,5
0,5
1
Construção canteiros
hm
0,5
-
2
-
Construção canteiros
dh
-
1,5
-
-
Semeação
dh
0,3
0,3
0,5
1
Aplicação herbicidas
dh
0,6
0,4
-
-
Cobertura morta canteiros
dh
-
-
0,5
-
Irrigações
dh
-
1
1
1
Pulverizações
dh
-
1,6
1
1
Adubação cobertura
dh
0,6
0,1
0,25
0,25
Capinas
dh
2
1,5
2
0,5
1 hm = hora máquina; dh = dia homem.
Fonte da informação: 2 Emater-RS e Embrapa Clima Temperado; 3 ICEPA; 4 Cooxupé e IEA; 5 Embrapa Semi Árido e EBDA.
6 Área de sementeira (em m2) para transplante de 1 (um) hectare: RS = 200; SC = 800; SP = 300; BA/PE = 300.
Produtividade esperada (t/ha): RS = 20; SC = 35; SP = 35; BA/PE = 18.
Tabela 30. Coeficientes técnicos para implantação de 1 (um) hectare de cebola pelo método de transplante de mudas.
Insumos
Unidade1
Estados
RS2
SC3
SP4
BA/PE5
Corretivo
t
1,5
1
1
2
Matéria orgânica
t
-
-
5
-
Adubo para plantio
t
0,5
1
1,5
0,8
Adubo para cobertura
kg
200
150
400
300
Herbicidas
l
5
4
4
4
Inseticidas
l
2
2,6
6,2
6
Fungicidas
kg
5
19
42
6
Espalhante adesivo
l
2
1,8
-
1
Adubo foliar
kg
5
12
60
5
Adubo corretivo
un
-
200
-
-
Sacos
un
1.000
1.800
800
900
Barbante

20
40
10
12
Serviços





Limpeza da área
dm
-
-
2
-
Aração
hm
3
5
6
4
Gradagem
hm
2
1
1
1,5
Conservação do solo
hm
-
-
1,5
-
Dist./incorporação corretivo
hm
2
2
2
-
Dist./incorporação mat. orgânica
hm
-
-
6
-
Dist./incorporação adubo
hm
2
2
-
-
Construção canteiros
dh
-
-
-
8
Construção canteiros
hm
2
-
-
-
Sulcamento/adubação
hm
-
2
2
-
Incorporação adubo
dh
-
-
-
0,6
Aplicação herbicidas
hm
-
1,6
1
-
Aplicação herbicidas
dh
2
-
-
5
Arranquio e preparo das mudas
dh
40
3
35
40
Plantio
dh
-
45
14
22
Irrigações
dh
-
4,5
-
-
Irrigações
hm
10
36
-
24
Pulverizações
dh
5
15
15
15
Pulverizações
hm
14
-
2
-
Adubação cobertura
dh
-
-
-
-
Adubação cobertura
hm
4
1
-
-
Adubação foliar
dh
-
-
-
-
Capinas
dh
-
2
-
-

Colheita






Afofamento do solo
hm
2
-
-
-
Arranquio/arrumação das plantas
dh
10
8,5
20
10
Toalete/ensacamento dos bulbos
dh
5
35
40
40
Transporte para o galpão
dh
10
16
6
6
Transporte para o galpão
hm
10
16
10


1 hm = hora máquina; dh = dia homem.
Fonte da informação: 2 Emater-RS e Embrapa Clima Temperado; 3 ICEPA; 4 Cooxupé e IEA; 5 Embrapa Semi Árido e EBDA.
Produtividade esperada (t/ha): RS = 20; SC = 35; SP = 35; BA/PE = 18.

Tabela 31. Coeficientes técnicos para implantação da cultura para o cultivo pelo sistema de semeio direto.
Insumos
Unidade1
Estados
SP2
GO2
Sementes
kg
5
4
Corretivos
t
-
3
Adubo para plantio
t
1
4
Adubo para cobertura
t
1
0,7
Herbicidas
l
4,5
1
Inseticidas
l
8
8
Fungicidas
kg
97
30
Espalhante adesivo
l
0,2
0,2
Adubo foliar
l
-
17
Sacos
un
1.000
4.000
Barbante
un
10
30
Serviços



Aração
hm
1,6
4
Gradagem
hm
3
1
Dist./incorporação adubo
hm
1
1,5
Semeação
hm
0,48
2
Aplicação herbicidas
hm
1
3
Irrigações
hm
48
30
Pulverizações
hm
15
25
Adubação cobertura
dh
8
2
Colheita



Afofamento do solo
hm
1
1
Arranquio/arrumação das plantas
dh
10
10
Toalete/recolhimento dos bulbos
dh
40
60
Carga horária
dh
10
8
1 hm = hora máquina; dh = dia homem.
2 Fonte da informação: Empresa produtoras.
Produtividade esperada (t/ha): GO = 50; SP = 40.
Capacidade do saco (kg): GO = 20; SP = 45.

Para o preparo dos bulbos para comercialização
No preparo para a comercialização, os bulbos passam pelas operações de limpeza, seleção, classificação, ensacamento, substituição de sacos, pesagem, costura da boca do saco e empilhamento ou paletização. As operações de limpeza, classificação e ensacamento são feitas pela máquina classificadora. Já as operações de alimentação da esteira da classificadora, seleção, substituição de sacos, pesagem e costura da boca do saco são feitas com a participação de operários. A necessidade de operários para o beneficiamento depende da capacidade da máquina beneficiadora (Tabela 32).
As máquinas classificadoras são instaladas de acordo com o volume de bulbos a serem beneficiados e por isso somente grandes produtores e empresas dispõe das mesmas.
Tabela 32. Necessidade de operários para o preparo dos bulbos para comercialização.

Operações

Capacidade de máquina (sacos/hora)
100
500
Alimentação da esteira
1
4
Seleção
3
20
Substituição dos sacos
1
10
Pesagem
1
5
Costura da boca
1
5
Pequenos e médios produtores comercializam suas produções sem o beneficiamento ou pagam por este serviço, que em geral é feito pelos comerciantes atacadistas.
Custos de produção e rentabilidade


Para o cálculo dos custos de produção e rentabilidade, além dos coeficientes técnicos que compõe os custos variáveis da cultura, é necessário levar em conta outros parâmetros de custos variáveis e fixos. Nos custos variáveis devem ser incluídos os valores referentes ao uso da terra, juros sobre financiamentos, despesas de comercialização, assistência técnica, seguros e como fixos impostos e taxas, remuneração do capital ou da terra, manutenção e depreciação de benfeitorias e máquinas, etc.