segunda-feira, 23 de abril de 2018

Clima e Solos para Brócolis



Clima

Os brócolis têm melhor desempenho quando cultivado em meses de temperatura amena. O clima afeta o desenvolvimento da planta como um todo. Características como tamanho e qualidade da inflorescência, produtividade e duração do ciclo são diretamente influenciadas por variações de temperaturas máximas e mínimas. Para a  maioria dos tipos de brócolis cultivados, as temperaturas ótimas oscilam, respectivamente, entre 20 °C e 24 °C, e entre 15 °C e 18 °C, antes e depois da emergência da inflorescência central.
O melhoramento genético permitiu a obtenção de cultivares adaptadas às diferentes estações do ano com temperaturas variadas. No entanto, a produção ainda é incipiente em condições de alta temperatura e umidade, a exemplo do Norte e Nordeste brasileiro, com raras exceções de produção de brócolis em locais de altitude nesses estados.
Os brócolis podem iniciar o desenvolvimento dos seus primórdios florais sob temperaturas relativamente altas, contudo, nessas condições, aumentam-se as desordens fisiológicas e a suscetibilidade a doenças.
Períodos prolongados de temperatura acima de 25 °C podem retardar a formação das inflorescências em plantas em fase de crescimento vegetativo. Por sua vez, plantas com inflorescência em formação podem reverter a indução da fase reprodutiva para crescimento vegetativo. Com isso, reduz-se o tamanho das inflorescências, formam-se botões florais com tamanhos desiguais e ocorre o desenvolvimento de folhas ou brácteas nos pedúnculos florais.
O plantio nas condições brasileiras pode ser realizado em diferentes épocas. Para as cultivares de inverno, é mais comum o transplantio nos meses de abril a junho, em locais de baixa altitude (< 400 m), e de fevereiro a julho em locais de maior altitude(> 800 m). Para as cultivares de verão, o transplantio ocorre de agosto a fevereiro em locais de baixa altitude, e de setembro a janeiro em maiores altitudes. Porém, é importante monitorar variações na umidade do ar e do solo, que podem favorecer a ocorrência de doenças.
Peculiarmente, a produção de brócolis na região amazônica é feita em duas épocas do ano: na estação seca (julho a dezembro), com precipitações abaixo de 100 mm mensais, e na estação chuvosa (janeiro a junho), com precipitações acima de 250 mm, o que afeta negativamente o desempenho das plantas e a formação de inflorescências quando o cultivo realiza-se em campo, uma vez que esse período favorece o aparecimento de doenças. Nessa época, recomenda-se o cultivo protegido, em instalação estilo guarda-chuva, obtendo-se melhor controle hídrico, maior aeração e também melhor manejo cultural. No norte do Estado de Roraima, o cultivo é favorecido pela elevada altitude, por causa da temperatura do ar mais amena, o que possibilita melhores resultados em quantidade e qualidade de inflorescências, mesmo quando cultivado em campo.
Condições estressantes podem conduzir ao florescimento precoce (buttoning), como, por exemplo, a exposição prolongada a temperaturas abaixo de 10 °C, o deficit hídrico e os solos com baixa fertilidade na fase inicial de desenvolvimento da cultura.
No Brasil, as culturas implantadas entre os meses de agosto e setembro são geralmente mais problemáticas, por causa do excesso de chuvas e de calor durante seu ciclo, o que resulta em maior incidência de pragas e doenças, especialmente na época da colheita. O produto final colhido sob essas condições é inferior, com inflorescências menores, mais leves, de coloração mais clara, granulação maior, mais grossa, pior textura e menor conservação pós-colheita. As cultivares indicadas para cultivo no verão têm menor número de folhas, sendo emitidas diariamente, e necessitam de menos dias para indução da floração, que se desenvolve de maneira mais uniforme, resultando em maior precocidade.
Em condições favoráveis, o crescimento e o desenvolvimento podem ser divididos em
quatros estádios:
• 1º estágio - de 0 a 30 dias: crescimento inicial após a emergência das plântulas até a emissão de 5 a 7 folhas definitivas.
• 2º estágio - de 30 a 60 dias: expansão das folhas externas.
• 3º estágio - de 60 a 90 dias: diferenciação e desenvolvimento dos primórdios florais e das folhas externas.
• 4º estágio - de 90 a 120 dias: desenvolvimento da inflorescência.

Porém, deve se ressaltar que esses estádios fenológicos variam segundo as características da própria cultivar e também da resposta da planta às condições ambientais de cultivo. O segundo e o terceiro estádio de desenvolvimento são de grande importância na produtividade (tamanho e conformação de inflorescência). O número e o tamanho de folhas irão definir a área foliar da planta e seu potencial produtivo.

Solo

Para a escolha da área de plantio, não são recomendadas áreas recém-trabalhadas, com resíduos de restos culturais, madeira ou touceiras de capim em decomposição.
Os brócolis são hortaliças medianamente resistentes à salinidade. O pH ótimo para seu desenvolvimento oscila entre 6,5 e 7,0. Valores menores aumentam as carências de molibdênio (Mb) e valores maiores aumentam as carências nutricionais, especialmente de elementos como Mn e boro (B). As brássicas são grandes extratoras de nutrientes do solo e respondem com alta taxa de conversão em período de tempo relativamente curto. Para fornecer nutrientes em quantidades adequadas e equilibradas, faz-se necessário conhecer a exigência nutricional de cada espécie.
Para os brócolis, como recomendação geral, deve-se aplicar calcário para elevar a saturação por bases a 80% e o teor de Mg a um mínimo de 9 mmol/dm3.
A adubação orgânica deve ser realizada com doses de 30 t/ha a 60 t/ha de composto orgânico curtido, a depender do teor de matéria orgânica (MO) do solo.
A recomendação de adubação química é realizada considerando-se os teores de nutrientes encontrados no solo, obtidos por meio da análise. Muitos produtores e técnicos se baseiam nas recomendações para a cultura da couve-flor, que, apesar de ser morfologicamente muito parecida com o tipo inflorescência única, possui respostas diferenciadas aos nutrientes.
Seguem as variações de quantidades de macronutrientes consideradas adequadas, em quilos por hectare (kg/ha), para a maioria das regiões:

• 50 kg/ha a 400 kg/ha de P2O5 no plantio.
• 50 kg/ha a 240 kg/ha de K2O no plantio.
• 50 kg/ha a 120 kg/ha de K2O na cobertura.
• A adubação com nitrogênio (N) varia de 60 kg/ha a 120 kg/ha de N no plantio e de 15 kg/ha a 200 kg/ha em cobertura.

Pesquisas comprovam que o N e o K elevam a produtividade, além de desempenharam papel importante na resistência dos brócolis a doenças. No entanto, doses elevadas de matéria orgânica não decomposta podem resultar em maior retardamento na disponibilização desses nutrientes para as plantas, levando a sintomas de carência desses nutrientes.
Todas essas recomendações dependem da avaliação da fertilidade do solo, da região de cultivo, do manejo e da cultivar utilizada, além do histórico de uso da área.
Recomenda-se ainda acrescentar de 3 kg/ha a 4 kg/ha de B, juntamente com os demais adubos minerais na ocasião do plantio. Também é indicada a pulverização das folhas por três vezes, no ciclo, com solução de ácido bórico (1 g/L de água).
Aplicar Mb, também em pulverização, 15 dias após o transplantio, utilizando 0,5 g/L de molibdato de amônio.
É possível parcelar as adubações de cobertura via fertirrigação, bem como aumentar sensivelmente a produtividade, utilizando fertilizantes solúveis com pequenas
doses semanais, já que há melhor aproveitamento dos nutrientes.